“Pequenos Prazeres 2” | Arthur de Pins e Maia Mazaurette

“Pequenos Prazeres 2” | Arthur de Pins e Maia Mazaurette

Subir a fasquia (sexual)

Quando as primeiras páginas de um livro nos fazem entrar numa sessão de terapia de viciados em sexo, onde duas mulheres se riem de companheiros de cama comuns e das suas fantasias – que incluem objectos difíceis de encontrar em sex shops como cenouras e beringelas -, a coisa promete aquecer até ao nível de um incêndio difícil de erradicar.

Pequenos Prazeres 2”, da autoria de Arthur de Pins e Maia Mazaurette, traz de volta dois incorrigíveis personagens da banda desenhada, que olham sempre – e nos olhos – para o lado mais maroto da vida.

A primeira parte – intitulada “Gajas ao Ataque!” – centra-se nas aventuras de Clara, uma mulher de armas que colecciona características bastante peculiares: é avessa aos “metrossensíveis” – que para ela não passam de uns queridos -, acorda muitas vezes ao lado de desconhecidos, sonha com a participação no “Ídolo das Porcas” – tipo Ídolos mas… estão a ver, não estão? -, usa a horizontalidade como forma de subir na carreira, tem um treinador sexual particular, é orientadora oficial dos estagiários e diverte-se a sabotar toda a competição feminina que possa ter no local de trabalho (e fora dele).

A segunda parte – “O Casamento Tem Costas Largas” – junta Clara e Arthur, amigos e ex-namorados que, além de confidentes comuns, têm como passatempo diário provocarem-se um ao outro. Quando acordam na mesma cama sem se recordarem de como acabaram a noite a trocar fluidos corporais, Arthur e Clara reconstroem os últimos três meses das suas vidas, a partir do dia em que dois dos seus melhores amigos anunciaram o casamento – ou “suicídio social”, usando as palavras de Clara.

A partir do momento em que Arthur e Clara fazem uma aposta, que consiste em ver quem consegue manter o voto de castidade total em honra do casamento de Cassandra – que apenas começará a contar depois de uma ida dos dois a um clube de swing -, o espírito do “vale tudo” começa a crescer até tomar proporções épicas e revelar um final inesperado. Pelo meio, assistimos a uma louca despedida de solteiro, a uma luta de galos – ou melhor, galinhas – pelo ramo de noiva e a discursos de padrinhos e madrinhas pouco vulgares.

Divertido e sexualmente activo, este livro deve ser encarado como um medicamento ou um produto de limpeza adepto da toxicidade: apesar dos bonecos redondos e muito encantadores, não deve ser deixado ao alcance de crianças.



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