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“Porto” | Board Game

A frente ribeirinha da invicta num tabuleiro.

Os jogos de tabuleiro vieram para ficar. Uma frase que se ouve cada vez mais no dia-a-dia e que considero ser uma grande verdade. Cada vez mais na moda, os jogos de tabuleiro proporcionam grandes tardes ou noite de entretém para grupos de amigos. A suportar esta verdade está o crescente número de jogos que aparece de ano para ano no panorama mundial. Como não podia deixar de ser, os portugueses não deixam créditos por mãos alheias e, exemplo disso, são os vários autores nacionais que contam já com vários títulos lançados.

É nesse âmbito que surge o jogo Porto, do autor Orlando Sá, lançado em 2019 pela MEBO Games, uma editora, também ela, nacional, embora com ambições internacionais, à qual agradecemos a oportunidade de experimentar este belíssimo jogo.

Porto é um jogo familiar para 1 a 4 pessoas, para jogadores a partir dos 8 anos, de dificuldade mínima e com duração aproximada de 1 hora.

Mas para explicar em que consiste, vamos fazer como Jack “o estripador”, vamos por partes.

Primeiro, avaliando o conteúdo, temos uma caixa de cartão, não muito rígida, como a maioria dos jogos que estão no mercado hoje em dia. O tabuleiro é de cartão bastante firme e resistente, o que permite uma boa durabilidade. As peças do jogo consistem em cartas, pequenas peças de cartão e 4 marcadores em madeira para a pontuação dos jogadores. Tudo isto é material standard para a grande maioria de jogos da actualidade. No entanto devo sublinhar que a qualidade das cartas é o que realmente deixa a desejar neste jogo, isto porque até terem algum uso colam-se muito umas nas outras, mas, nada que protectores de cartas em plástico não resolvam e até se recomenda para aumentar a durabilidade do material. Vem ainda com 4 manuais de instrução, em português, inglês, espanhol e alemão. Neste capítulo, como estivemos vários a ver as regras, encontrámos uma discrepância na versão inglesa para a portuguesa, numa regra referente ao saque de cartas de contratos públicos. Embora isso seja sempre fácil de resolver, o português impera sempre!

Segundo, o jogo! Porto é um jogo bastante simples, o que puxa a jogar com a família, incluindo os mais novos. Tem um excelente livro de regras, bem definido e bem explicado. É fácil de aprender, e sobretudo, uma coisa muito importante neste tipo de jogos, é fácil de explicar a quem vai jogar connosco.

Porto consiste num jogo em que temos de construir prédios na frente ribeirinha da cidade do Porto usando para isso mecânicas de sacar cartas e colocar ladrilhos. Inicialmente cada jogador recebe 5 cartas de contrato privado, escolhendo 3 delas. Estas irão ser contabilizadas somente no final do jogo e como tal não são mostradas aos outros jogadores até ao fim. O jogador na sua vez pode sacar cartas ou colocar os ladrilhos que representam os pisos dos prédios. As cartas têm 5 cores que representam por sua vez as cores que se podem construir os prédios. Estas têm o valor de 1 a 3 podendo ser sacadas sem ultrapassar o valor facial total de 3. Para colocar os ladrilhos (pisos do prédio) são sempre usadas 2 cartas, 1 delas para representar a cor do edifício que será construído e a outra para indicar quantos pisos são construídos através do valor facial. A construção de um prédio não pertence somente a um jogador, isto quer dizer que qualquer jogador pode de seguida construir outros pisos no mesmo prédio, tornando o jogo muito interactivo e influenciando sempre a estratégia de jogo. Ao construir podemos cumprir contratos públicos que estão sempre disponíveis e visíveis para todos os jogadores, dando pontos de vitória por contrato cumprido. Cada piso construído também representa pontos, bem como construir ao lado de outros prédios que tenham pisos adjacentemente construídos. Isto tendo sempre em mente que moldamos a construção da cidade tendo em vista os nossos contratos privados que irão ser pontuados no final do jogo.

Como notas finais, uma das coisas que mais me chama a atenção neste jogo é sem dúvida o tabuleiro, que é uma obra de arte. O design gráfico deste jogo é qualquer coisa de deslumbrante. Com ilustração a cargo de Luís Levy Lima, a obra criada imerge-nos na frente ribeirinha da cidade do Porto e tem tantos, mas tantos pormenores deliciosos, que acabei por ficar cerca de 10 minutos só a apreciar alguns pontos de interesse. Fica ainda a apreciação que pessoalmente faço, como daltónico que sou, não havendo muitos jogos que pensem de antemão nas cores que são colocadas nos mesmos, este jogo tem, por cada cor, um desenho específico, facilitando muito a minha vida.

É um jogo bastante equilibrado com boa distribuição de pontos e deixando pouco ao factor sorte. É sem dúvida um bom jogo familiar devido à simplicidade e facilidade com que se começa a jogar e à duração do mesmo. Tem boa re-jogabilidade, ou seja, devido à randomização das cartas de construção, de contratos públicos e mesmo as de contrato privado, cada jogo é sempre diferente do jogo anterior.



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