imagem-para-header-do-artigo-qqs-header1

Quick, Quick, Slow

Exposição integrada na EXD 09, patente no Museu Colecção Berardo.

Uma das quatro grandes exposições da Experimenta Design inaugurou ontem, um dia depois do arranque oficial do evento. Comissariada pela britânica Emily King, “Quick, Quick, Slow – Texto, Imagem e Tempo”, para ver até dia 29 de Novembro no Museu Colecção Berardo, em Lisboa.

Com projectos em suporte impresso, plataformas interactivas e imagens em movimento, a mostra permite analisar a dimensão do tempo no Design Gráfico, explorando as mudanças nos modos de produção, transporte e comunicação ao longo do último século.

É então traçada uma história do Design Gráfico da perspectiva da relação com o tempo, tendo em conta o movimento, a aceleração e o fluxo. Enquanto que os primeiros períodos do séc. XX se caracterizam pelo sentimento de aceleração e as décadas de 50 e 60 são marcadas pelo efeito de hesitação no ritmo das palavras na página impressa, no final dos anos 80 e princípio da década de 90 surge uma nova geração de Designers que trabalham pela primeira vez com as tecnologias digitais e transmitem uma sensação de abundância e pouco dinamismo.

Colocando a tónica na sensação de tempo e não tanto na sua gestão,  a  “Quick, Quick Slow” encontra-se dividida em cinco secções: Tempo de Vanguarda, Dinamismo Comercial, Batidas Perdidas, Estratificação Digital e o Momento pós-Milénio.

“Cada painel tem uma cor diferente, que significa que de alguma forma na minha cabeça pertenceria a outra categoria de cronologia temporal. Não é necessário  seguir exactamente esta ordem, é apenas para sugerir diferentes formas de pensar o tempo”, afirma a curadora.

Os avanços tecnológicos, científicos e culturais têm alterado a nossa percepção e apreensão do tempo. O início do século XX, com a sua forte experimentação cultural na Europa, encontrou na forma gráfica, privilegiada pela combinação de imagens e textos e pela fácil produção e distribuição, o principal meio de expressão da vanguarda. Para além da página impressa, cineastas como Walter Ruttman exploraram as capacidades abstractas da animação, evoluindo posteriormente para genéricos de cinema, grafismos para peças publicitárias de televisão ou videoclips.

Numa reflexão sobre a conjuntura actual, a exposição analisa aspectos como a importância do meio digital e atenta nas soluções propostas pelos designers para ocupar o espaço do tempo, numa mudança direccionada para uma vertente mais humana, mais natural.

Exemplo da interactividade das obras expostas é “Dance Writer de Peter Bil’ack”. O programa permite aos utilizadores que escrevam o mais rápido que conseguem, enquanto um bailarino da Netherlands Dans Theater vai desenhando letras com o corpo, ao seu próprio ritmo.

Através da sequência de imagens impressas, controladas por qualquer um através do manuseamento de um pequeno livro, é ainda criada a ilusão de passagem do tempo com os “Flick Book Illusions” de Oona Culley.

Estes são apenas alguns exemplos do que se pode ver (e tocar) nesta obra de reflexão que tem por base a relatividade do sentido do tempo, está associada à memória e, consequentemente, à qualidade das experiências.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This