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Perigo Online

Melodrama ou Tele-filme?

Seria fácil desconsiderar “Perigo Online”, segunda longa-metragem de David Schwimmer (esse mesmo, o Ross do “Friends”), como um mero tele-filme, ou pior, um daqueles “casos da vida” que procuram educar e prevenir os adolescentes contra os perigos da Internet (o título português, ao contrário do original “Trust”, ajuda ainda mais a criar essa sensação). Parece-me, também, que isso seria confundir o conteúdo com a forma, ou melhor, esquecer como a forma enforma o conteúdo e como este tanto é insuficiente para fazer um grande filme como para o estragar.

Não que “Perigo Online” seja um grande filme, mas é bem melhor do que uma leitura rápida da sua premissa faria supor: uma jovem de quatorze anos enamora-se por um rapaz num chat, que afinal não é rapaz nenhum, tem bem mais de trinta anos, e que, quando se encontram, a seduz para ir a cama com ele.

Claro que o tema, só por si, obriga os autores do filme — Schwimmer e os argumentistas Andy Bellin e Robert Festinger — a alguma dose de denúncia, concretizada na crítica ao uso do adolescente como símbolo sexual em campanhas publicitárias (com uma mão algo pesada). No entanto, o que lhes interessa mais são as consequências que a violação da miúda acarreta para ela e para os pais e nas relações entre todos, e é aí que o filma se revela um melodrama maduro, com as cordas da tensão emocional tão esticadas que chegam a magoar.

E, mesmo, se no final, para a resolução a contento do drama (quando o que é subtexto passa a texto), essas cordas fiquem laças e a tensão se esboroe, há coragem de mostrar, sem compaixão, a corte do homem à adolescente (e é de sedução que se trata, por muito cruel que isso possa ser), em tom de comédia romântica juvenil, e de não haver castigo para o culpado, antes para as vítimas. De referir, também, o tour de force de Liana Liberato no papel da adolescente e, apesar de um excesso ou outro, a vulnerabilidade de Clive Owen como pai.

Se “Perigo Online” não é tão bom como “Pele Misteriosa”, de Greg Araki (que trata da mesma temática), é bem melhor do que “72 Horas”, de Paul Haggis (que se lança sobre outra família em crise). Porventura, os elogios serão mais devidos aos argumentistas do que ao realizador, que se perde nalguns rodriguinhos e, por isso, tira força ao filme.



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