Piano Magic

O líder da banda, Glen Johnson, falou à RDB sobre Espanha, apresentações ao vivo e… Dido...

Passaram por Portugal recentemente, num concerto a meias com os Southern Arts Society no Santiago Alquimista. Possuem já alguns discos no curriculum e um relativo culto nalgumas paragens do globo, Espanha à cabeça. Glen Johnson apresenta os Piano Magic, versão 2006, à Rua de Baixo.

Os Piano Magic começaram em 1996, como um hobby. Quando é que tomaste consciência que a banda se transformou em algo mais que um mero projecto quase inocente?

No dia 28 de Março de 1999, depois de um concerto em Haarlem, na Holanda. O espectáculo correu muito bem e vendemos todos os discos que tínhamos na banca de merchandising. Aí, pela primeira vez, acreditei que tínhamos algo para oferecer a mais que 500 miúdos indie do Reino Unido. A partir daí, foi capitalizar o que ocorreu nessa noite e levar a música às pessoas.

Como é fazer parte dos Piano Magic em 2006, então?

É muito bom. Tocamos a música da qual gostamos, quando a queremos tocar e há pessoas que querem editar a nossa música; pessoas para assistir aos nossos concertos; e, também, pessoas que simplesmente gostam da nossa música. Nunca seremos ricos ou famosos fazendo esta música, mas aquilo que nunca foste nunca sentirás falta de. Temos neste momento a formação dos Piano Magic mais forte desde o começo.

Qual foi a tua motivação maior para começares a escrever música?

Com os Piano Magic acho que foi mesmo para preencher uma lacuna na minha colecção de discos.

“É nos momentos mais negros dos Piano Magic que a banda parece fazer mais sentido” – esta frase pode ser lida na biografia presente no vosso site oficial. Serão os Piano Magic uma banda depressiva e sem grande sentido de alegria envolvendo os temas?

Acho que é preciso algum cuidado na distinção entre a música em si e as pessoas que a fazem. Certamente que não somos pessoas completamente negativas, mas também não somos do género de considerar a vida como um eterno mar de rosas. A nossa música parece, de facto, surgir do nosso lado mais “negro”, e isso é algo que não me envergonha nada. A música é, para mim, um exorcismo – é a minha forma de lidar com o lado negro da minha personalidade mas, ao mesmo tempo, não fazer um som de uma banda de Doom Metal ou parecido. Mas atenção, gostamos do Verão, de praia, de raparigas, álcool, dança, música, essas coisas todas, claro.

“Tudo pode acontecer na vida – especialmente nada, maioritariamente nada” – Cito o tema «Disaffected». Será a vida a vossa maior inspiração para escrever música?

Bem, que mais poderia ser a nossa maior inspiração? A morte? Provavelmente somos uma combinação de ambos. Pessoalmente, não quero morrer mas não quero viver também, estou num certo limbo. É daí que surgem as canções.

Os Piano Magic têm uma fortíssima relação com Espanha, por motivos diversos. Porquê?

Trabalhámos com muita força por lá e as pessoas retribuíram. A Green Ufos, a nossa editora para a maioria do mundo, trabalhou também bastante para nos colocar numa boa posição em Espanha, onde possamos ser vistos e ouvidos. Mas espero que Portugal nos adopte também um dia, por exemplo.

Se pudesses escolher um músico com quem colaborar, quem escolherias actualmente?

Não me sinto muito virado actualmente para colaborações, para ser sincero. Contudo, nunca diria não à Bjork, por exemplo. Mas eu sou um realista e sei que, comparando, ela é uma raínha e nós estamos muito longe disso.

Glen, li algo recentemente onde tu falavas sobre a Dido… que história foi essa?

Não me lembro bem o que disse sobre ela. Certamente que ela é uma boa pessoa, mas não consigo suportar a sua música. É a chamada música de elevador. Não consigo compreender como é que as pessoas que gostam dela conseguem dormir de noite – aquilo não é NADA. Não há alma, coração, apenas perfeição formal. A música dela é um cadáver.

E quais são os planos mais imediatos para os Piano Magic?

Depois dos concertos que temos marcados continuaremos a escrever os temas para o nosso próximo disco. Gravaremos o álbum em Setembro e o mesmo deve sair em começos de 2007. Tudo o resto é algo vago, é a forma como gostamos. Nunca sabemos ao certo para onde vamos, nunca andamos com um mapa – sempre preparados para nos perdermos.



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