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PRÉMIOS SOPHIA

Uma noite sem surpresas dedicada à resiliência.

A 8.ª edição da entrega dos prémios da Academia Portuguesa de Cinema foi diferente das anteriores como, aliás, têm sido todos os eventos deste ano de 2020. Sem serviço de catering, menos cadeiras, mais distância entre os convidados dentro da sala e claro, a utilização de máscaras, foram algumas das adaptações deste evento às circunstâncias atuais. Até aqui não há surpresas. Porém, ‘surpresa’ não é a palavra que melhor descreve a noite de 17 de setembro no salão Preto e Prata do Casino Estoril emitida pela RTP2, mas sim ‘resiliência’, apesar de não ser do agrado da anfitriã habitual – Ana Bola. A apresentar a gala juntamente com Ana Pais de Brito, Ana Bola não se acanhou nas piadas. Umas mais honestas do que outras, trouxeram humor e leveza a um evento tão formal, como por exemplo “56 anos é mais ou menos o que se espera pelos apoios do estado”. No entanto, quem abriu a noite foi o Sr. Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, através de um vídeo, onde menciona a premiação de Ana Rocha de Sousa no festival de cinema de Veneza e a homenagem ao produtor Paulo Branco na Cinemateca.

Os vencedores desta edição dos prémios Sophia foram anunciados na seguinte ordem:

  • Melhor Curta-metragem de Animação – Tio Tomás, A Contabilidade dos Dias, de Regina Pessoa;
  • Melhor Curta-metragem de Documentário – Raposa, de Leonor Noivo;
  • Melhor Curta-metragem de Ficção – A Fábrica, de Diogo Barbosa;
  • Melhor Actriz Secundária – Ana Vilela da Costa, A Herdade;
  • Melhor Actor Secundário – Filipe Duarte, Variações;
  • Sophia Estudante – Loop, de Ricardo M. Leite pela Escola Superior de Media Artes e Design;
  • Melhor Maquilhagem e Cabelos – Magali Santana e Gena Ramos, Variações;
  • Melhor Efeitos Especiais/Caracterização – Irmã Lúcia e João Rapaz, Diamantino;
  • Melhor Guarda-Roupa – Patrícia Dória, Variações;
  • Melhor Direcção Artística – Artur Pinheiro, O Grande Circo Místico;
  • Melhor Documentário em Longa-Metragem – Até que o Porno Nos Separe – Jorge Pelicano (realização), Irina Calado (produção) produções Até ao Fim do Mundo;
  • Melhor Banda Sonora Original – Armando Teixeira, Variações;
  • Melhor Canção Original – Quero dar nas Vistas, Variações, letra de António Variações, interpretação de Sérgio Praia e música de Balla Variações;
  • Melhor Argumento Adaptado – Tiago Rodrigues e Tiago Guedes, Tristeza e Alegria na Vida das Girafas, inspirado na peça de teatro homónima de Tiago Rodrigues;
  • Melhor Argumento Original – Rui Cardoso Martins e Tiago Guedes, A Herdade;
  • Melhor Som – Branko Neskov, Nuno Bento e Tiago Raposinho, Variações;
  • Melhor Montagem – Roberto Perpignani, A Herdade;
  • Melhor Série/Telefilme – SUL, Ivo M. Ferreira (realizador), Edgar Melina (produtor), produções Stopline Films;
  • Melhor Atriz Principal – Sandra Faleiro, A Herdade;
  • Melhor Ator Principal – Sérgio Praia, Variações;
  • Melhor Realizador – Tiago Guedes, A Herdade;
  • Melhor Filme – A Herdade, Paulo Branco (produtor), produções Leopardo Filmes.

Para receber o prémio atribuído a Filipe Duarte sobe ao palco Joana Solnado para ler uma carta escrita pela esposa do actor, então falecido a 17 de Abril. O ator foi mencionado várias vezes por colegas do filme, inclusive pelo vencedor do Sophia de melhor ator – Sérgio Praia – como era de se esperar, depois da sua tão elogiada interpretação. Ao anunciar o vencedor Isabel Ruth, vencedora do Sophia de melhor atriz na edição anterior, antes de ler o nome escrito no envelope deixou escapar um “como é óbvio”.

A entrega do prémio Sophia Estudante foi apresentada pelo Presidente da Academia Portuguesa de Cinema – Paulo Trancoso – que fez vários agradecimentos, entre os quais à Cinemateca, ao ICA, à Câmara Municipal de Cascais, à NÓS e a Patrícia Vasconcelos pela criação do programa Passaporte.

E, sem grandes surpresas, os vencedores da noite foram os filmes com mais nomeações: A Herdade e Variações arrecadaram ambos sete prémios cada. Vitalina Varela e Snu, nomeados em seis e cinco categorias respectivamente, saíram de mãos a abanar. Em tempos em que a diversidade é cada vez mais discutida seria interessante ver uma mulher a disputar o lugar de melhor de realizadora ou, ver uma história tão crua e verdadeira como a de Vitalina Varela a levar o prémio de melhor argumento original. Paulo Branco, como produtor de A Herdade, subiu ao palco para receber o prémio mais aguardado da noite, o Sophia de melhor filme. No entanto, a sua reação foi inesperada “Eu sei que quando acabar esta festa todos nós vamos voltar às guerrilhas, às pequenas coisas e às invejas. Não vamos a lado nenhum se for assim. Não podemos exigir mais às instituições ser entre nós não mudarmos completamente a maneira de olharmos uns para os outros.” Complementando o que foi dito ao longo da gala a propósito das dificuldades do cinema português disse ainda “O cinema não é sequer o sector da cultura que está a sofrer mais. Há sectores que estão a sofrer muito mais. Escandalosamente mais.” E, posto isto, o produtor decidiu não levar o prémio, desejando mais espírito de entreajuda daqui para a frente.

Esta edição dos prémios da Academia Portuguesa de Cinema foi sendo intervalada por momentos musicais relacionados com os filmes dos homenageados com o prémio Sophia Carreira. Alfredo Tropa foi relembrado pelos músicos Sérgio Godinho e Filipe Raposo, António-Pedro Vasconcelos foi homenageado com uma atuação de Paulo de Carvalho e o filho Agir e, Fernando Matos Silva viu o seu filme O Mal-amado – 1.º filme a estrear após o 25 de Abril relembrado pela sua protagonista (Maria do Céu Guerra) e pela atuação de Manuel Freire. Uma vez que não estavam presentes na gala, foram apresentados vídeos dos mesmos a receberem o prémio à exceção de Alfredo Tropa, cujo prémio foi recebido pela viúva e também realizadora Teresa Olga. O momento In Memoriam, dedicado aos artistas que nos deixaram, foi também ele um momento musical acompanhado ao som da guitarra portuguesa com Gaspar Varela. Os 50 anos do Centro Português de Cinema também não passaram aqui em vão e para os celebrar, foi exibida uma montagem de vários projectos realizados em Portugal ao longo destes anos.

A noite acaba com imagens de vários filmes que, apesar das dificuldades que este ano trouxe a toda a comunidade artística em Portugal, continuam a ser feitos e que podem, eventualmente, ser os nomeados da 9.ª edição da entrega de prémios da Academia Portuguesa de Cinema, fazendo assim jus ao sentimento de resiliência de que se falava no início da gala.



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