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Perpétua | Entrevista

Temos todos um único e comum objetivo: servir a canção.

O Diogo, o Rúben, o Xavier e a Beatriz são os Perpétua e “Esperar Para Ver” é o título do seu álbum de estreia, editado no dia 26 de Março. A Rua de Baixo conversou com o Diogo para ficarmos a conhecer um pouco melhor a banda.

RDB: Alguns de vocês conheceram-se numa escola de música da Gafanha da Nazaré. A Beatriz surge um pouco depois, como colega do Diogo no secundário. Como é que os Perpétua acabam por ganhar forma a partir daqui?
D: Como é natural entre amigos que têm a música como gosto em comum, com o passar dos anos fomos trocando músicas e álbuns que gostávamos, até que começámos a notar que havia alguns pontos de convergência. Aliando isto à vontade de fazer algo diferente do que vínhamos fazendo individualmente até então, foi lançado o desafio de nos juntarmos pela primeira vez os quatro para formar Perpétua. Felizmente, todos aceitaram, e cá estamos, quase dois anos depois e com um disco na mão.

RDB: A palavra “perpétua” é uma palavra com força. Faz-nos pensar em algo que sempre aqui esteve e que por aqui continuará, mas também pode ser um nome. Porque a escolheram para dar nome à vossa banda?
D: A verdade é que o que levou à escolha deste nome foi mais acidental do que propositado. Foi ao ver uma lista de flores (depois de longas discussões acerca do nome a dar ao projeto) que nos deparamos com uma planta chamada perpétua roxa. Imediatamente notámos que continha também essas duas dimensões referidas. Perpétua tanto pode ser uma planta, como um adjetivo ou um nome próprio. Esta ambiguidade própria da palavra aliada à sua simplicidade cativou-nos e decidimo-nos por ela.

RDB: A pandemia influenciou tudo e todos de alguma forma. Como é que vos influenciou a vocês, como banda? Acham que este álbum soaria assim noutras circunstâncias?
D: Já antes da pandemia privilegiamos o estúdio como lugar de criação e experimentação em oposição ao formato jam. Esta maneira de fazer música acabou sendo beneficiada pela pandemia, pois o facto de nos vermos obrigados a ficar em casa permitiu que nos dedicássemos com mais afinco e atenção à composição das músicas. Sem a pandemia talvez não soasse muito diferente, mas poderia chegar bem mais tarde. O álbum é um fruto do combate ao tédio e uma recusa a ficar parado face aos constrangimentos que assolaram o nosso quotidiano.

RDB: Fazem questão de frisar que «Condição» tem um significado especial na breve história da vossa e foi inclusivamente a primeira que compuseram juntos. Acham que vos ajudou a dar-vos um rumo como banda?
D: Certamente que sim, nem que seja pelo facto de ter sido o primeiro objetivo cumprido. Primeiro juntam-se as pessoas, depois tenta-se fazer a primeira música, de seguida o resto do álbum, depois passa-se ao estúdio e, por fim, lança-se o disco. Neste sentido a composição da “Condição” foi uma primeira etapa atingida pela banda, o que ajudou a motivar para que continuássemos a caminhar e atingir as etapas subsequentes.

RDB: “Esperar Para Ver” é um título curioso. Pode ganhar um significado mais amplo quanto colocado em perspectiva perante os tempos em que vivemos e como as nossas vidas foram impactados. Como chegaram a este título?
D: O título é, justamente, também uma interrogação para nós, não apenas para quem decide ouvir o álbum. Vivemos tempos muito incertos, em que cada passo tem de ser dado com uma firmeza sobre-humana, no entanto, isso não nos impede de os dar com expectativa e confiança. Sendo o primeiro disco é precisamente na direção deste por vir que nos movimentamos, confiantes e ansiosos relativamente ao que daí possa surgir. Esperamos também que a eventual resposta ao mote dado pelo título do álbum possa ser encontrada em sintonia com aqueles que estejam dispostos a ouvir-nos, porque é um caminho que queremos fazer de mãos dadas.

RDB: Algumas audições atentas de “Esperar Para Ver” revelam um rol de influências variado. O álbum arranca numa toada mais dançável ao som de «Perdi a Cor» e «Manhãs Longas», para depois fazer começar a fazer algumas inflexões sobre si mesmo. Sentiram necessidade de experimentar sobre géneros distintos. Como que na procura da vossa identidade enquanto banda ou foi algo em que nem pensaram assim tanto e que foi acontecendo?
D: Todos nós ouvimos coisas diferentes e, na medida em que a banda tem uma dinâmica bastante democrática, é normal que possam ser identificadas várias correntes na música que fazemos. Dito isto, é certo que poderíamos ter sido mais rígidos e decidir encurtar os horizontes até onde nos pudéssemos estender, mas a verdade é que preferimos não o fazer e deixar que tudo tomasse o seu rumo mais espontâneo. Aceitámos o desafio que impusemos a nós próprios de fazer aquilo que gostamos sem o receio de pisar linhas vermelhas. Esta identidade mais livre faz também parte de um processo de descoberta, uma vez que estamos a falar do nosso primeiro álbum. Contudo, esta variedade deu-se de uma forma plenamente orgânica e cremos que o álbum beneficia por não apontar numa só direção.

RDB: Querem falar-nos um pouco sobre o processo de composição do álbum? A letra surgia antes da música, por exemplo? Como trabalho de conjunto que foi, os consensos eram fáceis de atingir?
D: Para este álbum não tivemos um processo de composição único. Como temos todos dedo na composição as ideias surgiam das mais diversas formas. Aconteceu surgir primeiro um refrão e fazer o resto da canção à volta dele, como também aconteceu partirmos de uma letra e tentar musicá-la, fazendo os ajustes necessários. Como é natural, tivemos momentos em que discutimos e quase que havia um impasse relativamente a uma determinada decisão a tomar, mas querer fazer as coisas em grupo pressupõe compromissos e cedências, então todas as discussões se resolveram de forma saudável. Temos todos um único e comum objetivo: servir a canção.

RDB: «Falei de Cor» é uma canção que diverge um pouco das restantes oito que dão corpo a “Esperar Para Ver» e que têm sempre algum ponto de contacto entre si. Aqui a guitarra aventura-se por outros terrenos mas mais uma vez salta à vista um ecletismo na abordagem aos géneros musicais. Sentem isso? Nalgum momento consideraram não incluir a canção no alinhamento?
D: Temos plena noção que é a wild card do álbum, mas foi propositado colocá-la no disco. É um leque de canções de sonoridade bastante cristalina e polida, então a ideia de abusar nas gorduras e carregar nos pedais agradou-nos, porque surge como uma surpresa quase no fim do álbum, quando certamente se espera que acabe de forma semelhante àquela que começou.

RDB: Imagino que a vontade de mostrar este disco em palco seja imensa. Com que banda gostariam de partilhar o palco e, já agora, porquê?
D: Uma banda que temos como referência são os Parcels. Adoramos o trabalho deles, desde a música, à estética e a todo o trabalho de produção feito naquilo que lançam. Os concertos deles ao vivo são repletos de energia e boa execução. Seria por isso, sem dúvida, um excelente momento de aprendizagem e desbunda para nós!

RDB: É já no final de Abril vamos poder voltar às salas de espectáculos (finalmente!). Já têm uma data para tocar o “Esperar Para Ver” ao vivo?
D: Com o clima de incerteza que se vive não podemos avançar com segurança nenhuma data. No entanto, podemos avançar que já estamos em conversações e esperamos poder lançar brevemente as datas de apresentação do álbum.



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