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Pedro Gomes

Conheçam o percurso de Pedro Gomes, designer português responsável pela Architect Stylus.

Desde que tenho um iPad sempre tive a vontade/impulso de comprar uma stylus. Sempre me contive porque, para além de pensar que 95% das aplicações que uso funcionam melhor com o toque dos dedos, nenhum dos modelos que encontrei à venda, em Portugal e online, me convenceu o suficiente para gastar algumas dezenas de euros.

Quando tive oportunidade de experimentar a “Architect Stylus” desenhada por Pedro Gomes, a minha percepção de utilização de uma stylus alterou-se por completo. Para além de ser um acessório indispensável para quem gosta de fazer uns rabiscos e tirar notas, com a stylus toda a navegação no iPad torna-se mais precisa, fluente e sem dedadas no ecrã.

A “Architect Stylus” apresenta um design minimal e elegante, perfeita para um uso causal ou empresarial. Super leve e com a “ponta” em silicone, esta stylus não causa quaisquer danos ao ecrã dos dispositivos. Poderá ser utilizada em tablets e smartphones.

Quisemos saber mais sobre o designer da “Architect Stylus”.

Quem é o Pedro Gomes?

Vejo-me como um cidadão do Mundo, de momento a morar em Aveiro. Um apaixonado por Design, de 27 anos.

De coração empreendedor e sempre à procura do próximo desafio, encontro a minha paixão em todas as formas de criatividade e no prazer único de viajar! Viajar, viajar e viajar!

Durante o meu percurso tenho vindo a conhecer muitas pessoas, todas diferentes e de nacionalidades diversas. Esta é uma dinâmica que me fascina. A de compreender culturas e como diferentes pessoas vêem o Mundo que nos rodeia. Associado a este quase vício, vem o gosto pela cozinha e o amor pelo Sushi! Mais duas coisas imprescindíveis na minha vida!!!

Sou um fanático por web browsing! Gasto pelo menos algumas horas por dias a ler artigos, sites, portfolios…

Sou mais dado ao conteúdo digital mas o papel tem vindo a (re)fascinar-me.

Last but not least: O meu amigo inseparável é o meu Moleskine! Always with me, Forever and ever.

Fala-nos um pouco do teu trajecto. Tens formação académica? Onde começaste a trabalhar?

Vejo, agora, o meu percurso talvez como uma receita de culinária, composto de vários ingredientes e etapas onde tenho vindo a absorver e construir uma série de experiências que têm definido um percurso variado e nutritivo.

Iniciei a minha formação na área de Arquitectura mas cedo me apercebi que a sua escala e abordagem não eram para mim. A escala da mão, a relação com o objecto, o lado estratégico do design e a capacidade comunicativa do processo projectual, estes sim, eram elementos que me fascinavam!

Sendo assim, após dois anos no curso de Arquitectura decidi mudar para o curso de Design na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa.

Aqui sim, sentia-me no Universo que mexia comigo, que me fazia querer fazer mais e melhor… batalhar pela inovação e explorar a dinâmica do design. Confesso-me um apaixonado pelo design, e já na faculdade um pouco workaholic…

O meu percurso profissional iniciou-se ainda na Faculdade. Assim que comecei o curso de design, arranquei de imediato a trabalhar como freelancer. Durante três anos trabalhei para variados ateliers, associações e clientes privados.

Penso, seriamente, que partilhar o ensino com a prática profissional é um factor essencial para qualquer estudante.

No fim do meu Bacharelato decidi não continuar para mestrado. Sentia que para fazer um mestrado precisava de sentir o que a indústria necessitava, precisava de trabalhar…

Fã do trabalho de agência internacional e cheio de vontade de conhecer o que se fazia lá fora, comecei a enviar portfolios. Após algumas semanas, fui contratado e lancei rumo a Munique, onde estive nove meses a trabalhar para a agência Designaffairs, antigo gabinete de design da Siemens.

Após o final do meu contrato estive alguns meses a trabalhar como freelancer em Munique e voltei a Portugal para uma pit-stop. Comecei à procura da próxima experiência e fui contratado pela agência One&Co em São Francisco, no gabinete de design da HTC.

Como surgiu este projecto?

Durante todo o meu percurso profissional fui aceitando alguns projectos freelance. Este surgiu, enquanto ainda em Portugal. Fui contactado pela empresa Arctic, a qual, após ver o meu portfolio online, expressou a vontade de colaborar no desenvolvimento de uma nova stylus para uma marca emergente.

Gostei imenso do desafio e aceitei. Desde então a nossa relação profissional tem sido crescente e já estamos a trabalhar no próximo produto.

Fala-nos sobre a Architect Stylus. De que forma achas que é diferente de outras stylus existentes no mercado?

A Architect Stylus é um produto único. O seu design é verdadeiramente exclusivo e todos os elementos foram pensados para oferecer a melhor experiência ao utilizador.

