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Peggy Sue, First Aid Kit, Los Campesinos!

Apolo, Barcelona, 26 de Maio de 2010.

Primavera Sound 2010 – Wichita Records 10th Aniversary

Caídos do céu. Acho que é a expressão perfeita para a forma como acabei vendo estas três bandas. Passo a explicar. A ideia era bastante simples: ir até ao Apolo em Barcelona, logo no início da Avenida Para-lel, numa transversal, levantar a pulseira para o festival que teria início no dia seguinte. Uma forma de poupar tempo e evitar filas, entenda-se.

A boa notícia surgiu quando me apercebi que os portadores de bilhetes para o festival podiam ter acesso aos concertos que iriam ter lugar ali. Não foi nada complicado decidir o que fazer: bebeu-se uma caña e entrou-se no Apolo. E assim, o Primavera Sound 2010 acabou tendo início um dia mais cedo que o previsto para mim.

A sala onde decorreram os concertos situa-se no primeiro piso do edifício, que parece já ter alguns anos em cima, no entanto não se enganem! É uma sala com óptimas condições, quer ambientais, quer sonoras. Quando se entrou na sala deviam cerca das 20h45. Os Peggy Sue tinham dado iniciado o concerto há cerca de 15 minutos e a sala ainda se estava a compor, fruto da longa (muito longa mesmo!) fila que lá fora ainda esperava a sua vez para trocar o seu bilhete pela pulseira para aceder à sala.

Os Peggy Sue são originários de Brighton, Inglaterra, e o seu som passeia-se entre o folk e os blues. Já os conhecia mas ao vivo tornam-me bem mais interessantes, com Rosa Rex e Katy Klaw a alternarem entre si a responsabilidade das vocalizações, incutindo uma maior imprevisibilidade entre temas. O trio é completado por Olly Joyce, na bateria. A actuação, embora curta (teve cerca de 40 minutos de duração), foi extremamente dinâmica e com especial ênfase na música, sem que, no entanto, a conversa (bem humorada) com o público fosse esquecida. Uma banda a descobrir no formato álbum com mais atenção.

Seguiram-se as First Aid Kit. As manas Söderberg são suecas e irradiam simpatia. O seu som equilibra de forma perfeita o folk com aquele toque escandinavo, que torna a música desta região europeia tão agradável. Também foi uma actuação curta mas em que o bom humor não faltou. As manas Söderberg tiveram dois grandes momentos durante o óptimo concerto com que presentearam o público no Apolo, em Barcelona. Primeiro começaram por pedir gentilmente que se fizesse silêncio absoluto na sala. Como não conseguiram, tiveram de ser um pouco mais pujantes (digamos assim), na forma como voltaram a pedir silêncio. Facto: conseguiram silêncio. Facto: tocaram um magnífico tema sem qualquer tipo de amplificação, que foi possível ouvir numa sala que não era propriamente pequena. Facto: receberam um enormíssimo aplauso quando terminaram de interpretar a música. O outro belo momento da noite chegou com o cover dos Fleet Foxes para o tema «Tiger Mountain Peasant Song». Não que tivesse soado muito diferente do original mas quando cantado por duas vozes femininas, ganhou uma aura que deixou muito boa gente (eu incluído) com um sorriso na cara.

Para fechar a noite ficaram os Los Campesinos!. A banda de Cardiff continua igual a si própria. Cada concerto é uma festa. É como se não houvesse amanhã. Gareth Campesinos! acarreta as despesas da casa. É daqueles vocalistas que deixa a pele em palco. Daí até essa energia se estender à plateia são centésimos de segundo. Foi um óptimo concerto. Daqueles que deixam só tempo suficiente para respirar entre músicas. O alinhamento do concerto dividiu-se pelos três álbuns da banda. Se é verdade que o último álbum dos galeses desiludiu alguns, que esperavam um pouco mais face aos dois lançamentos anteriores, não é menos verdade que os Los Campesinos! estão melhores em palco. Mais confiantes e seguros de si próprios, e isso reflecte-se na sua música. Deu para suar.

Um óptimo início de Primavera 2010 e um sinal muito positivo para o que se seguiria durante os três dias seguintes no Parc del Fòrum, em Barcelona.



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