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Pedro Resende

O jovem realizador fala-nos da sua curta "Maybe" e da sua aventura em terras do tio Sam.

Encontramo-nos à entrada do metro no Chiado. Já o havia conhecido no NY Portuguese Short Film Festival, evento organizado pelo Art Institute. De mochila às costas, óculos, havaianas e um olhar de quem pensa muito, dizemos “olá” e conversamos enquanto caminhamos até ao Chá do Carmo, onde já instalada assisto no seu Mac à sua primeira curta, “Maybe”, vencedora do Prémio ZON 2010 na categoria de Criatividade em Multimédia.

“Fez-me bem porque acho que nós somos as histórias que contamos”

“A curta foi baseada numa história que aconteceu comigo enquanto estava a fazer Erasmus na Eslovénia, em que passei por uma situação idêntica à da personagem principal. Não é a mesma história, existe uma mistura de fantasia com a realidade, mas grande parte foi como está feito e isso é que é importante porque é uma história que vou poder mostrar aos meus filhos e aos meus netos e dizer – Isto aconteceu – e mostrar que não é impossível de acontecer. Foi uma forma de exorcizar esta história de amor e fez-me bem porque acho que nós somos as histórias que contamos. A mensagem que quis deixar foi um incitamento à tentativa, tentem que talvez possam conseguir”, fala Pedro Resende sobre a curta “Maybe”.

“Para a escolha dos actores foi feito um casting. Quando ele abriu recebi um email com cem candidaturas, e dessas escolhi dez rapazes e dez raparigas, isto foi tudo muito interessante porque foi feito ao fim-de-semana pois na altura eu estava a trabalhar; no primeiro dia foram as raparigas e no segundo dia foram os rapazes. Das raparigas escolhi três mas achei que a Rachel Myhill era a melhor actriz que entrou naquela sala. Os rapazes, não consegui encontrar o rapaz naquele casting, andamos à procura, eu andava no autocarro, no supermercado e abordava pessoas. – Olha eu sou realizador estou a procura de…. – Fiz vários castings mas é difícil moldar as pessoas para aquilo que tu queres porque também têm de ter um certo nível de dedicação. O meu produtor adjunto sugeriu o Luke Runkel, vi um filme com ele e gostei imenso, fez o casting e escolhi-o”, explica o realizador sobre o processo de escolha dos actores.

“Quando uma pessoa quer trabalhar e o faz com dedicação e esse é o espírito de todos envolvidos no projecto, estamos todos a trabalhar uns para os outros. Eu paguei à minha equipa toda porque achei que a equipa seria mais coesa, nenhum membro sabia que seria pago, mas no fim eu achei por bem pagar-lhes para que tivessem uma motivação extra para voltarem com mais força e empenho e saberem que me importo e dar liberdade para que eles possam fazer mais. Aqui em Portugal há muito aquela filosofia – Eu é que sei e vocês é que estão a trabalhar para mim. Eu se contrato alguém, é porque confio no seu trabalho, quando tu confias nas pessoas elas dão-te ainda mais daquilo que estavas à espera”, diz sobre a sua perspectiva de trabalho em equipa.

“O meu maior prémio é quando as pessoas vêem o filme e gostam”

“Os jovens no nosso país têm muito receio em arriscar e investem o dinheiro em coisas supérfluas. Eu sou criticado por não ter um trabalho quando o meu trabalho é criar, quanto mais tempo me dedicar agora à criação mais tempo vou ter no futuro para fazer mais coisas. Ganhei um prémio mas os prémios são relativos, o meu maior prémio é quando as pessoas vêem o filme e gostam. Quero continuar a fazer filmes e quero produzir os filmes dos jovens da minha idade que têm um cinema novo para exportar. Acho que as pessoas que se estão a desenvolver em termos de cinema deveriam apostar noutras pessoas porque quanto maior for a classe cinematográfica em Portugal mais poderemos criar conjuntamente. Eu agora estou a desenvolver algumas curtas-metragens, vai ser a primeira experiência cá a trabalhar com uma equipa totalmente portuguesa, vai ser mais na zona de Lisboa”, fala sobre as vicissitudes de ser realizador e dos seus projectos futuros.

“Estava a andar pela rua em Austin quando vi o realizador Robert Rodriguez”

“A primeira vez que eu disse à minha mãe – eu quero ir para a América fazer filmes -, ela disse – Tu tás maluco! – não poderia ter feito o que fiz se não tivesse ido lá para fora. Outra coisa, se fores lá para o estrangeiro e ganhares um prémio é completamente diferente do que se ganhar um prémio aqui. É aquele provincianismo, a ideia de o que vem de fora é que é bom, quando temos tudo aqui, posso dizer que conheço pessoas muito boas naquilo que fazem que só trabalham para fora porque sabem que o mercado lá fora lhes pode pagar muito mais.

Fui para os EUA estudar porque lá existe uma indústria de cinema. E mesmo sendo indústria em massa, o conhecimento está todo lá. A posterior utilização desse conhecimento é que é importante. Em Portugal ainda se ensina muito a teoria e esquece-se da prática, sendo este um dos lados importantes a melhorar.

Eu estava a andar pela rua em Austin quando vi o realizador Robert Rodriguez e a sua equipa. Eles estavam a gravar o “Machete”. A partir daí fiquei a ver o que estavam a fazer. Depois acabei por falar com a equipa dele e quando perceberam que eu estudava cinema na UT, Universidade do Texas, deixaram-me estar junto deles a assistir”, comenta Pedro Resende sobre a sua experiência nos E.U.A..

A curta “Maybe” estreou no NY Portuguese Short Film Festival em Nova Iorque, foi nomeada no Festival Internacional de Cinema de Huesca na categoria de curta-metragem Ibero-Americana e no Holly Shorts Film Festival, em Los Angeles, e tem estreia nacional marcada ainda este mês no Curtas Vila do Conde – International Film Festival.



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