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Pedro Esteves

O único lado é o lado B

Com um café por companhia encontrámos Pedro Esteves, no bar de um centro cultural onde se preparava para assistir a uma peça de teatro. Nem só de música vive o autor do lado B, Pedro Esteves, que completa agora 25 anos de lides radiofónicas.

“Sim, posso dizer que o lado B 305 demorou vinte e cinco anos a preparar. É o meu tempo de carreira na rádio”, foi a resposta de Pedro perante a nossa pergunta curiosa “como é que se prepara um lado B?”. Mas que lado B é este?

O lado B nasceu em 2004 e tinha como propósito divulgar os lados B dos artistas que todos nós conhecemos; aquelas músicas menos conhecidas do mundo pop. Hoje o lado B tem uma morada virtual e uma expressão musical com características indie pop/rock e electrónica.

“Um programa demora cinco, seis horas a preparar. É tudo muito pensado, é como se estivesse a pintar um quadro. Selecciono, alinho, escrevo o texto de suporte, gravo a voz, edito… escolho a fotografia que acompanha o programa.” E a selecção das músicas depende daquilo que o Pedro está a ouvir no momento, naquela “novidade nova” sobre a qual leu num determinado blog – os critérios de escolha são diversos.

E não te falta o cheiro do estúdio? “Ah sim, faz-me falta. O directo em rádio é assim qualquer coisa!… mas, não podendo estar em estúdio, não deixo de partilhar coisas com as pessoas. O lado B é fruto da minha sede em partilhar.”

Lado B é um programa de autor que existe desde 2004. Passou por várias rádios e foi, durante algum tempo, o único programa português a constar da Euradionantes. Outro dos marcos da vida do lado B é o facto de ter sido banido da loja iTunes, em 2007 “sem nunca me terem dado um motivo.”

E se este facto da vida serve para registar algo negativo, aquilo que de mais positivo marca a vida do Pedro, enquanto autor do lado B, é ter alguém a dizer-lhe “tu mudaste a minha maneira de ouvir música”. “Isso é brutal, sabes?” – diz-nos Pedro, sorrindo. “E também me orgulho de ter sido dos primeiros a partilhar bandas que hoje são referências e estão nos festivais.”

“Onde está o silêncio, na minha vida? Essa é uma boa pergunta.” – e neste momento Pedro “viajou” até ao Alentejo, deixando-nos a sós, na mesa do café, com duas chávenas vazias por companhia. Quando regressou, disse: “O silêncio está nas minhas árvores, no Alentejo”. E fez-se silêncio, pois o teatro estava quase a começar.

No dia 31 de Maio podem encontrar o Pedro Esteves a dar música no Left (em Santos, Lisboa). Até lá, podem encontrá-lo por aqui e por ali, nomeadamente no projecto Phase 108.1 e também nas suas “nuvens de som”, onde partilha connosco algumas leituras.



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