Escape Plan/Plano de Fuga

“Plano de Fuga”

Bem-vindos aos Anos 80!

Nada tenho contra filmes de acção, contra o Stallone ou contra os anos 80, muito pelo contrário. Contra o Arnold Schwarzenegger já não é bem assim…mas isso agora não interessa nada.

Passei muitas excelentes tardes a assistir a filmes de acção em cinemas como o Condes, o São Jorge, o Éden, entre tantos outros.

Filmes que divertiam e encantavam, abrindo os horizontes da imaginação a um futuro repleto de aventuras e mulheres seminuas que caíam nos braços dos corajosos e galantes heróis. Alguns desses sonhos tornaram-se realidade mais do que outros…não interessa agora dizer quais.

Entre esses filmes, alguns deixaram memória vívida e ainda hoje os assisto com prazer, outros verdadeiros “barretes” que me levavam a duvidar da minha sanidade mental e a arrepender o dinheiro gasto.

Antes que vos diga a qual das classes este filme pertence, devo dizer que sempre achei que Silvester Stallone foi subvalorizado por muita gente, até por si mesmo.

O oscarizado Rocky (argumento escrito por Stallone) foi um daqueles filmes que não esqueci. Filme bem concebido, bem realizado e com uma interpretação muito credível de Sly, que chegou a merecer por parte da crítica o epíteto de “novo Marlon Brando”. Considero também que a adaptação do romance “First Blood” de David Morrell, dificilmente poderia ter tido um melhor John Rambo que aquele que Stallone ofereceu. E agora um aparte…na minha opinião ninguém é mais credível a criar um máscara de sofrimento que este agora vetusto italo-americano.

Contudo nem sempre as escolhas foram as melhores, com muitas “tangadas” pelo meio, inclusive comédias perfeitamente dispensáveis (algo que partilha com Schwarzenegger).

Mas em 1997 consegue ter um papel à sua medida em “Copeland – Zona Exclusiva”, vestindo o papel de um xerife surdo e subestimado pela pequena comunidade que vigiava.

Sylvester têm nesse filme um desempenho de nível muito elevado merecendo até louvores da crítica que o já havia esquecido como actor de qualidade.

Já Schwarzenegger, na minha opinião é bem menos talentoso, só me deixando boas recordações na saga “Terminator-Exterminador Implacável” e “Predator – Predador”, mais pelos filmes que pela interpretação.

Sly e Arnold encontraram-se recentemente nos filmes da saga “The Expendables – Os Mercenários”, e os resultados não foram famosos…Ter duas personagens cabotinas e a necessitar de interpretações musculadas nem sempre resulta e aqui volta a não funcionar.

Agora o filme…

Ray Breslin (Stallone), é um homem com um grupo de valências e habilidades muito especiais, é um artista da fuga especializado em evadir-se de prisões de alta segurança. Depois de mais um trabalho bem conseguido ele é contratado pela CIA para testar a mais inexpugnável prisão alguma vez construída (The Tomb).

Já em confinamento ele encontra o director Hobbes (James Cazieviel), um cruel e ardiloso responsável pelo presídio, Rottmayer (Schwarzenegger), um enigmático prisioneiro em posse de informações muito valiosas e em quem Ray confia para o ajudar a escapar e um enorme contingente de guardas prisionais comandados pelo sádico Drake (Vinnie Jones).

O resto já sabem….Pancadaria, traições, tiroteios intensos que falham sempre os bons da fita, armas que disparam como se tivessem munições infinitas e todos os lugares comuns que se podem esperar de uma “tangada” dos anos 80.

Mas para mal deste “Plano de Fuga”, ao longo dos últimos 20 anos, os filmes de acção sofreram uma evolução enorme. Títulos como “Missão Impossível”, “ O Rochedo”, “Ocean´s Eleven” ,entre tantos outros, trouxeram uma sofisticação e um ambiente hi-tech que os colocou a anos-luz das produções dos anos 80.

O espectador deste milénio espera mais da trama, da caracterização das personagens, da credibilidade das cenas de acção, do que aquilo que podemos observar neste filme.

Só filmes com o prestígio das sagas Indiana Jones e James Bond, conseguem ter cenas inverosímeis e escapar incólumes.

Como se pode adivinhar as interpretações são minimalistas quando não básicas. Nem vale a pena falar das personagens interpretadas por Vincent d´ Onofrio ou de Curtis Jakson…

Stallone e Schwarzenegger cumprem os mínimos e fazem o que lhes é pedido pelo realizador Mikael Håfstrom (nunca esperei ver uma cena em que Schwarzenegger praguejasse e orasse em alemão), James Cazieviel volta a surpreender pela negativa ao aceitar esta personagem cliché que nada lhe acrescenta à carreira e Vinnie Jones continua a ganhar dinheiro a interpretar a si mesmo, ele que foi dos mais violentos e sádicos jogadores da bola de sempre.

Em conclusão apetece dizer, que este filme só deve ser visto, por indefectíveis de Stallone e Schwarzenegger, saudosistas ou estudiosos do que foram os (maus) filmes de acção dos anos 80.

Se me pedissem uma nota?

Sai com um Não Satisfaz.

Como esta rapaziada ainda está nova …certamente com estudo, fará melhor para a próxima!



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