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Patrick Watson @ LAV (14.04.2024)

Trouxe a caixinha de música cheia de beleza e maravilha.

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Texto por Joana Santos e fotografia por Graziela Costa.

Terceira noite de espetáculo, que marcou o regresso de Patrick Watson a Portugal. Depois de uma passagem pelo Porto seguiram-se duas noites em Lisboa, assistimos à última noite, ameno domingo no LAV.

Pouco depois das 21h, na penumbra, vislumbramos as primeiras formas a ocuparem o espaço do palco. Sempre com uma iluminação mínima, precisa a criar o ambiente perfeito para nos deixarmos envolver nas melodias sedosas que Watson constrói com a sua banda.

Percorremos, embalados, «Lost with you» e «Dream of dreaming» que se vai diluindo até terminar no refrão de Creep, (sim, esse, dos Radiohead), só o reconhecemos já bem dentro dele. É a segunda referência da noite aos Radiohead, já que Hohnen Ford, que nos entreteve com as suas canções na primeira parte, já fizera uma versão de «No Surprises».

Nesta altura já a sala do LAV está bastante composta, longe de estar cheia, mas quem está, sabe bem ao que veio e deixa-se embalar e envolver. Patrick Watson vai falando com o público, agradece o carinho que sempre recebeu aqui, aproveita para contar a história de Vivian Maier, a fotógrafa das pessoas comuns e da arquitetura das ruas de Chicago e Nova York, cujas fotografias só foram descobertas, por mero acaso, já depois da sua morte, a quem dedicou a maravilhosa «Ode to Vivian».

Há canções que se infiltram, quase impercetivelmente no nosso imaginário, que quase parece que sempre existiram, tornam-se tão imediatamente reconhecíveis que quase sentimos um sobressalto quando as ouvimos assim, a acontecer ali mesmo, isso acontece com «To Build a Home», aos primeiros sons ouve-se alguém ao lado “olha, é esta que tu gostas”.

Continuamos a viagem por «Melody Noir», «Love Songs for Robots», «Places you Will Go» e «Man Like You», pelo meio Patrick Watson pergunta se está a correr bem, confessa que está com febre desde o dia anterior, tomou uns medicamentos ótimos, e queria certificar-se de que estava mesmo a correr bem, não fossem os medicamentos estarem a alterar as suas sensações, o público assegura-o de que está tudo bem!

Chegamos a «Mermaid in Lisbon» e chega, também Gisela João para nos oferecer a sereia, e no canto destas sereias, podemos confiar, levam-nos a sítios muito bonitos. Por entre canções vamos ficando a conhecer os outros elementos da banda.

«Big bird in a small cage» é mais um exemplo da capacidade de Patrick Watson construir canções que se tornam ubíquas, diluídas no tempo e sempre familiares. Ensaiam-se sons de pássaros com o público, que povoam o ar, levando-nos até «Here comes The River».

É tempo das primeiras despedidas, curtas, porque ainda haveria tempo para um encore com «Slip into Your Skin» acompanhado por Hohnen Ford, «Little moments» e «Lighthouse», já completamente às escuras. Despedimo-nos, brilhantemente, de um velho conhecido nosso, que trouxe a caixinha de música cheia de beleza e maravilha.



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