Prey-Demo

Prey | Análise

Se tinham medo dos xenomorphs, esperem até conhecer os mimics...

Pela mão do estúdio responsável pela brilhante série Dishonored, chega-nos Prey, um FPS da Arkane Studios que vai fazer os jogadores desconfiarem da loiça lá em casa. Já vos explico…

Jogar Prey é quase como ver o Despertar da Força, o último filme da linha principal de Star Wars. Em todos os seus momentos há uma sensação de familiaridade que nos faz sentir em casa, sendo este o sucessor espiritual do segundo capítulo de System Shock. Mas não fica por aí, já que as influências de outros grandes títulos FPS são também notórias. Desde Half Life, passando por Bioshock e claro pelo outro grande título da Arkane Studios, Dishonored. As mecânicas de jogabilidade, as temáticas e até o próprio design de níveis possuem tanta influência destes títulos que é acolhedor percorrer os seus corredores. Contudo, essa sensação de bem estar é só superficial, até darmos de caras com as monstruosidades que percorrem Talos-1 que são dignas dos nossos piores pesadelos.

Prey é um jogo de ficção científica jogado na primeira pessoa e cuja narrativa acontece em 2032, num universo paralelo ao nosso. A acção principal acontece em Talos-1, uma estação espacial de investigação e cada um dos seus cantos é único e transmite uma sensação de espaço habitado ou recém abandonado. E os pormenores que encontramos deixam-nos ávidos de explorar cada vez melhor a estação, na qual podemos por exemplo encontrar referências a personagens históricas que morreram no mundo real e que aqui tiveram tempo suficiente para influenciar a humanidade para novos caminhos. Só não vos vamos é desvendar quem são…

Neste contexto encarnamos o papel de Morgan Yu, uma personagem que pode ser feminina ou masculina conforme a nossa decisão e que é a cobaia de alguns testes científicos pouco ortodoxos e cuja memória é danificada como resultado desses mesmos testes. O caos instala-se quando uma presença alienígena, os Typhon, aparece em Talos-1. Os membros mais pequenos destes alienígenas – os mimics – possuem a horrorosa capacidade de se transformar em qualquer objecto, o que, só por si, é mais do que suficiente para instalar o nervosismo nos jogadores. Nunca sabemos quando podemos ser atacados por uma chávena de café, uma peça de equipamento ou até um rolo de papel higiénico (entenda-se pelos mimics mascarados destes mesmos objectos). Estes seres provocam verdadeiros momentos de grande tensão no início do jogo, sobretudo porque os equipamentos que facilitam os encontros contra estas pequenas pestes demoram algum tempo a conseguir. Não obstante, foi destes primeiros confrontos com os mimics e depois alguns momentos com os bosses do jogo que retive as melhores memórias de encontros com os Typhon, sendo que as restantes espécies desta raça são menos criativas e interessantes.

Explorar Talos-1 oferece alguma liberdade aos jogadores, à medida que vão adquirindo acesso às diferentes zonas da estação espacial e vão avançando na narrativa de Prey. Em vários momentos, o jogo obriga-nos a voltar atrás, seja para completar um determinado objectivo ou para abrir um novo caminho para uma zona que ainda não havíamos ainda desbloqueado. Graças ao fato espacial de Morgan Yu, os jogadores são também convidados a fazer alguma exploração fora da estação espacial através dos detritos desta que preenchem o vácuo em seu redor. Passar de uma zona para outra, requer um tempo de espera com um ecrã de carregamento de cada nível, com uma dupla barra de loading, algo que por vezes torna a exploração aborrecida.

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Para facilitar a nossa vida contra os Typhon, podemos ir melhorando as nossas armas e habilidades. Graças aos Neuromods, um produto para melhorar as nossas capacidades, podemos ir ganhando níveis para desbloquear novas capacidades e melhorar outras. Desde a capacidade para descodificar e usar computadores e maquinaria defensiva da estação, como turrets, assim como a melhoria das nossas capacidades de cura e de ataque. A partir de certa altura, passamos também a conseguir usar as capacidades dos Typhon. Conseguiremos teleportar objectos de um sítio para o outro e também, claro, mascarar-nos de chávena de café e vingar-nos de todos aqueles mimics que nos apanharam desprevenidos no início do jogo.

Visualmente, Prey está muito bem conseguido, destacando-se como já referi o excelente design de níveis. Na versão que testámos, para PC, as texturas são brilhantes e sem falhas e compõem todo o ramalhete gráfico que é de excelência em Prey. Também ao nível da componente áudio, Prey está bem conseguido, com a música a entrar nos momentos mais tensos e os sons dos Typhon a fazerem arrepiar a espinha, sobretudo quando já os “topámos” e estamos a tentar evitar confrontos mais complicados.

Uma estação espacial que é um mimo de explorar num jogo que se sente familiar em todas as suas linhas de jogabilidade, torna Prey num jogo fácil de recomendar aos fãs de Bioshock ou Dishonored. A Arkane Studios conseguiu uma mistura muito inteligente entre a ficção científica e o género de horror que tão poucos (Dead Space e pouco mais) tinham conseguido trazer de uma boa forma para o mundo dos videojogos. Experimentem Prey e depois digam-me se conseguem olhar para a vossa loiça lá de casa da mesma forma…



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