PR#7 – O Homem que Julgou Morrer de Amor

de Manuel Jorge Marmelo.

Escrita, na versão original, em 1994 (e editada em 1996), a novela “O homem que julgou morrer de amor”, que marcou a estreia literária de Manuel Jorge Marmelo, foi agora reeditada pela Campo das Letras, numa edição revista e reescrita pelo autor. A honestidade leva-me a assumir que não vai ser feita uma comparação entre a presente edição e a original, uma vez que apenas li esta última.

Esclarecendo desde já o título, “O homem que julgou morrer de amor” é Transímaco e o objecto do seu amor é Helena, escrava do mestre Sócrates. A história decorre com a Grécia clássica, mais precisamente Atenas, como pano de fundo e relata a paixão de Transímaco por Helena e as implicações que esse amor inconcebível têm na sua vida, levando-o a dedicar um ódio irracional a Sócrates.

Passando por alguns temas da filosofia socrática e platónica, misturando factos históricos com ficção, o tema central desta obra é mesmo o amor (que está presente no título), mas também o ódio, que é, afinal de contas, fruto desse mesmo amor. Neste aspecto, Manuel Jorge Marmelo conseguiu retratar bem os estados de espírito de Transímaco e as suas evoluções à medida que a trama se vai desenrolando, até ao culminar em jeito de tragédia, ou não fosse esta uma história passada na Grécia Antiga.

A escrita de Manuel Jorge Marmelo é lúcida e clara, mesmo recorrendo o autor a construções frásicas mais complexas. No entanto, é estranho como, mesmo estando bem escrita, esta novela deixa uma sensação de alguma imaturidade literária do autor. Para tal, não será, com certeza, alheia a trama da novela, que peca pela falta de originalidade e demasiada simplicidade. A inocência da história também não combina bem com o cenário da Grécia Antiga, pelo que esta mistura do histórico com o ficcional não me parece ter sido bem conseguida.

Contudo, o balanço é positivo. É uma novela que não deixa de ser bela, que está bem escrita e que se lê muito bem. Sem dúvida uma boa opção para leitura de Verão. Além disso, Manuel Jorge Marmelo é um escritor a ter em atenção, um nome a reter no panorama literário português.



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