Pisa-Papéis

A 2ª edição do Roteiro das Artes do Espectáculo está quase pronta. Entrevista a Nuno Salgado, um dos mentores do projecto.

O Pisa-Papéis está de volta. Depois da óptima receptividade por parte dos agentes do espectáculo à primeira edição do roteiro, a iniciativa repete-se este ano com novos objectivos e ambições, mas sempre com o mesmo mote: dinamizar a cultura portuguesa. A edição 2006 do Pisa-Papéis está prevista para o final deste 1º trimestre e conta, mais uma vez, com o apoio da rua de baixo.

Para todos aqueles que estão a ouvir falar do Pisa-Papéis pela primeira vez, este projecto consiste num roteiro, em formato de livro e digital, onde estão representados os diversos sectores da cultura portuguesa. Nele podemos encontrar, por exemplo, informação sobre companhias de teatro, bandas, salas de espectáculo, promotoras de eventos, festivais, serviços e tudo aquilo que faz movimentar a cultura em Portugal.

Embora esta publicação seja dirigida essencialmente aos profissionais das diversas áreas abordadas, a sua vertente informativa pode ser muito útil a todos aqueles que têm uma qualquer ligação à cultura portuguesa.

A edição de 2006 promete ser ainda melhor que a sua antecessora, com algumas novidades e novos objectivos. A rua de baixo quis saber mais sobre este projecto e para isso convidou Nuno Ricou Salgado, um dos seus mentores, para uma conversa sobre o Pisa-Papéis. Fiquem com a entrevista

RDB: Como surgiu a ideia do Pisa-Papéis?

Nuno Salgado: O Pisa-Papéis surgiu a partir da nossa convicção de que havia uma necessidade de criar uma plataforma de comunicação comum entre os vários intervenientes do universo das artes do espectáculo. Sentimos que havia espaço para a concretização deste projecto. No fundo, haviam vários circuitos fechados que apenas comunicavam entre os “membros” deste mesmo circuito. O nosso objectivo foi o de criar um instrumento que permitisse “quebrar” estes circuitos um pouco viciados e descobrir novas perspectivas de trabalho.

RDB: Quais foram as maiores dificuldades com que se depararam no início?

NS: Por ser inovador, este foi um projecto que atravessou várias fases até chegar a um resultado concreto e real. Cada uma destas fases teve dificuldades diversas. Quebrar um certo imobilismo que às vezes reina em Portugal foi um dos grandes desafios que tivemos. Apresentar esta abordagem mais “marketizada” do universo das artes do espectáculo aos criadores foi outro desafio de monta. A total falta de apoio também nos trouxe algumas dificuldades acrescidas. Um projecto destes não se faz sem suporte financeiro. Ou pelo menos não deveria ser feito…

RDB: Qual o balanço que fazem da primeira edição do Pisa-papeis?

NS: O balanço que fazemos é bastante positivo. As opiniões que nos chegaram dos mais variados quadrantes são muito boas. No entanto, sabemos que este primeiro número teve os seus problemas. Para a edição de 2006 queremos aumentar a representatividade das diversas áreas do projecto; queremos antecipar a data de saída para o primeiro trimestre do ano; queremos aumentar a nossa rede de distribuição.

RDB: Qual foi a receptividade do público? E dos participantes?

NS: Foi francamente positiva. No entanto é preciso reforçar que o Pisa-Papéis é direccionado sobretudo para profissionais, o público em geral não é o nosso alvo prioritário. Apesar disso, optamos por distribuir o Pisa-Papéis através de várias livrarias: rede Bertrand, Fnac, Assírio Alvim, Lello. Os resultados de vendas foram limitados mas bastante encorajadores. Para além disso permitiu-nos chegar a um público “anónimo” que de outra forma nunca teria acesso a informação contida no Pisa-Papéis. Em relação aos participantes, a receptividade também foi bastante positiva e sabemos que muitos deles realizaram trabalhos através do Pisa-Papéis. Daí termos uma taxa de renovação das inscrições de aproximadamente 90%.

RDB: Como vêem a importância do Pisa-Papéis como agente dinamizador da cultura nacional?

NS: Não nos cabe a nós julgar qual a importância deste projecto no panorama cultural português. É óbvio que na nossa opinião é um instrumento fundamental de dinamização deste mercado. Mas tal como num espectáculo, só quando baixarem as cortinas e o público aplaudir de pé é que saberemos qual a nossa posição neste universo cultural. Espero ouvir muitas palmas durante a festa de lançamento da edição de 2006…

RDB: De todos os objectivos traçados para a edição de 2006, quais aqueles que são para vocês mais importantes?

NS: Conseguir maior representatividade, por área e por distribuição territorial. Fortalecer e alargar os canais de distribuição.

RDB: Como têm decorrido as inscrições? Vamos ter um Pisa-Papéis com mais páginas?

NS: O ritmo de inscrições tem sido mais elevado que na edição anterior, mas prognósticos só no fim…

RDB: A descentralização da cultura é fundamental. Têm recebido muitas inscrições de fora dos centros urbanos?

NS: A descentralização da oferta cultura já começa a ser uma realidade e nós queremos reflecti-la. Para tal, temos feito um grande esforço para ir de encontro a estes agentes que estão fora de Lisboa e Porto. Este esforço tem dado resultados bastante simpáticos e temos já várias inscrições destas “regiões periféricas”. Este é um dos nossos grandes objectivos.

RDB: Este vai ser um projecto para durar muitos anos?

NS: Há espaço e vontade para tal, mas ainda vamos no início, um ano de actividade parece muito mas ainda não é.

Penso que temos espaço para progredir e desenvolver novas valências ligadas a promoção cultural. Rentabilizando e dinamizando o Know-how adquirido através deste trabalho.

RDB: Têm outras ideias que gostariam de “levar para a frente” relacionadas (ou não) com o Pisa-Papéis?

NS: Neste momento apenas podemos estabelecer como meta melhorar a edição de 2006 e distribui-la o melhor possível.

Para o futuro há várias linhas a desenvolver, eventualmente internacionalizar através do estabelecimento de algumas parcerias com outras entidades semelhantes e outros países europeus ou da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Para Portugal temos várias outras propostas a desenvolver mas que de momento ainda estão no segredo dos “deuses”. Em breve todos saberão qual será a programação primavera/verão apresentada pela equipa do Pisa-Papéis.

O Pisa-Papéis é produzido pela Procur.Arte, Associação Cultural e Social, e vai estar disponível no final do 1º trimestre deste ano. Embora as inscrições já tenham terminado, podem sempre contactar a equipa do Pisa-Papéis através dos contactos que se encontram no seu web site.



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