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Persona 5 | Análise

Um JRPG cheio de estilo

A saga Persona sempre foi uma série muito peculiar na forma como transmite a especificidade da cultura japonesa, sendo também por isso que é adorada por tanta gente no mundo dos videojogos. Persona 5 não é excepção na série e a forma como consegue criar um enredo fenomenal, a partir de situações aparentemente comuns, é genial e faz com que este jogo seja obrigatório na biblioteca de qualquer jogador que adore o género JRPG. Esta quinta entrada faz o que a série sempre fez da melhor forma e ainda consegue parecer inovador ao fazê-lo. A apresentação deste jogo é brilhante e carismática, de tal forma que transforma todos os detalhes em algo precioso e distinto. Desde o aspecto geral com uma tonalidade muito sinistra, às cores que insistem em surgir nas transições e dão ênfase a alguns elementos fora do comum, Persona 5 é um jogo que, do ponto de vista artístico, não se vai parecer com nada que tenhamos jogado anteriormente, mas também não passará indiferente a ninguém e será, com toda a certeza, uma referência a ter em conta pela indústria no futuro.

Da mesma forma, explorar este mundo, andando pelas ruas cheias com a multidão que as percorre, é muito especial. Não só pelo factor artístico que referi anteriormente, mas também pelo facto de, em cada esquina, existir sempre algo que nos faz querer voltar e explorar melhor. Percorrer os cenários não acontece de uma forma livre como alguns poderiam desejar, embora raramente, graças em grande parte a uma excelente narrativa, raramente sintamos falta da liberdade de alguns títulos mais recentes nesta geração dentro do género. A narrativa principal foca-se num grupo conhecido como os Phantom Thieves, composto por adolescentes de uma escola secundária que ganham poderes extraordinários quando exploram aquilo que preenche o seu espírito – a sua persona. À medida que o jogador vai avançando nas suas horas de jogo, o calendário vai avançando também. Do tempo de aulas para a exploração do universo paralelo onde as coisas mais interessantes acontecem, mas sempre com repercussões no mundo real, a acção nunca se perde e a narrativa vai-se construindo sempre a bom ritmo e bem assente num grupo muito forte.

A equipa que acompanha a nossa personagem, que podemos baptizar com o nome que bem entendermos (embora seja sempre conhecido pela alcunha de Joker durante as missões), é composta pelas personagens mais interessantes que chegaram a um JRPG na última década e cuja profundidade nos agarra de tal maneira que nem damos pelas horas passarem. Desde momentos incrivelmente sérios, a outros bem humorados e caricatos, a relação entre a nossa e as outras personagens vai sempre crescendo, influenciando directamente os poderes que vamos desenvolvendo. Por isso mesmo, nunca é desnecessário perder algum tempo com determinada personagem já que algumas habilidade bem úteis são desbloqueadas dessa forma. Desde ver um filme, a ir à biblioteca estudar ou responder a perguntas que os professores colocam durante as aulas (entre outras coisas), tudo influencia a forma como desenvolvemos as capacidades das nossas personagens.

Persona 5 screen 01

Embora brutalmente arrojado em muitas das suas opções técnicas, em Persona 5 o combate é extremamente tradicional na sua essência, funcionando através de turnos como era habitual na era clássica dos JRPGs. Não obstante, quem invista tempo a explorar as suas mecânicas vai constatar que existem vários aspectos que o tornam interessante o suficiente para nunca parecer repetitivo. Desde as mecânicas de combinação de personas, aos diferentes tipos de acções que podemos executar quando cercamos os inimigos, será durante os Palaces e os Mementos, as dungeons de Persona 5 (sendo que as segundas são geradas proceduralmente), que vamos explorar o combate contra inúmeras shadows e bosses, assim como vamos poder procurar alguns itens especiais que nos chegam como espólio das lutas ou através de baús que temos de abrir. Se os Palaces estão geralmente mais ligados à narrativa principal, os Mementos estão por sua vez mais ligados às missões secundárias que, não obstante esse carácter, proporcionam várias informações que ajudarão os jogadores a perceber melhor todo este universo.

A banda sonora é um dos pontos de destaque de Persona 5, complementando de uma excelente forma tudo aquilo que vai acontecendo na narrativa, combate e momentos de diálogo. Com temas geralmente na onda acid jazz, com influências do disco, funk e soul, as músicas nunca caem na repetição e irão acompanhar-nos durante todo o dia quando pousarmos o comando da consola. Da mesma forma, nos momentos mais importantes da história, podemos contar com várias sequências de anime que poderiam muito bem fazer parte de um novo filme de Persona, algo que não é novidade na série.

Persona 5 screen 03

Persona 5 é daqueles jogos que oferece tanto e de tantas formas que será complicado explorá-lo na sua totalidade nos próximos tempos. Mesmo assim, os jogadores nunca darão por perdidas nenhuma das horas que investirem neste fenomenal JRPG com uma apresentação muito especial, uma banda sonora que assenta que nem uma luva em toda a experiência e uma narrativa que retrata muito bem a sociedade japonesa em vários aspectos sensíveis. A jogabilidade clássica vem acompanhada de mecânicas que a tornam muito mais profunda do que aquilo que aparenta ser à primeira vista e que agradará a todos os fãs da jogabilidade por turnos que caracterizava o género há alguns atrás. Persona 5 é um título obrigatório, cheio de estilo e que chega para roubar o teu coração quando pensavas que já não tinhas espaço para mais nenhum jogo neste ano que não pára de nos trazer títulos de qualidade fora-de-série.



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