rdb_artigo_passosmanuel

Passos Manuel

O Passos Manuel é com certeza um dos locais mais carismáticos da noite do Porto e se em alguns casos a palavra “carismático” é empregue de forma leviana, no caso deste espaço usamo-la na sua verdadeira acepção.

Desde há 5 anos que o Passos Manuel faz parte do roteiro noctívago do Porto e o seu dono, António Guimarães (de Guimarães, calcule-se) é um dos nomes mais conhecidos da noite do Porto. O “Becas”, como todos o conhecem ou Sr. Guimarães (como se refere enquanto DJ), começou por se integrar na noite portuense desde que abriu o mítico Aniki Bobó, um bar na Ribeira quando esta era ainda frequentada sem medos e onde era possível encontrarmos toda uma variedade de pessoas. O Aniki, como o Passos de hoje, era frequentado por artistas, designers, alunos e professores de Belas Artes e figuras conhecidas da cultura portuense e já nessa altura o Becas se mostrava receptivo à apresentação dos trabalhos de novos artistas, motivando-os através da abertura deste espaço à exposição de projectos.

Os clientes assíduos não esquecem a gata preta que lá deambulava, do sofá de baloiço pendurado no tecto à entrada e do pátio exterior onde eram recebidos trabalhos de artistas no projecto “12 espaços, 1 pátio”.

Há quem diga que o Passos Manuel é uma extensão deste espaço que trazia à Ribeira todo um público ligado às artes e à cultura. Ao falarmos, tanto do Aniki como do Passos, somos obrigados a falar do Becas e de todo um conceito por ele desenvolvido, da sua motivação e da sua aposta em projectos artísticos emergentes que conseguem, até hoje, mobilizar um grupo de pessoas que se tornaram fiéis ao Aniki e são agora fiés ao Passos Manuel, mas sempre conseguindo cativar novos públicos.

Desde a sua reabertura no dia 8 de Outubro de 2004, pelas mãos do “Becas”, o Passos Manuel tem feito parte integrante da noite do Porto seguindo a oscilação de vontades que faz já parte do público noctívago do Porto. Se um dia é possível ver o Passos como um bar onde se vêem apenas meia dúzia de pessoas a conversar e a tomar café, é também possível assistir ao Passos transformado num Club onde uma multidão se apossa do espaço e faz suar as paredes de tanta diversão que consegue ter. Já faz parte do Passos e já faz parte da noite do Porto. No entanto, mesmo com estas variações, o Passos (e o Becas) resiste e será sempre um canto de conforto para todos os fiéis clientes e curiosos.

A sua melhor comparação será a de um café de bairro requintado onde quem lá vai sabe quem vai encontrar e é esse conforto que torna o Passos um sítio sem o qual o Porto já não consegue viver. É ponto de encontro de arquitectos, designers de moda, artistas, entre outros, sem todo o peso que isso pareça ter.

Com uma programação que será talvez a mais ousada das casas nocturnas do Porto, o Passos Manuel conseguiu já receber entre as suas quatro paredes nomes tão importantes como Antony and The Johnsons e as Cocorosie, em início de ascensão, Popnoname, Matias Aguayo, Drop The Lime, DJ Kôze, Electronicat, Michael Mayer e, mais recentemente, os Spectrum e bandas indie reputadas como: Damn and Naomi, High Places, Beach House, God Is An Astronaut, A Silver Mt Zion, This Will Destroy You ou projectos nacionais como os Dead Combo, Sizo, X-Wife, Vicious Five e Legendary Tigerman.

É, desde sempre, a apostar em novos nomes, nacionais ou internacionais que o Becas nos presenteia com concertos absolutamente deliciosos, como se estivéssemos no sofá da sala com o privilégio de ter um dos nossos artistas preferidos a tocar só para nós.

O Passos Manuel conta com DJs “da casa” que já o são desde há muito. São frequentes as noites com dj’s da Concorrência, Twin Turbo, Hang The Dj com Nelson Gomes, Rodrigo Afreixo, Luís Machado, Line of Two, os 7 Magníficos ou mais recentemente Os Yeah!, e de Lisboa: Nuno Lopes, Rai (Incógnito), Mr. Cookie e Mr. Mitsuhirato e, claro… o Sr. Guimarães, só para nomear alguns.

Apesar de todas as flutuações de afluência, conseguimos, neste momento, assistir a “casas cheias” infalíveis no Passos Manuel quando a cada segunda sexta-feira do mês podemos “ginasticar” e dançar até não poder mais nas festas “Passos de Aeróbica”, existentes desde Setembro de 2008 e que continuam a trazer ao Passos um público que não estava habituado a frequentar este espaço. Outra das iniciativas que tem feito brilhar o Passos, e acreditem que o Passos brilha quando está cheio, são as noites de Alta Baixa que numa iniciativa conjunta com os Maus Hábitos e o Pitch trazem até à Rua Passos Manuel o público mais habituado a vaguear do outro lado da Avenida dos Aliados, e que com apenas 5€ e uma pulseira no pulso permite fazer o tour destas 3 casas e assistir a concertos e DJ sets nos mais variados estilos.

Se o Passos começou com o nome de cinema de Passos Manuel, essa sua função foi relegada para segundo plano, uma vez que as salas vazias não eram, obviamente, vistas com satisfação pelo Becas. Mas esperamos ansiosos pelo retorno do Passos como um cinema. Mesmo que todas as casas de cinema do Baixa do Porto se tenham extinguido, continuamos na esperança de um regresso desta casa como um cinema.

O Passos faz, e vai continuar a fazer, parte do imaginário da noite do Porto e se as coisas parecem complicadas no Verão porque o ar livre chama, sabemos que este espaço vive no coração de quem o frequenta e todos sabemos não conseguir encontrar um lugar com tantas memórias (e em tão pouco tempo) e com tanto carisma como o Passos Manuel. Se pensarmos bem, Becas conseguiu fazer um espaço à sua imagem: ambos estão sempre na nossa memória  de uma forma única e muito especial, mesmo que não lhes façamos uma visita.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This