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“Portugal das Bifanas”

De rir e chorar por mais

Senhoras e senhores, meninas e meninos, tomem os seus lugares e apertem o cinto porque o espectáculo “Portugal das Bifanas” já começou. A hospedeira Paula irá levar-vos nesta jornada pelo íntimo de oito personagens diferentes encarnadas por um só actor, o dinâmico e talentoso Telmo Ramalho. A sementinha que deu origem a esta ideia foi a peça “Paranormal” de Joaquim Monchique. Telmo viu e achou que seria engraçado fazer uma peça em que o processo de mudança de personagens coincidisse com a mudança de trajes. O artista aproveitou retalhos de exercícios feitos durante o seu curso na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, juntou-os com outras criações suas, e o actor José Renato Solnado ajudou-o na construção e encenação deste one man show. Telmo inspirou-se na sua vivência como guarda-florestal no Parque Natural do Douro Internacional durante oito anos. As personagens que o actor nos dá a conhecer não são meros “bonecos” estereotipados ou imaginados; são pedaços da sua vida, de pessoas que lhe foram próximas.

Ao longo do espectáculo, o público será surpreendido com a dinâmica e rapidez com que Telmo muda e encarna as várias personagens, todas tão diferentes e peculiares. Começa por interpretar Paula, uma hospedeira sorridente e sempre prestável a orientar o público nesta viagem pelo “Portugal das Bifanas”. Posteriormente, Telmo veste várias peles entre as quais a de Golias, um homem do campo surpreendido com os olhares da cidade, um bombeiro atrapalhado, uma stripper desastrada, um mágico frustrado e um doente de Síndrome de Tourette.

Perguntamo-nos, como é que o Telmo veste e despe, física e emocionalmente, tantas personagens em tão pouco tempo? Como é possível transformar-se continuamente e qual o truque para não fazer esperar o público? O actor revelou que a própria mudança de roupa ajuda no processo de encarnação das personagens – “se me vestisse todo de preto e mudasse apenas os adereços, o processo de interpretação de cada personagem não seria tão eficiente; a própria mudança da indumentária ajuda no reconhecimento e integração das diferentes personagens”. As mudanças de roupa são acompanhadas por projecção de vídeos e separadores que prolongam as gargalhadas frenéticas do público.

A peça “Portugal das Bifanas” já esteve em cena duas vezes: em 2008 na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul e 2010 na Casa da Comédia. Estará agora em cena, até final de Novembro, no Teatro-Estúdio Mário Viegas, para completar um ciclo, e começar depois, quem sabe, a trabalhar numa sequela. Telmo revelou que “este espectáculo está sempre em construção e aberto ao feedback do público”. Existem detalhes que vão sendo acrescentados, retirados ou transformados mediante a reação dos espectadores e do que o artista vai sentindo necessário mudar.

Numa era em que o público está cada vez mais habituado às novas tecnologias, este é outro exemplo de sucesso em que cruzamento do cinema, da música e do teatro potenciam a acção em cima do palco.

Telmo Ramalho regressa com esta peça louca dia 18 de Janeiro, às 22:00, na Fábrica do Braço de Prata, apenas para mais UMA edição, Ficamos a torcer para que surjam novas oportunidades como esta.



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