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PLACEBO @ COLISEU DOS RECREIOS (02.05.2017)

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E, de repente, passaram 20 anos desde aquela tarde solarenga no velhinho Estádio José Alvalade, quando a primeira parte do concerto de U2 estaria a cargo duns perfeitos desconhecidos para a maioria presente no relvado. Marioria essa que não se poupou a apupos, gritando “Mas quem são estes tipos?” e frases progressivamente mais depreciativas. Estamos em crer que muitos elementos dessa maioria ter-se-ão tornado fãs de Placebo ao longo destas duas décadas. Acontece muito àqueles ouvidos que limitam-se ouvir aquilo que as máquinas comerciais lhes acenam. O resto é lixo… até tornar-se famoso.

Passados 20 anos aquela mesma banda celebrou o seu aniversário de mãos dadas com um Coliseu dos Recreios a rebentar pelas costuras, percorrendo o extenso rol de álbuns que já ofereceu ao grande público, desde o homónimo até “Loud Like Love” (contando apenas os trabalhos de originais). Um Coliseu que ainda há dois anos e meio tinha enchido para celebrar o álbum editado em 2013.

Brian Molko, Stefan Olsdal e Matthew Lunn, acompanhados dos restantes camaradas de palco, dividiram o conerto em duas metades: a parte melancólica, que ocupou a fatia de leão do alinhamento, e a parte celebratória (afinal de contas era duma festa de anos que se tratava!). A qualidade do som nunca se dividiu, porém, mantendo-se pungente do início ao fim, imperturbável às infinitas trocas de guitarra que ocorriam no final de cada tema. Stefan pulula inclusivamente entre instrumentos, incluindo guitarra, baixo e teclas. Isto para além das numerosas pedaleiras  que o sueco e Molko utilizam para burilar convenientemente o som.

Na plateia as ondas sonoras faziam vibrar os corpos duma multidão sempre dedicada, bastante compenetrada na primeira etapa do concerto, e mais extrovertida na parte final, com mais saltos, braços no ar e gritando o coro de «Special K» como quem comeu devidamente cereais ao pequeno-almoço. Público que não deixou de manifestar-se com palmas quando a meio de «Without You I’m Nothing» foram projectadas imagens de David Bowie (admirador confesso dos Placebo) na companhia da banda, tornando-a , ainda mais, numa das canções mais emotivas desta prestação. Pegando no tema das projecções, destaque obrigatório para o sempre impactante vídeo de «Song To Say Goodbye» que acompanhou o tema ao vivo.

O troço final do conceito, que mostrou a faceta mais festiva do grupo, foi preenchido por temas com ritmo mais frenético e guitarras mais estridentes. «For What It’s Worth», «Slave to the Wage» ou «Special K» exemplificam na perfeição o tom em questão.

Apesar de culminar com «Bitter End», o términos da prestação principal não foi tão amargo devido ao duplo encore que se seguiria, durante os quais a banda convidou também Kate Bush para o aniversário, ao executar a sua belíssima versão de «Running Up That Hill».

Atingida a barreira da vintena de anos, um dos melhores elogios que pode fazer-se aos Placebo é que poderia facilmente dar 2 ou 3 festas de aniversário sempre com alinhamentos diferentes, tantos são os temas de sucesso e de qualidade que têm composto ao longo deste tempo. Que continuem a aparecer, mesmo sem bolo!

Alinhamento

Pure Morning
Loud Like Love
Jesus’ Son
Soulmates
Special Needs
Lazarus
Too Many Friends
Twenty Years
I Know
Devil in the Details
Space Monkey
Exit Wounds
Protect Me from What I Want
Without You I’m Nothing
36 Degrees
Lady of the Flowers
For What It’s Worth
Slave to the Wage
Special K
Song to Say Goodbye
The Bitter End

(encore)
Teenage Angst
Nancy Boy
Infra-Red

(encore 2)
Running Up That Hill (Kate Bush cover)



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