Pluto no Cais

Uma grande noite de rock nacional na Oficina ao pé do rio plantada.

Para quem ainda não conhece, a Oficina do Cais é um novo espaço de música ao vivo (e não só) na margem sul, mais concretamente no Montijo. Para além de uma localização excelente a nível de acessos e estacionamento, o espaço prima pela excelente escolha de bandas e artistas, que por lá têm passado durante estas primeiras semanas de funcionamento.

No reduzido circuito de salas de espectáculo, era necessário existir um espaço na margem sul do Tejo, com uma capacidade considerável e que trouxesse a esta zona uma dinâmica cultural diferente, para um público que já está farto do comercial e pimba das discotecas e bares da região.

A Oficina do Cais consegue colmatar essa importante lacuna. Durante estas primeiras semanas de actividade, os concertos têm sido um sucesso com médias a rondar os 300 espectadores. O espaço, embora necessite de algumas melhorias no aspecto da ventilação, é amplo e agradável. O som pareceu estar dentro dos parâmetros do aceitável, deixando assim antever um futuro bastante risonho para a organização e público.

Na noite de 25 de Fevereiro, os Pluto vieram confirmar aquilo que quase não precisava de confirmação: são a melhor banda rock nacional a cantar em português. Com uma postura extremamente profissional e um empenho exemplar, a banda apresentou no palco da Oficina todo o primeiro registo de originais, “Bom dia”, bem como temas que como o próprio Manuel Cruz disse, “não chegaram a tempo para entrar no disco”.

O concerto correu bastante bem e já é possível notar a familiarização do público com os temas da banda. Mesmo assim, podia ter existido uma maior intervenção por parte da audiência, tanto no acompanhamento das letras como na própria interacção com a banda (claro que não faltaram os piropos da classe feminina aos atributos físicos de Manuel Cruz).

Num concerto carregado de energia, fica a impressão que a banda funciona melhor e consegue incendiar a plateia quando Manuel Cruz deixa a guitarra e se concentra totalmente no microfone e na voz. A postura de entertainer encaixa na perfeição nas características do músico, que consegue transmitir de uma forma única a enorme paixão que tem pela música que faz.

A noite terminou com o indigente Nuno Calado por trás dos discos, já com menos público mas com a mesma atitude festiva e “alternativa” que era o mote desta noite de música no Montijo.

A rua de baixo vai continuar a apoiar esta iniciativa e convida todos a passarem pela Oficina. Para lá chegar é extremamente fácil: fica perto do terminal fluvial do Montijo, relativamente perto do centro e ao lado da “famosa” discoteca Kaxaça, que é muito conhecida na zona.



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