Polegarzinho

O espectáculo do Teatro de Marionetas do Porto em análise na rua de baixo.

Polegarzinho, a história do rapazinho criado pelo feiticeiro Merlim, está actualmente em reposição no Balleteatro Auditório.

Encenada por João Paulo Seara Cardoso, director artístico da companhia Teatro de Marionetas do Porto, a peça adapta livremente o conto infantil do menino que era do tamanho de um polegar e das diversas aventuras que vive, desde ser comido por uma vaca, ir parar ao estômago de um peixe, lutar contra um corvo que o confunde com uma rã e derrotar o gigante.

Todas estas peripécias (que surgem sobretudo, devido à sua peculiar aparência) são retractadas em cena através de vários dispositivos: imagens – vídeo que reproduzem as belíssimas imagens de Júlio Vanzeler (colaborador habitual da companhia em quase todas as criações, é o responsável pelas marionetas e também pelas imagens gráficas da obra ilustrada que a companhia tem vindo  a editar, simultaneamente com os espectáculos, disponíveis na editora Campo das Letras) marionetas – das mais variadas proporções; objectos que utilizados pelos actores ,se multiplicam em personagens, e música cénica.

Enumerados que estão os diversos meios (característica também usual desta companhia, que se distingue no campo das marionetas pela constante experimentação e fusão de diversas disciplinas artísticas) importa lançarmos um olhar crítico sobre os mesmos.

As imagens – vídeo, que são uma constante nos últimos trabalhos deste encenador, apesar da beleza gráfica já anunciada, talvez sejam, ainda assim restritivas da poesia cénica (no sentido que fixam uma imagem, que pertence à obra literária e não à encenação, ainda que sejam ambas construídas em parceria).

Atrevemo-nos a sugerir, por exemplo, que a obra ganharia se na altura da aparição do gigante, ouvíssemos apenas a sua voz para depois presenciar  através da imponente marioneta ; por oposição à sucessão de imagens projectadas que buscam reproduzir as expressões faciais do mesmo.

Particular atenção (e diria mesmo, aplauso) merece-nos o trabalho da pianista Shirley  Resende, e as composições de Roberto Neulichedl. Também presente em trabalhos anteriores da companhia ( A Cor do Céu, O Principio do Prazer) os espectáculos são iluminados pela sua criação cénica e apenas desejaríamos que a sua presença (que realça o efeito espectáculo, no sentido do artifício; como o canto dos actores) fosse realçada, assumindo o lugar de intérprete, e não de acompanhante, como parece sugerir alguma iluminação, que dissimula a sua figura.

O cenário presta-se ao jogo (de resto ,também executado pelos actores) de proporções; realçando o lado lúdico .

Quanto aos actores, a nota é positiva; particularmente pela multiplicidade de personagens  e pela fusão de trabalho actor/ marionetista, contudo num elenco que sofreu algumas alterações após a sua estreia, denota-se no trabalho de Sara Fernandes uma menor destreza vocal que impede maior clareza na passagem (rápida) de personagens; destacando-se o intérprete Edgard Fernandes pela marca pessoal e subtil que importa a cada um destes.



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