“Poemas” | Federico García Lorca
Amor e morte, sangue e desespero
No que diz respeito à Guerra Civil Espanhola, Federico García Lorca foi uma das suas primeiras vítimas. Dado o seu alinhamento com a República Espanhola, além de revelar abertamente uma homossexualidade que nunca quis esconder de ninguém, o espanhol foi executado em 1936 pelos nacionalistas com um tiro na nunca, com apenas 38 anos de idade. Dele, um deputado da altura disse ser «mais perigoso com a caneta do que outros com revólver.»
Com selecção e tradução de Eugénio de Andrade, “Poemas” (Assírio & Alvim, 2013) é uma antologia imprescindível deste poeta espanhol – que foi também pintor, compositor precoce e pianista -, provavelmente o mais notável de uma geração surgida durante a guerra e que ficou conhecida como a “Geração 27”. Amor e morte, sangue e desespero, romance negro sempre com a benção da água e uma infinidade de universos estilísticos por perto, “Poemas” é um livro obrigatório para quem gosta de poesia.
Canção
Se tu ouvisses
o loendro amargo chorar,
que farias, meu amor?
Suspirar!
Se tu sentisses a luz
chamar-te quando se vai,
que farias, meu amor?
Lembrar-me-ia do mar.
Se eu um dia te dissesse
– amo-te – no meu olival,
que farias, meu amor?
Cravaria este punhal!
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