Quentin Tarantino

Pequena crítica ao seu último filme - Kill Bill - e a biografia de um dos génios de Hollywood

“A vingança é um prato que se serve frio”

Este é o mote do filme. Uma Thurman é “A Noiva” em Kill Bill e fará de tudo para poder vingar-se dos membros do Deadly Viper Assassination Squad, também conhecido por DiVAS, liderada por Bill (David Carradine), que tentaram matá-la quando ela quis sair da organização e “assentar”. Depois de espancada e com um tiro na cabeça, a noiva é abandonada numa igreja juntamente com nove cadáveres, mas quatro anos depois acorda de um coma profundo com um único objectivo em mente… matar Bill.

A primeira vítima do seu objectivo é O-Ren Ishii (Lucy Liu), a chefe do mundo subterrâneo yakuza. Para tal, ela viaja até Okinawa para obter uma espada feita pelo último dos grandes fabricantes de espadas samurai, Hattori Hanzo. Com a espada na mão, viaja até Tóquio onde arrasa os Crazy 88’s (guardas pessoais de O-Ren Ishii), Go Go Yubari (Chaiki Kuriyama). A batalha termina com a luta entre a noiva e O-Ren num cenário clássico, na já famosa sequência «The Showdown at the House of the Blue Leaves».
Uns dias depois, em Pasadena, A noiva segue para o número dois da sua lista, Vernita Green (Vivica A. Fox). No final da batalha, a presença da filha deixa no ar uma possível vingança, tal e qual como a que A noiva busca.

O filme emana influências do seu realizador, Quentin Tarantino, desde o Western Spaghetti aos filmes de Samurais, passando pelo Anime e pelos filmes chineses de artes marciais. A alusão a Bruce Lee através da roupa usada pela Noiva na batalha no Japão é um dos indícios dessas influências bem como o facto de abrir com o logótipo da Shaw-Scope, a maior companhia cinematográfica chinesa. Como seria de esperar de Tarantino, o sangue é uma presença constante e obriga a que uma das cenas do filme, a batalha com os Crazy 88’s, seja mostrada a preto e branco pois, caso contrário, seria impossível de ser vista. Apesar de ter muito sangue e membros cortados ao quilo, torna-se hilariante ver litros e litros de sangue falso jorrar como se de uma fonte se tratasse. foram usados 400 litros de sangue falso e foram usados preservativos chineses para fazê-lo jorrar. Também fundamental durante todo o filme, é a banda sonora. A escolha dos temas não podia ser melhor e prepara o espectador para as cenas com mais acção. Definitivamente um dos melhores filmes do ano que só peca por estar dividido em duas partes. É o tipo de filme em que se está três horas na sala de cinema sem qualquer problema.

Biografia de Quentin Tarantino

Quentin Tarantino nasceu a 27 de Março de 1963 em Knoxville, Tennessee e é filho de uma estudante de educação de infância com 16 anos com o nome de Connie e um estudante de direito e aspirante a actor com 21 anos de seu nome Tony. Muito a propósito, o nome de Quentin deriva do nome de uma personagem interpretada por Burt Reynolds na série “Gunsmoke”. Quando Quentin tinha 2 anos, mudaram-se para Los Angeles. Desde muito novo que Quentin frequenta as salas de cinema, tornando-se um apaixonado pela sétima arte.

Com 22 anos, trabalha num arquivo de vídeo, num clube de vídeo em Manhattan Beach, na Califórnia onde, juntamente com Roger Avary passava os dias a ver, a discutir e a sugerir vídeos. O seu primeiro trabalho, por terminar, data de 1986 e intitula-se “My Best Friend’s Birthday”, escrito com o seu colega da escola de actores Craig Hamann. Seguiu-se o seu primeiro guião um ano depois com o nome de “True Romance”
Durante este período, ia às aulas de representação e elaborou um Curriculum Vitae da sua inexistente carreira como actor que incluía um papel desempenhado no filme “King Lear” de Jean-Luc Godard, porque ninguém em Hollywood conheceria o filme ou o realizador, e “Dawn of the dead” de George Romero porque era parecido com um motard que aparecia numa das cenas.

Em 1988, Tarantino escreveu o seu segundo guião “Assassinos Natos” e em 1990 vendeu o guião de “True Romance” por 50 mil dólares. Decidiu usar esse dinheiro para realizar o seu terceiro guião, “Cães danados” em 16mm e a preto e branco com os seus amigos como actores principais. Foi neste ponto que Tarantino saiu do clube de vídeo para reescrever guiões para a CineTel, uma pequena empresa cinematográfica de Hollywood e conheceu Lawrence Bender e Harvey Keitel que leu o guião e conseguiu mais financiamento para a sua realização e ajudou Tarantino a escolher os actores para os papéis. Aqui, os produtores Monte Hellman e Richard Gladstein também se juntaram ao projecto.

Finalmente, “Cães danados” estreou em Sundance’92 antes de aparecer em vários festivais um pouco por todo o mundo. A Miramax fez a distribuição do filme e foi lançada nos Estados Unidos em 1992 e no Inglaterra em 1993.
Ao mesmo tempo que promovia este filme, Tarantino ia escrevendo o seu próximo guião, “Pulp Fiction” que ganhou o Palme D’or em Cannes em 1994.

Este filme veio a ser um dos mais aclamados filmes de 1994, arrecadando cerca de 100 milhões de dólares no mundo inteiro e sendo nomeado para o Óscar de melhor filme, melhor realizador, melhor actor, melhor actor secundário, melhor actriz, melhor edição, ganhando o Óscar para argumento mais original.
Depois deste sucesso, tornou-se um dos grandes de Hollywood, produzindo, distribuindo filmes através da Miramax, sendo co-realizador do filme “Four rooms”, dirigiu também um episódio da famosa série “ER” e fez inúmeras actuações em filmes e na TV.

Em 1996, Tarantino e Robert Rodriguez criam “From dusk till dawn”, sendo Rodriguez o realizador. Além de ter escrito o guião, também foi co-produtor do filme e fez o papel de “Richard Gecko” ao lado de George Clooney. No mesmo ano, também apareceu no filme “Girl 6”, desempenhando-se a si mesmo.

Como fã e amigo de Elmore Leonard, em 1997 decidiu fazer o filme “Jackie Brown” baseado no livro de Leonard “Rum Punch”

Após seis anos parado, presenteia-nos em 2003 com uma obra-prima, Kill Bill.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This