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Paolo Sorrentino

Napolitano de puro-sangue, Paolo Sorrentino, de 40 anos, é considerado no meio cinematográfico em que se move, longe das luzes de Hollywood, um dos mais promissores e excitantes realizadores e guionistas de cinema nos últimos tempos.

“Il Divo “ de 2008, de subtítulo “A Extraordinária vida de Giulio Andreotti“ é o filme central que o catapulta para o burburinho mundial e ao prémio de “Jury Prize“ em Cannes devido ao carácter político devastador sobre uma Itália corrupta e borbulhante.

O subtítulo resume um conto-de-fadas político, brilhantemente polido, centrado na imagem potente e sombria do primeiro-ministro Giulio Andreotti que governou Itália por sete vezes. O filme conta a história do fim da Primeira República e o início do processo da máfia contra Andreotti.

Desenrola-se numa linha letal de raptos e mortes com aparência suicida, incluindo Roberto Calvi, o banqueiro do Vaticano e as ligações ao desaparecimento em 1978 de Aldo Moro, na altura primeiro-ministro, e a sua componente política entre os democratas cristãos na qual Andreotti sairia beneficiado.

A morte de Moro é o momento-chave da época pós-guerra italiana e a componente religiosa, política e cultural central em que Sorrentino destila das agonias secretas do protagonista, retratado como um Nosferatu silencioso e conhecido com a alcunha de “Belzebu“.

A filmografia de Sorrentino em longas-metragens inicia-se em 2001 com “One man Up“, que ganhou o prémio “Best young Director” pela Nastro D´Argento. Trata de duas histórias paralelas de dois homens com o mesmo nome e problemas de vida semelhantes.

Em “The Consequence of Love“, de 2004, Titta di Girolamo é um homem de meia-idade a trabalhar forçadamente para a máfia como portador de dinheiro. Vive há oito anos num hotel na Suíça com a mesma rotina monótona evitando contacto com outras pessoas. O filme é a apoteose das acções e o título faz juz à história simples que é aqui retratada. Nomeado para “Palma de Ouro” em Cannes, ganhou cinco prémios “David di Donatello”.

“The Family Friend“ de 2006 segue o mesmo tipo de personagem; a história sobre um homem de meia-idade de aspecto repugnante, sovina e solitário, que tem como ocupação emprestar dinheiro, e que desenvolve uma obsessão com a filha de um cliente. É um retrato mórbido sobre a condição humana e os limites possíveis desta.

A nível cinematográfico, o trabalho de Sorrentino é exageradamente bem trabalhado e brilhante. Os planos estilizados e simples, quase geométricos, os truques visuais e a música sempre refinadamente introduzida em cada cena como um elemento crucial de emoções. Um sentido de timing perfeito conduz o espectador cena após cena. As personagens caricaturalmente fortes, sempre de vidas insólitas, são retratadas com objectividade e com um profundo significado sobre elas e a consequência das suas acções.

Andreotti pode ser o centro do poder, mas partilha uma identidade com o homem do dinheiro da mafia em “The consequences of Love“ e o malformado e patético personagem credor de “Family Friend“. Em cada filme, Sorrentino é interessado no momento em que o mundo moderno collide com o antigo e o que daí advém.

Em Janeiro deste ano, Sorrentino começou a trabalhar no guião para uma versão do filme de Niccolò Ammanti, “Ti prendo e ti porto via” (“Steal you away”), participou como presidente de Júri no passado festival de Cannes e começou a rodar “This must be the Place“ com estreia marcada para 2010.



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