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Panorama

13-22 Fevereiro, Cinema São Jorge.

Aconteceu no passado mês de Fevereiro a 3ª Mostra de Cinema Documental Português – Panorama. De 13 a 22, no São Jorge, foi o primeiro da nova versão anual do Panorama, que anteriormente só aconteceria ano sim, ano não. Em 2009 este festival assume-se na vontade de se tornar importante, de querer crescer e ter o impacto que festivais como o IndieLisboa ou o DocLisboa têm para a cidade em que acontecem.

Depois de nos anos anteriores se ter focado em Manoel de Oliveira e Paulo Rocha, desta vez foi António Campos o autor em retrospectiva. O mesmo realizador é tema do documentário de Catarina Alves Costa que abriu esta 3ª edição. Este retrato audiovisual demonstra-o como uma pessoa simples com desejos etnográficos vincados, ligado às pessoas e com uma grande vontade de não deixar suprimir a história e as tradições, nem que seja da memória das pessoas.

Dando passos pela cinematografia do autor, é elaborado um paralelismo entre as imagens que António Campos encontrou com o presente, deste documentário que foi estreado e acabado propositadamente para estrear neste festival.

Foram vários os filmes de António Campos que foram exibidos nestes dias, começando na abertura com “A Almadraba Atuneira” e “Um Tesoiro”, o segundo musicado ao vivo pelos Munchen, uma daquelas coisas que não acontece todos os dias.

Apesar de algumas pessoas terem ficados surpreendidas com a enchente, e até se ouvir uma ou outra questionar sobre se esta enchente iria contrastar com o resto do festival, ficou provado que não.
Estes dias de cruzamentos e debates, de reflexão perante a produção documental em Portugal, prometem vir a originar um fortalecimento do sector, pelo menos onde parece carecer mais, na parte dos filmes chegarem às pessoas.

Como referido, a partir de agora será realizado anualmente e por isso esta é a primeira edição que tem em si o melhor do ano de 2008. Desse ano poderíamos destacar muitos, como por exemplo “Bab-Secta”, vencedor de prémios em Portugal e lá fora, um documentário que percorre quatro cidades em duas horas ao longo da costa de África. Foi uma boa oportunidade de ver este promissor filme português.

Também promissor, um filme mais mediatizado: “Aquele querido mês de Agosto” que até compôs a quinzena de realizadores em Cannes. Um filme que primeiro se apresenta como documentário e posteriormente como ficção, uma bem disposta exibição, por vezes bem demais. Entre a audiência o filme contagiou tanto, que por vezes se esqueciam que não estavam na sala de sua casa, e toda a gente conversou… durante o filme todo.

Mas, voltando ao filme, é uma proposta inteligente e ousada que cruza os dois géneros (documentário e ficção) e para além disso inclui a própria produção do filme (ficcional) dentro do filme. Documenta várias pessoas, de um ponto com sentido de humor na genuinidade das pessoas, e depois começa a introduzir gradualmente a ficção, tudo isto com muitas músicas populares à mistura.  Depois é a banda pimba, a relação entre pai, filha e primo, por vezes cruzadas com o documentário em si de forma bastante inteligente.

Estes foram só dois dos mais importantes, não nos podemos esquecer das muitas estreias como “O Parque”, de Catarina Alves Costa, sobre o parque de Serralves. Foram ao todo 35 os filmes seleccionados; filmes conhecidos, filmes novos que dão muita esperança para o futuro, mas não só, também um bom número de debates e conferências em torno da produção do documentário nacional, tema principal desta 3ª edição do Panorama. Um ambiente de cooperação, intensidade e criatividade como os destes debates são os pilares, e bem fortes, para o futuro do documentário em Portugal. O esforço é bom, para a 4ª edição veremos os frutos.



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