Paul Simon | “Graceland (25th Aniversary)”

Paul Simon | “Graceland (25th Anniversary)”

Demos graças ao Sr. Simon

No ano de 1986 a controvérsia no meio musical estalava à escala planetária. Furando o boicote cultural levantado pelas Nações Unidas devido ao apartheid, Paul Simon viajava até à África do Sul para gravar cinco temas na cidade de Joanesburgo, colaborando com os Ladysmith Black Mambazo e outros músicos locais.

Choveram críticas e aplausos em doses quase similares, a que Paul Simon respondeu dizendo que a arte deveria ter a capacidade – e a obrigação – de transcender a política, não ficando perante esta numa posição subserviente.

A sorte, essa, foi toda nossa. Pouco tempo depois era editado “Graceland”, disco de fusão entre a música do mundo e o espírito urbano, fazendo desta rodela sonora uma das maiores de toda a história da música pop.

“Graceland” chega agora às lojas através de uma edição comemorativa dos 25 anos – nos formatos CD, DVD ou Boxset – mostrando que, depois da poeira da controvérsia se dissipar, apenas uma coisa ficou de pé: um disco enorme.

Pouco tempo antes das gravações Paul Simon tinha sofrido um grande percalço. “Hearts and Bones”, o longa-duração editado em 1983, havia-se revelado um grande flop, o que, visto pelo ângulo positivo, permitiu que a pressão do disco seguinte fosse desde logo descartada. Ironicamente, “Graceland” vendeu mais de dez milhões de cópias e levou para casa um par de Grammys debaixo do braço, incluindo o de melhor disco.

Na altura muita gente decidiu falar de inautenticidade. Que tudo não passava de um capricho de um menino branco, rico e mimado, que se tinha divertido a fazer um disco de “música do mundo” para turista ver. Hoje, a duas décadas e meia de distância, percebemos que Paul Simon esteve à frente de toda a gente, como se tivesse entrado num DeLorean privado para descobrir como era possível construir uma ponte musical por cima de montanhas e oceanos para oferecer o melhor de dois mundos.

Em cada uma das canções podemos observar o trabalho de artesão de Paul Simon, seja ao nível da escrita, ou da secção rítmica. É um daqueles discos que confunde géneros musicais, destinados a passar de mão em mão entre gerações.

Além do alinhamento original, o CD oferece outros motivos de interesse: uma versão inédita de «Diamonds on the Soles of Her Shoes» – onde Paul Simon canta tendo apenas como rede o baixo de Baghiti Khumalo -, uma demo para «Homeless» e uma versão madrugadora para «All Around The World Or The Myth of Fingerprints». Há também uma conversa com Paul Simon onde este explica como nasceu e se desenvolveu criativamente o tema que dá nome ao disco.

Quem se quiser chegar à frente e comprar a boxset terá mais coisas com que se entreter: “Under African Skies”, documentário sobre a invenção de “Graceland”, e um concerto gravado em 1987, no Zimbabwe – integrado na “Graceland Tour” -, onde a Paul Simon se juntaram os músicos Miriam Makeba e Hugh Masekela.

Vinte e cinco anos depois, “Graceland” continua a soar a obra-prima. Só por isto Paul Simon terá ganho um lugar no céu. Ou na bela “Graceland”, terra de grandes sonhos.



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