Paredes de Coura 2005

O cartaz mais apetecível deste verão. Vamos ao Minho?

Depois de algumas edições com cartazes menos apelativos do que aquilo a que nos tem vindo a habituar, o Festival Paredes de Coura está este ano de volta com um cardápio de velhas e novas revelações, transformando-se assim no evento mais apetecível deste Verão. Assim, entre os dias 15 e 18 de Agosto, a Praia Fluvial do Taboão prepara-se para receber uma enchente de melómanos nacionais e espanhóis prontos a celebrar, não só boa música, como o verdadeiro espírito festivaleiro.

Situado numa das mais belas localidades possíveis para a realização de um festival, Paredes de Coura tem já uma tradição de 12 anos de boa música e apresenta-se agora com propostas para todos os gostos. Além do Palco principal, onde figuram aquelas que são algumas das revelações desta “temporada” musical, há também Jazz na Relva, com várias propostas interessantes, bem como o palco Songwriters que conta com muito folk para quem quiser algo diferente daquilo que tomará as atenções de todos.

A recepção ao campista faz-se a dia 15 com os escoceses Sons And Daughters que lançaram recentemente o seu primeira longa duração, “The Repulsion Box”, álbum que demonstra a capacidade da banda de Glasgow de misturar letras sinistras com melodias cativantes. Depois da aclamação geral de “Love The Cup”, o primeiro EP gravado pelo quarteto, o folk mais negro mistura-se com alguma electrónica para dar as boas-vindas ao festival.

Novidades que agradam a gregos e troianos

Uma das grandes vantagens dos festivais de Verão é a possibilidade que eles oferecem, tanto os nomes sonantes, como aqueles que merecem a devida atenção dos amantes de música. É o caso desta edição de Paredes de Coura. Logo no primeiro dia “a sério”, os Kaiser Chiefs prevêem uma autêntica rebelião no seu concerto. «I Predict a Riot» foi o segundo single da banda de Leeds e aquele que os catapultou para a ribalta. O sucesso foi tanto, que esta banda que se juntou em 2003, apenas para realizar o sonho de integrar o cartaz do Festival da sua cidade natal, já foi responsável pela primeira parte dos espectáculos de digressão dos Franz Ferdinand e tem agora a cargo a abertura do concerto dos jurássicos U2.

Seguem-se os !!! (chk chk chk). Com o nome inspirado nos subtítulos do filme “Os deuses devem estar loucos”, que representava da mesma forma os sons que saíam da boca da personagem principal, os sete membros da banda californiana têm uma sonoridade única, que muito deve à mais variada origem das pessoas que a compõem. Com influências que atravessam o funk, punk, disco, dub e rock´n´roll produzem um som difícil de catalogar, mas certamente impossível de deixar atónito quem os ouve. Ainda no dia 16, as atenções viram-se para os The Bravery capazes de fazer soar canções, marcadamente influenciadas pelo punk, a electrónica. Com influências que contam com nomes como Fugazi ou Jawbox, estes nova-iorquinos deverão tirar a dúvida que passa na cabeça de muita gente: Será que aquilo soa bem ao vivo?.

The Arcade Fire é a mais recente novidade que nos chega do Canadá. O seu primeiro registo, “Funeral”, nasceu da inspiração que a morte lhes oferece. No curto espaço de um mês, três familiares da banda faleceram. Mas nem por isso a música da banda se torna deprimente e aborrecida. A palavra funeral não evoca apenas morte e doença, mas também compreensão e maturidade. Sem dúvida uma das bandas mais interessantes e apelativas do panorama pop/rock actual, as canções da banda têm a particularidade de nos envolverem desde o início, lento e melodioso, até que explodem inesperadamente no final. Também os The Futureheads dão a conhecer ao público português o álbum homónimo, num concerto que será concerteza merecedor de atenção. Gang Of Four, Buzzcocks, ou XTC são apenas algumas das bandas que influenciam os britânicos, capazes de recriar 14 fantásticas faixas em apenas 33 minutos. Um instante que deixa água na boca a quem os ouve.

De Hollywood para Paredes de Coura e nomes consagrados

Entre a extensiva de lista de nomes mais que conhecidos e que dispensam apresentações, como é o caso dos Pixies, Queens of The Stone Age ou Nick Cave And The Bad Seeds, o último dia do festival transfere de Hollywood para a praia fluvial do Tabuão duas personagens a que estamos habituados a ver apenas no grande ecrã. O actor e realizador de filmes de culto, Vincent Gallo conta com vários álbuns gravados ao longo dos últimos vinte anos, tanto a solo ou como fazendo parte de projectos obscuros. Com a sua carreira repartida entre ser actor, realizador e músico, Gallo repartiu-se em colaborações com vários nomes consagrados do mundo da música, dando concertos e gravando temas em parceira com gente como Steve Shelley e Jim O’Rourke dos Sonic Youth, John Frusciante dos Red Hot Chili Peppers, Sean Lennon, P.J. Harvey, entre outros.

Juliette and the Licks conta com a actriz Juliette Lewis no papel principal, responsável por performances ao vivo de uma intensidade tal, que chega a contorcer-se e a rastejar no palco, acabando a mergulhar para a audiência, fazendo lembrar as velhas raposas do rock ‘n roll. “You’re Speaking My Language” é o seu álbum de estreia e conta com uma sonoridade rock, punk, e soul contagiante.

Naturalmente, esta lista não é exaustiva. O Festival Paredes de Coura 2005 tem muito mais para oferecer, mas conta com nomes que só por si dizem tanto, que se tornaria inútil tentar descrevê-los. Aos que se dirigem para o certame pede-se energia suficiente para aguentar quatro dias de alguma da melhor música que por estes dias se faz.



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