Pinkboy presents TPC

Depois da experiência na rádio Oxigénio e do sucesso obtido no Lux, Nuno Rosa lança uma edição fruto deste trabalho. Saibam um pouco mais sobre estes e futuros trabalhos.

Nuno Rosa esconde-se por detrás do nome Pinkboy e é uma presença habitual no Lux, a discoteca de Santa Apolónia que se tem esforçado por acompanhar tendências sonoras e trazê-las até si. Depois da passagem do “TPC” pela rádio Oxigénio e pelas noites lisboetas, é agora editado num álbum duplo, dando também início aos trabalhos da Bloop, secção dedicada às incursões electrónicas da Loop Recordings. Tudo isto e muito mais para descobrir em conversa com Pinkboy.

O “TPC com Pinkboy” nasceu como parte do programa do Lux na rádio lisboeta com o objectivo de «divulgar música de cariz essencialmente electrónico feita por cá e que ainda não tinha sido editada». Passados quatro ou cinco meses, o DJ/produtor achou que «fazia sentido convidar alguns produtores ou bandas a tocarem neste espaço». As primeiras escolhas recaíram sobre a forma de concerto, com bandas como os Post Hit, Norton ou Loto a actuarem antes de se ter enveredado por actuações no formato DJ e também laptop.

Por detrás do conceito está o facto de Nuno Rosa estar «cansado desse eterno sentimento generalizado e provinciano de que o que vem de fora é que bom» e a confiança de que «estamos rodeados de pessoas com talento e valor. O que nos falta isso sim, é uma série de estruturas e meios capazes de nos colocar em pé de igualdade com alguns dos artistas que admiramos».

Neste aspecto inclui-se coisas como engenheiros de som com capacidade para melhorar a qualidade da música feita, editoras em quantidade, público «atento e com vontade de ouvir e explorar experiências» ou «um mercado onde os instrumentos vintage não são impossíveis de se encontrar e quando se encontram não estão a preços escandalosos porque o nosso poder de compra é muito magro», algo existente em países como a Alemanha ou Inglaterra. Nuno também não se identifica com o tipo de jornalismo musical feito no nosso país e acha que o estrangeiro tem mais interesse em divulgar e não mandar abaixo, sendo muito mais diplomáticos quando acha que um concerto não foi assim tão bom, por exemplo.

O actual panorama da indústria musical não é alheio a estas situações, como Pinkboy admite, ao afirmar que «a realidade é que a música feita lá fora é quem paga parte, se não toda a industria musical portuguesa. E são os artistas portugueses que mais sofrem com isso. Mas eu acredito que as coisas estão a mudar. Sinto que vivemos de novo um período em que de uma forma geral há um optimismo grande no ar», com as edições de editoras como a Sonic, a Enchofada ou a Bloop a serem exemplo disso, juntamente com o universo dos tops nacionais «inundados de artistas portugueses».

Com o sucesso das noites TPC, a ideia da compilação foi tomando forma e o objectivo era fazê-la mais eclética. Mas Nuno Rosa rapidamente chegou «à conclusão de que, com os temas que tinha nas mãos, tal não era possível. Isto porque o material mais interessante e que fugia às directivas estéticas que acabaram por marcar o formato final da compilação, estava todo destinado a ser editado». Optou-se então por fazer algo «esteticamente mais coerente. Como não havia a possibilidade de ir para estúdio com cada artista para misturar os temas, a qualidade da produção foi outro dos factores fundamentais na escolha dos temas. Havia temas com óptimas ideias mas com uma qualidade muito fraca a nível de som… tentei criar uma espécie de compromisso entre qualidade de produção e boas ideias…»

Aqui, insere-se o nascimento da Bloop, divisão dedicada às sonoridades electrónicas da Loop Recordings e a sua aposta no lançamento de “Pinkboy Presents TPC”. Nuno diz-nos que «em toda a história da música, as produções mais “marginais” só conseguiram sobreviver e ver a luz do dia graça a pequenas ou independentes editoras. Neste caso especifico foi importantíssima» a aposta da Bloop. «Não só pelo apoio que tive desde o primeiro dia em que falei com a editora, mas também pelo simples facto de estarmos a falar a mesma linguagem. Quando lhes falei do projecto não estive que estar a vender nada ou nem tive que fazer um esforço extra para tentar convencer ninguém». Há aqui também um “amor à camisola” de ambas as partes, o que acaba por afastar a ideia de negócio, sobrepondo-se em vez dela «uma grande paixão pela música e uma vontade enorme de ajudar a construir e a solidificar uma “cena” nossa».

“Pinkboy Presents TPC” já se encontra à venda nos locais habituais. Entretanto, Nuno Rosa tem estado a trabalhar em material novo, também de eventuais alter-egos. Quem sabe se não está para breve um disco de originais?



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