Passenger | “All the Little Lights”

Passenger | “All the Little Lights”

Faixas sobre o quotidiano à guitarra e com alma

“All the Little Lights” não é um álbum novo (saído numa fornada de finais de 2012), mas é necessário falar dele, antes que as rádios nos levem ao enjôo (e quantas vezes não o fizeram?), repetindo vezes sem conta a mesma playlist onde aquela música de que gostamos toca pelo menos 3 vezes por hora.

Mike Rosenberg concebeu Passenger em 2003: após saídas e entradas de músicos e colaborações, chegou a bom-porto a solo e com este quarto álbum chegou também a mais ouvintes do que com qualquer outro que havia lançado. Encaixando-se no folk-rock britânico, Rosenberg brinda-nos com um dos rádio hits deste ano – «Let her go» – mas, justiça seja feita a este trabalho, há muitas mais faixas para serem ouvidas e sentidas. Faixas que falam do quotidiano, do banal/normal, de situações reais e pessoais e talvez isso nos prenda a esta voz e guitarra, a estes arranjos que de simples têm pouco.

São 12 músicas apresentadas pela magistral «Thinks that Stoped You Dreaming», uma faixa que descreve, num refrão poderoso, a fatalidade da sociedade em que vivemos, transmitindo no entanto sabedoria para sermos melhores. Em todas as músicas se consegue encontrar frases de coragem e inspiração, um Dalai Lama do folk, mas quando se tem faixas como «Life is for living» é difícil fugir ao paralelismo.

“All the Little Lights” é um conjunto de 12 músicas e uma de bónus, gravada ao vivo, que basicamente ‘quebra o gelo’ sentimental e mostra um lado muito sarcástico, gozando com programas de talentos e redes sociais.

O álbum não é, de todo, apenas «Let her go», antes pelo contrário. Quantas vezes ouvimos um álbum que tem duas a três faixas que nos prendem, mas a restantes acabamos por fazer um fast-foward? Pois é… Acontece a todos, incluindo aos melhores.

Desenganem-se, no entanto, se pensam que com este LP acontece o mesmo. Da primeira à última faixa, a sua voz prende-nos, cativa-nos e leva-nos às ruas sobre as quais fala, aos locais que descreve e ao sentimento que impõe na forma como toca colocam-nos lá. Sem qualquer dúvida, um álbum cheio de poder emocional, que o torna enorme.



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