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Pebble

O primeiro smartwatch compatível com o iPhone angariou 10 milhões de dólares em crowdfunding. Conversámos com os seus criadores

Em apenas 28 horas conseguiram angariar um milhão de dólares. Tinham pedido 100.000 dólares. No final da campanha conseguiram 10,2 milhões. O Pebble é um smartwatch com visor E-Paper (a mesma tecnologia utilizada no Amazon Kindle) que comunica com um smartphone Android ou com o iPhone. O projecto foi colocado no Kickstarter, um site de crowdfunding, após não terem conseguido financiamento privado, tendo-se tornado no maior sucesso de sempre do site. Gerou-se um grande hype em torno do relógio e com 10 milhões de dólares a responsabilidade de apresentar um excelente produto final é enorme.

Kickstarter

Crowdfunding é uma das maiores tendências actuais e um sistema muito utilizado para projectos tecnológicos. A ideia é simples: o “criador” apresenta um produto e define um objectivo monetário dentro de um período temporal. Quem estiver interessado em apoiar o projecto poderá simplesmente doar dinheiro ou, mediante um conjunto de opções fornecidas pelo criador, adquirir o produto (e extras caso o valor pago seja superior).

A plataforma Kickstarter é, provavelmente, a mais divulgada, sendo utilizada maioritariamente por projectos tecnológicos.

O Pebble

A ideia não é nova: ter um relógio “inteligente” com conectividade ao smartphone. Já existem vários modelos no mercado. A italiana I’m Watch e a Sony são dois exemplos. Embora sejam relógios esteticamente atraentes, ambos são caros, parecem ser um pouco “complexos” e apenas funcionam com dispositivos Android. O Pebble, para além de ser mais barato (150 dólares), tem um design “limpo” e é o primeiro relógio que funciona com um iPhone.

 

Tivemos oportunidade de trocar algumas impressões com Rahul Bhagat, membro da equipa que criou o Pebble.

Falem-nos sobre a história da vossa empresa e o interesse em smartwatches

A Pebble Technology Corp era originalmente designada Allerta Inc. (com sede em Waterloo, no Canadá). Em 2010 lançámos o smartwatch inPulse para Blackberry. A premissa, então, que ainda é verdade agora, era a integração mais harmoniosa entre as pessoas e sua informação.

As pessoas são inundadas com informação. O smartphone é um grande exemplo – as pessoas utilizam esses dispositivos que estão conectados à internet, recebem e-mails, SMS e muito mais. No entanto, o design de um smartphone nem sempre facilita o seu uso. É necessário “pegar” no telefone cada vez que se tem que verificar alguma coisa.

O conceito do inPulse, e agora do Pebble, é que um conjunto de informações sobre o smartphone pode ser exibido num dispositivo fácil de usar – e um relógio é o objecto perfeito, porque as pessoas estão acostumadas a usá-lo diariamente.

Então, começámos com o inPulse em 2010 e pegámos nessa experiência e desenvolvemos a ideia para o Pebble em meados de 2011. No início de 2012 apresentámos o conceito Pebble a investidores privados que não se mostraram interessados. No dia 11 de Abril lançámos o projecto no Kickstarter.

Já foram colocados no mercado outros smartwatches mas nenhum deles teve o impacto do Pebble. Na tua opinião quais as principais características diferenciadoras?

Nós aprendemos muitas lições com a nossa primeira tentativa – inPulse. Algumas das características principais que parecem estar a captar a atenção das pessoas é a bateria de longa duração, o baixo custo e a facilidade de leitura ao ar livre.

 

Achas que o sucesso está também relacionado com a compatibilidade com o iPhone?

Sem dúvida que sim.

Existem algumas funcionalidades que apenas funcionam com dispositivos Android. Quais são as limitações para utilizadores iOS?

Diria que a maior é não suportar SMS para o iPhone.

Qual foi a vossa reacção quando, depois de 24 horas, angariaram quase um milhão de dólares?

Demorou cerca de 28 horas para angariar um milhão e ficámos atordoados e stressados. Nós sabíamos que tínhamos “algo grande” após o primeiro par de horas, mas lembro-me que a equipa continuou a rever a programação de produção e pedidos a fornecedores a cada dois dias. O fornecimento começa a tornar-se um problema com quantidades como esta – é este o aspecto mais stressante. Mas estamos a trabalhar duro para cumprir os prazos de entregas.

Arrancaram a campanha tendo como meta 100.000 dólares e conseguiram angariar mais de 10 milhões. Como é que este sucesso alterou o vosso plano de negócios?

Estamos em 10,2 milhões dólares agora e a cortar pré-encomendas. Tivemos que rever algumas coisas, mas no geral, com 10 milhões de dólares somos capazes de construir um produto que pode ajudar a lançar-nos como uma empresa.

Acham que são uma inspiração para outros empreendedores?

Eu diria que a ideia de crowdfunding como um novo meio de “arrancar” uma empresa é inspiradora. É uma nova forma para angariar o capital necessário para uma startup arrancar. Por exemplo, pode ser utilizado na aquisição de hardware.

Se não existisse uma plataforma como a Kickstarter existia o Pebble?

Se não existisse uma plataforma de crowdfunding penso que não tínhamos qualquer possibilidade de arrancar com este projecto. Pelo menos não com esta escala.

Estão a planear distribuir o Pebble nas maiores cadeias de distribuição, como por exemplo a Amazon?

Ainda não decidimos qual vai ser a nossa estratégia.



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