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Pedro e Inês

Homens que amam ficam como os animais.

Pedro teve três mulheres: a mal amada, a que amou sobretudo depois da morte e aquela a quem deu filhos com um futuro auspicioso. E até teve um homem mas… “nestas histórias nunca se sabe bem a verdade”. Pedro é Dom Pedro de Inês, o mesmo dessa história de amor da História onde já parece estar tudo dito. Mas num amor tamanho, o encenador José Carretas e um grupo de actores da Panmixia reforçam o amor pueril de Pedro e Inês que brincam, que usam e abusam do “para sempre”, que se debruçam sobre a gaguez do Infante com a graça de quem tem sentido de humor próprio. Mais: planeiam as coisas como os demais enamorados contemporâneos.

No pedestal de bancadas movidas por anjos da morte, carrascos ou fantasmas – “nestas histórias nunca se sabe bem a verdade”  – Pedro agiganta-se (e agiganta-se o actor André Brito) na loucura que vai para lá da vingança do assassínio de Inês de Castro. Os vários pedros que este Pedro tem gritam desde as entranhas, vomitam e cospem… e isso vê-se, literalmente. Pedro é ruivo, Pedro é gago, mas tais pormenores às vezes esquecidos de uma história mítica poderiam ganhar importância desmedida. Graças aos pequenos intervalos pontuados por sotaques, papas e quejandos castigados com valentes palmadas no rabo, gaguez, cabelo ruivo ou outros pormenores são apenas isso, pormenores, têm o tamanho certo para encaixar na história contada dentro do tempo certo.

Nem mais, nem menos. Se houvesse um cognome para o Pedro desta peça seria “o Louco”, o que manda para a forca por tudo e por nada, o que não é exemplo de justiça ou justeza mesmo após a dor da perda. Inês de Castro (Isabel Francisco) está presente a todo o momento. Ela acalma, ela descreve quem a mata, ela compreende Pedro como ninguém.

Se não se pode acrescentar muito à história de amor, pode-se repensá-la cenicamente da forma simples como a interpreta José Carretas e a Panmixia: o amor será sempre amor com suas inocentes promessas e tudo o resto será consequência da sua força. Aqui, na antiga Central Eléctrica do Freixo, Reinado da Panmixia, só tem valor o que venha do âmago…

“Pedro e Inês”, encenada por José Carretas esteve em cena na antiga Central Eléctrica do Freixo, no Porto, até 22 de Maio.



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