Pela-Agua_3

pela ÁGUA | Análise

"pela ÁGUA" é um texto de Tiago Correia, vencedor do Grande Prémio de Teatro Português SPA-Teatro Aberto 2016 e levado à cena por Tiago Torres da Silva na sala vermelha do Teatro Aberto.

Conta com as interpretações de Fernando Luís, Miguel Nunes (que eu já desejava ver no teatro) e Teresa Sobral. Cenografia de Rui Francisco, música de José Peixoto e figurinos de José António Tenente.

O texto trata sobre a paixão de dois homens, de diferentes gerações, pela mesma mulher e, embora ela seja o principal motor para o que vemos e já não esteja presente, a sua presença é quase sempre sentida de forma omnipresente.

Um diálogo dominado pela paixão, pelo rancor, pela ausência e que nos permite, simultaneamente, reflectir sobre as realidades políticas e sociais que moldam as personagens e as suas escolhas. A quanto nos obriga o amor? Quanto o sacrificamos?

Esta é uma daquelas peças que nos faz desejar ver uma segunda vez porque ela permite várias leituras, e chegamos ao final, com vontade de rebobinar tudo e dar a volta à cabeça até encontrar todos os possíveis significados.

É uma daquelas peças que não nos deixa fazer parar o cérebro nas próximas horas, à procura de um perfeito sentido para tudo o que acabámos de ver.

Cada espectador é convidado a fazer a sua própria leitura, a peça é apresentada de forma suficientemente aberta para que isso aconteça e é possível que se verifique quantos espectadores / quantas leituras, mas uma coisa é certinha, a música de José Peixoto é um elemento importantíssimo ao longo de todo o espectáculo, e é tão, mas tão bela…, que ela própria consegue viver só por si, acaba por ser um “sacrilégio” se a sua carreira acabar por ser tão efémera quanto a própria peça.

Pela-Agua

O cenário também tem uma presença bem marcante e acredito que se apresente para cada um conforme as suas vivências, contudo os conceitos de fragilidade e profundidade acho que são irrefutáveis. Apresenta de forma genial as dicotomias de fragilidade/robustez e opacidade/transparência.

São várias as camadas deste espectáculo, e o cenário, em conjunto com a iluminação, é o primeiro elemento a reflectir essa característica. Eu vi três níveis de profundidade, mas, à conversa com o encenador, fiquei a pensar que esta obra é tão profunda que me senti como que perante um daqueles testes psicológicos frequentemente aplicados em consultórios de psicologia. Será que vemos nesta peça, e em cada um dos seus elementos, a reflexão do nosso próprio mapa mental? Foi a sensação com que fiquei ao abandonar aquela sala vermelha.

Será tudo tão fluido e mutável como a água? A verdade é que ela tanto bate até que fura e está sempre presente onde quer que haja vida, seja sob que estado for….

ESPECTÁCULOS
4ª a Sábado às 21h30
Domingo às 16h
Sala Vermelha
Estreia 31 de Maio

M/12

BILHETEIRA
4ª a Sábado das 14h às 22h00; Domingo das 14h às 19h
Reservas 213 880 089 ou bilheteira@teatroaberto.com
www.bol.pt | FNAC | ABEP | CTT | El Corte Inglés (Lisboa e Gaia)

PREÇOS
Inteiro – 15   €
Jovem (até 25 anos) – 7,5€
Sénior (mais de 65 anos) – 12 €

PASSATEMPOS

Em parceria com o Teatro Aberto temos 10 convites duplos para oferecer para dia 6 de Julho. Para ganhar um destes convites basta preencher o formulário em baixo respondendo a esta pergunta: Qual o prémio que foi atribuído a esta peça em 2016?



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