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PROCESSO: FADAS

Serão “os fadas” reais?

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O interesse pela história da fotografia levou até Rita Lello provas da existência de fadas ou a prova de como uma brincadeira entre miúdas se pode tornar numa crença de adultos.

Foi há precisamente cem anos que as primas Elsie e Frances ficaram conhecidas através da imprensa britânica, por causa de um artigo do autor de Sherlock Holmes, Sr. Arthut Conan Doyle. Estas meninas iam brincar para junto de um riacho e diziam ver fadas. Como ninguém acreditava nelas, decidiram tirar fotografias com ilustrações de fadas e outros seres do mundo dos elfos, que recortavam dos livros de fantasia. Numa altura em que o conhecimento sobre a fotografia ainda era prematuro e o sentimento pós-guerra ainda afetava as pessoas, muitos foram os que acreditaram na existência destes seres – e Conan Doyle foi um deles. Segundo a pesquisa da encenadora deste espetáculo, as fotos passaram pelas mãos e o olhar atento de muitos especialistas para comprovar a sua autenticidade.

Para levar esta história a crianças (e porque não, também aos mais graúdos), são apresentados em cena fotos e vídeos recolhidos, reconstituições das conversas das primas dentro de um mini quarto e a apresentação excêntrica de Edward Gardner, um especialista em elfologia, interpretado por Adérito Lopes. Ao longo da apresentação dos factos que constituem esta história, e que é a base do espetáculo, procura-se uma interação com o público, principalmente com os mais novos, onde há espaço para falar sobre a existência das fadas, se acreditam nelas ou até se já as viram (os miúdos parecem conhecer todos uma tal Sininho, vai-se lá saber porquê), dar a provar um dos alimentos que elas apreciam “os bagas vermelhas em copinhas”, e ainda um passeio pela platéia com a senhora Poli que, aparentemente, vê “os fadas”.

A imitação de um sotaque inglês e a constante discordância de género entre artigos e nomes é talvez uma das primeiras coisas a estranhar, mas é a característica que dá mais graça a esta encenação e que, curiosamente, foi encontrada numa brincadeira durante os ensaios. Mas quem vai assistir ao espetáculo precisa ter cuidado para não sair contagiado por este “português inglesado”.

A investigação sobre estas fadas de Cottingley poderia ter seguido muitos outros caminhos, mas cingiu-se à partida das duas meninas que acabaram por ser coagidas a tirar mais fotografias para alimentar uma crença num mundo mágico. Cem anos depois e recorrendo ao estilo do Teatro Documental, esta produção da Barraca procura instalar a reflexão sobre a verdade e a mentira, o siginificado do espiritual e do material para com os mais pequenos, havendo também espaço para os aqueles que os acompanham e que de certeza também se divertem.

Um espetáculo para ver e encantar até dia 30 de abril no Teatro Cinearte.

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Ficha Técnica/Artística:

Texto e Encenação: Rita Lello
Assistente: Rita Soares
Figurinos: Maria do Céu Guerra
Costureira: Zélia dos Santos
Espaço cénico: Rita Lello
Execução do cenário: Marta Fernandes da Silva
Assistência a Montagem: Paulo Vargues e Fernando Belo
Desenho de luz, Vídeos: Paulo Vargues
Sonorização: Ricardo Santos
Fotografia: MEF – Movimento Expressão Fotográfica
Design Gráfico: Arnaldo Costeira
Relações públicas e Produção: Inês Costa, Paula Coelho e Sónia Barradas
Elenco: Adérito Lopes, Sara Rio Frio, Rita Soares, Sónia Barradas.
Elenco Filminhos: Ruben Garcia, Sérgio Moras.
Locuções: Maria do Céu Guerra, Paula Guedes, Samuel Moura.

 

Classificação etária: M/4
Duração do espectáculo: 60 m
Preço dos Bilhetes: 8€

 

Galeria



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