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Pietro Proserpio

Mecânica e arte que se transformam em histórias cheias de poesia

Tentei por algum tempo formular uma ideia mais objetiva e mais exata do que seria a obra de Pietro Proserpio, para assim poder escrever um artigo que as pessoas pudessem ler e somente com palavras ter uma ideia do que é estar perto dessa figura tão inspiradora e de suas criações. Com isso, talvez instigar a curiosidade e fazer com que mais pessoas fossem até ele para escutar suas histórias. Contudo, tenho de admitir que não consegui.

Não é possível somente descrever, dizer o que é cada objeto cinemático ou contar por aqui alguma história. Não é possível passar uma mensagem que é tão genuína e tão própria de quem a criou. Não é possível transmitir por escrito os gestos, os movimentos, a serenidade e a magia que só com ele acontecem.

Como a forma objetiva não é possível… Pensei em entrevistá-lo. Fazer daquelas perguntas que recairiam em expectativa de respostas mais assertivas, o que nos deixaria talvez desapontados. Portanto, resolvi que contar sobre minhas impressões e sobre minha experiência ao visitar a exposição talvez transmitisse algo de mais verdadeiro.

Ao subir as escadas com um grupo de amigos, nos deparamos com materiais variados, máquinas e coisas que parecem mais invenções malucas que nos remetem à infância do que outra coisa. Esperamos por algo que estava por vir e finalmente, com toda a simpatia, o tal Pietro aproximou-se e perguntou-nos se gostaríamos de ouvir histórias. E assim a magia e a sensação de sonho e imaginação começaram ali, com um menino que sonha em chegar à lua, com insetos com personalidade, com corações solitários, cidade espacial e máquina do tempo. Tempo… Essa é a constante do trabalho desse senhor que mais parece não ter passado por ele. E se passou pelo tempo, soube exatamente conservar o olhar de uma criança. E com o estudo do próprio tempo, se deu conta de que o mesmo é relativo e o bem mais precioso e inevitável.

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Com humor e poesia, cada verso guiava-nos para uma atmosfera nova. Cada atmosfera, de uma forma diferente e com metáforas diferentes, faziam-nos retornar à inocência que não perdemos de todo e ainda vive em algum lugar do que a sociedade nos transformou. Para encerrar as histórias sobre o tempo, Pietro deixou-nos a pensar sobre utilidade. O que é utilidade nos dias de hoje? O que a utilidade formulada para que a pensemos assim muda na nossa maneira de ver e viver as coisas?

Entre essas e muitas questões, que mesmo sem a intenção literal nos convida a pensar, o que Pietro transmite é o amor pelo que faz. Amor pela mecânica e técnica que se transfigura em arte. Arte que transporta, toca e até transforma. Mas só toca os que se abrem e se permitem tocar.

“Objectos Cinemáticos”é uma exposição de Pietro Proserpio e está localizada no piso superior da livraria Ler Devagar, no Lx Factory.



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