Ao analisar o mercado, perguntei-me porque quase todas as stylus se parecem com canetas normais? Nesta convergência disfuncional encontrei uma oportunidade. O objectivo era criar um design único que definisse, por si só, uma nova tipologia de design, uma nova linguagem.

Para além duma linguagem única, todas as proporções entre peso, comprimento, diâmetro, foram meticulosamente estudadas para proporcionar um toque natural e intuitivo sem nunca cansar o utilizador. O loop preto icónico, elemento central do design, não só marca graficamente o objecto como proporciona um simples mecanismo para melhor transportar a stylus.

A Architect Stylus é um produto lifestyle, quase um acessório de moda… O perfeito companheiro do seu iPad com delicados pormenores construtivos e um toque suave.

Onde se pode adiquirir?

A Architect stylus pode ser adquirida no site da empresa pelo preço de 22.95 dólares.

Este projecto teve uma dinâmica internacional, podes explicar-nos como?

A dinâmica internacional deve-se a muitos factores. O projecto iniciou-se em Portugal, foi continuado em São Francisco e finalizou o seu percurso comigo de volta a Portugal.

Foi um processo muito interessante onde a nível do desenvolvimento do produto trabalhei com equipas em Hong Kong e Singapura e na fase de comunicação estratégica trabalhei com equipas em Madeira, Portugal Continente e Inglaterra. No desenvolvimento dos seguintes vídeos:

 

Sempre usando o skype e email como ferramenta de trabalho, este foi um processo muito interessante e dinâmico!

Fala-se muito do génio de Steve Jobs como product designer. Achas que foi um dos melhores de sempre? Tens algumas referências que te inspirem?

O Steve Jobs é um fenómeno do nosso século. Sem dúvida uma fonte de inspiração e um ídolo de uma geração. Penso que melhores de sempre não existem, existem sim pessoas inspiradas e inspiradoras que marcam gerações. Sem dúvida um ícone!

Quanto a referências, penso que como designer não consigo nem devia conseguir definir uma ou algumas fontes de inspiração. Como designer inspiro-me constantemente pelo mundo que nos envolve e pela variedade criativa que me rodeia. Seja uma música, um texto, um produto, uma imagem, uma parede, um contraste, uma palavra (…) o que interessa é o conteúdo, e o que esse conteúdo desperta em ti!

Mais na área do design, fascino-me pelo trabalho de agências como a Ideo, Ammunition, Fuse Project, One&Co (…) pela abrangência do espectro em que trabalham. Isso sim, é sem dúvida o verdadeiro valor do design.

Criaste o teu próprio atelier. Em que projectos estás a trabalhar?

Após a minha experiência nos E.U.A. decidi voltar a Portugal criar o meu atelier. Neste momento estou a trabalhar maioritariamente para clientes internacionais na Suíça, Luanda, Singapura, Hong Kong, E.U.A. e, se tudo correr bem, China, Londres e México.

Os projectos variam entre produtos electrónicos, mobiliário, Design Estratégico, Branding e uma área na qual me pretendo focar – Envision Design.

Considero este um dos meus core skills, que pretendo tornar um dos core business do atelier. Nesta dinâmica, tenho vindo a colaborar com empresas no desenvolvimento de conceitos visionários. Aqui colaboro com os clientes no sentido de analisar e identificar áreas de negócio emergentes que terão valor incondicional no futuro e assim desenvolver produtos e serviços que têm em mente um futuro de curto / médio-prazo.

Espero vir a conseguir motivar mais empresas a colaborar com o atelier e assim dar a perceber a estas que este é um dos passos essenciais para criar competitividade comercial.

Dada a situação económica actual, estás receoso que a crise te obrigue a emigrar de novo?

Boa pergunta, que tenho muito gosto em responder. De facto, a crise foi uma das razões que me fez voltar e iniciar o meu atelier. Vejo a crise como uma oportunidade. Os mercados estão agitados e as empresas enfrentam uma nova fase. Esta é sem dúvida a altura essencial para criar mudança. Claro que há muitos factores adversos e inibidores, mas quem seremos nós se não lutarmos.

O Design é uma ferramenta estratégica que permite criar e acompanhar a reestruturação de modelos de negócio, portfolios empresariais ou um simples produto. Esta é altura certa para dar a entender a clientes ou indústrias nacionais o valor do design e como este pode criar novas oportunidades de negócio ou simplesmente optimizar estruturas existentes. Infelizmente ainda existem muitas pessoas que vêem o design enquanto “fazer as coisas bonitas”, mas o que essas mesmas pessoas não vêem é o verdadeiro potencial do design enquanto ferramenta de trabalho estratégica que permite a criação de valor económico. O design, aliado a estratégias inteligentes e dirigidas a cada caso especifico, é, sem dúvida, um dos caminhos para superar a crise. Sendo assim, a meu ver, esta veio criar uma oportunidade única para o crescimento do design enquanto elemento estratégico de colaboração entre designers e empresas para o desenvolvimento e crescimento económico!

Mail Pedro: info@pedrogomesdesign.com  // Atelier: http://www.pedrogomesdesign.com



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