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Pontes para um Futuro mais Positivo

“Um referencial à mobilidade”, assinado por MXT.

“Pontes para um Futuro mais Positivo”. O nome não é de todo alheio, é o tema de um concurso internacional de ideias lançado em 2009 no âmbito da ExperimentaDesign 2009 (EXD09), que deu origem a um conjunto de propostas que estiveram até há bem pouco tempo em exposição no Palácio Quintela, na Rua do Alecrim, em Lisboa. Embora assente na mesma premissa, “uma mobilidade urbana mais sustentável que beneficie directamente as pessoas que vivem, neste caso, em Lisboa”, explica a organização composta pela EXD09 e a Fundação Galp Energia, e o objecto a concurso fosse o mesmo para todos: uma ponte ciclável e pedonal sobre a Segunda Circular de Lisboa, a palavra de ordem foi diversidade. Quem teve oportunidade de ver a mostra, descobriu entre as 54 propostas expostas – no total o concurso recebeu 62 candidaturas, 39 portuguesas e 23 internacionais, de tudo um pouco, tendo a criatividade sido o denominador comum. A Rua de Baixo visitou a exposição, e dá-lhe a conhecer o projecto vencedor deste concurso internacional, uma proposta assinada por Telmo Cruz e Maximina Almeida, do gabinete português MXT, e que é considerada pelos próprios como “um referencial à mobilidade”.

Qualidade de vida urbana

Este foi um dos tópicos onde se pretendeu “tocar” com este concurso, bem como despertar consciências. O tema – o da qualidade de vida urbana, não é novo é certo, mas é cada vez mais abordado, porque deixou de ser um factor aleatório das cidades para passar a ser um elemento fundamental. Desse ponto de vista, urge que nas nossas cidades sejam adoptados hábitos e estilos de vida mais sustentáveis do ponto de vista energético, bem como alternativas de mobilidade e construção mais “amigas do ambiente”. “Disciplinas como a arquitectura são cruciais para este processo de redesenho das dinâmicas urbanas, promovendo soluções técnica e conceptualmente arrojadas, que constituem ainda um legado para a cidade e a comunidade”, refere a organização, sublinhando ainda que “a entusiástica resposta dos arquitectos portugueses e estrangeiros a esta iniciativa é um excelente indicador do pertinente e enriquecedor contributo das disciplinas projectuais para o desenho, fluxos e vivências urbanas do século XXI”.

Uma nova rede de caminhos

Telmo Cruz e Maximina Almeida, do gabinete MXT, juntamente com o engenheiro António Adão da Fonseca, foram os vencedores do concurso, com uma proposta que faz emergir uma ponte “descolando do solo uma nova rede de caminhos”. “Era uma vez não é de todo o início da história desta ponte”, explicam os arquitectos, uma vez que os seus fundamentos devem ser procurados no futuro, mais do que nas condições do presente.

“É já detectável nas diversas investigações em curso sobre deslocações, uma crescente hibridização dos distintos modos de transporte, tendendo a dissolver a fronteira entre o transporte individual, usualmente privado, e o transporte colectivo”, explicam. São disso exemplo o SMART, o Segway Personal Transporter, ou mesmo veículos diversos a pedais, muito eficazes e leves, sendo todos eles “evoluções dos modos e aparelhos individuais de transporte que têm em comum a minimização de esforço e redução de dimensões, posicionando-se em escalas intermédias entre o actual transporte automóvel e o peão”. Como resultado desta evolução, sobre as cidades pousam já novos mapas de deslocações que testemunham esta nova tendência, sendo combinações de bicicleta e comboio, metro ou barco soluções já frequentes. Esta é uma ponte que pertence a esses novos mapas, sublinha a equipa vencedora. Mapas, “nos quais filigranas de novos e existentes caminhos, vinculados em maior grau a deslocações individuais, se sobrepõem, cruzam e ligam às actuais infraestruturas das cidades, e aos caminhos do transporte individual ou colectivo. No contexto do local do projecto desta ponte, “azinhagas e alamedas das quintas de Benfica, da Luz e de Telheiras, são uma oportunidade para construir este novo mapa”. E assim, deste novo mapa, emerge a ponte assinada por Telmo Cruz e Maximina Almeida, “descolando do solo uma nova rede de caminhos, passando sobre a grande artéria que é a Segunda Circular, deixando apenas um rasto luminoso que aqui coreografa a sobreposição das diferentes escalas e modos de deslocação”. No contexto, a ponte torna-se “um elemento modelador dos fluxos viários terrestres, assumindo um papel determinante num universo ligado à deslocação individual, a pé, de bicicleta, de skate ou patins ou de segway…, essencialmente não motorizado e não poluente”, frisam os arquitectos.

A segurança e protecção de Moxon

O 2º Prémio foi atribuído ao gabinete Moxon Arquitects Limited do Reino Unido, e a uma proposta que, de acordo com o próprio, “combina uma forma inconfundível e de fácil acesso com a sensação de segurança e de protecção. O princípio estrutural, a forma tridimensional, a materialidade e o método construtivo foram levados em conta para apresentar um projecto que é física, económica e filosoficamente robusto”. O 3º Prémio foi entregue ao colectivo Impromptu Arquitectos + Selahattin Tuysuz Architecture, de Portugal, e a um projecto que, segundo os seus autores, se assume “como um objecto icónico que ‘pousa’ delicadamente sobre a movimentada via rápida de Lisboa – a Segunda Circular”. A proposta é baseada na forma de um “oito” e combina num objecto único e contínuo os três principais componentes de uma ponte: o tabuleiro, as duas rampas de acesso e o arco de suspensão. Uma das suas características é a de que “a sua geometria própria gera uma experiência visual dinâmica, possuindo uma imagem que se altera consoante o local por onde é aproximada, quer seja por pedestres, por ciclistas ou mesmo pelos automobilistas”. Foram ainda atribuídas duas menções honrosas, nomeadamente ao Studio Kawamura Ganjavian (Espanha) a aos arquitectos portugueses do Atelier do Cardoso, sediado em Espanha, bem como, uma menção especial aos arquitectos portugueses Tiago Barros e Jorge Pereira.



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