“Perseguição Escaldante” | Janet Evanovich

“Perseguição Escaldante” | Janet Evanovich

Policial de saia e blusa decotada

Depois da dose dupla Pettersoniana, a Top Seller continua a publicar o que mais se vende no universo do policial, agora com a edição de “Perseguição Escaldante”, da autoria de Janet Evanovich, que serve de carta de apresentação a Stephanie Plum.

Plum é uma rapariga de formas apetecíveis, que exerce a sempre nobre profissão de caçadora de recompensas na cidade de New Jersey. O seu escritório é uma caravana ambulante, pertença de Mooner, amante de marijuana sob todas as suas formas e com um gosto terrível no que concerne a decoração. A sua parceira predilecta dá pelo nome de Lula, possuidora de um metabolismo tão rápido quanto a velocidade que um F1 atinge na recta da meta: por muito que coma, o seu peso parece não variar um grama (palavra de Plum).

No terreno onde está a ser construída a Vincent Plum Bail Bonds, assim como nos arredores de New Jersey, os cadáveres começam a nascer como cogumelos, e todos eles parecem estar de certa forma ligados a Plum – alguns deles trazem uma espécie de cartão de boas festas com o nome da caçadora de recompensas.

A vida de Plum daria para encher capas de revistas cor-de-rosa, dividida entre o eterno namorado Morelli e o rebelde e libertino Ranger. Para apimentar mais a coisa, a mãe e a avó, assumindo o papel de casamenteiras, fazem entrar na sua vida Dave, um antigo colega de secundário e ex-estrela do futebol norte-americano que tem, na arte de cozinhar, o seu anti-stress de eleição. Aliás, a sua família tem a palavra “disfuncional” escrita em tudo o que é etiqueta: em situações de grande preocupação, a mãe refugia-se junto da tábua de passar a ferro; a avó não passa sem a sua arma de bolso e, quanto ao pai, não confia num homem que não tenha nem saiba usar um revólver.

Acompanhando esta azáfama sentimental, Plum tem no seu encalço diversas personagens que a querem com os pés no País do Além, seja por ameaça de uma morte lenta ou um atropelamento a sangue frio. Quanto às presas que Plum, Lula e C.ª têm de apanhar, há também uma grande diversidade, desde um russo que tem um urso bailarino como animal de estimação a um vampiro que uiva com a visão do sol e usa dentadura.

Com alguns momentos bem divertidos, “Perseguição Escaldante” é um livro com um toque feminino, qualquer coisa como “O Sexo e a Cidade” transformado em policial. Pena que, em termos da dinâmica detectivesca, se torne um pouco previsível, assim como tentar adivinhar qual o ingrediente principal de uma omelete. Pelo menos para olhos e ouvidos bem treinados.



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