Pop Dell’Arte

O Fórum Lisboa testemunhou o regresso aos palcos da mítica banda de João Peste.

Integrado na iniciativa «For U Music II», João Peste, Zé Pedro Moura, Luís San-Payo, Tiago e Paulo Monteiro são os novos Pop Dell’Arte que, de volta aos palcos depois do último concerto a 10 de Julho de 2004, reviveram na noite de quarta-feira, com centenas de pessoas a vibrar, os temas que os tornaram um dos mais emblemáticos e inovadores grupos nacionais, nas décadas de 80 e 90 e ainda hoje uma das mais criativas bandas portuguesas.

O espectáculo de Pop Dell’Arte que decorreu no passado dia 27, no Fórum Lisboa, foi um colorido artístico, com que os muitos girassóis e flores pintavam o palco, e levou até ao espectador uma deslumbrância visual ao longo de todo o concerto.

A entrada com «Berlioz» é formal, de camisa, gravata e um blaser no corpo desajeitado. João Peste procura as poses para a fotografia e não se faz rogado para conquistar a melhor imagem no melhor sítio.

Se em termos criativos o grupo deixa memórias, a sua performance musical mostra um lado mais experimental, cujo efeito visual, num ecrã gigante, procura transmitir as diversas mensagens que em francês, inglês e português os Pop Dell Arte revelam em «Rio Line», a nova música apresentada, «Apollo», « Janis pearl» e « H2t».

Mas é, contudo, o timbre da voz de João que totalmente a solo, encanta, em português, com “Noite de Chuva”, e, em inglês com “Moon in your room”. O público aplaude os minutos preciosos de pureza musical com que é brindado.

Em formato “Best of”, os Pop Dell Arte emanam ritmos simples, com sons peculiares vindos do computador e totalmente reconvertidos para guitarras destorcidas, bateria de ritmos aleatórios e um trompete de bolso, que se individualiza, na já desconcertante ” pop “ que nos é dada a ouvir.

A linha melódica é monótona e repetitiva, característica da banda que requer a especial atenção em “Querelle”, cujo teor masculino nos é apresentado visualmente em ecrã gigante em formato “cowboy” fio dental, com chamadas de atenção explícitas à sexualidade masculina.

Alguns problemas técnicos quase ditaram a morte do artista. Mas nada que os 20 anos de carreira não soubessem contornar com uma reentrada «Poppa Mundi», «Poligrama, e o psicótico repetitivo «So goodnight».

Finalizado o encore com «Esborre», centenas de fãs correram ao encontro do palco para ter, em memória viva, algo que lhes recordasse os raros concertos de Pop Dell’Arte, e aquilo que foi um pico de criatividade, tornou-se num palco despido e cinzento.

Ficou a promessa de João Peste e José Pedro Moura para um novo álbum e novos cenários.



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