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Quinzena de Dança de Almada

A 17º edição decorre em Setembro e promete mostrar o melhor da Dança Contemporânea.

Na época de todas as rentrées, a Companhia de Dança de Almada apresenta a 17ª Quinzena de Dança de Almada (QDA), um festival que se destaca pela abrangência, diversidade e vanguarda numa plataforma de perfeito entendimento entre a experiência observada do espectador e a experiência vivida do participante.

Num total de 21 dias, os amantes e curiosos da Dança poderão encontrar espectáculos e actividades em vários espaços de Almada, Lisboa, Odivelas e Sesimbra. O programa do festival inclui espectáculos de palco para diferentes públicos, mostra de video-dança, workshops de dança para profissionais, estudantes e não profissionais, bem como ateliers de música, movimento e dança para bebés e crianças.

De 6 a 9 de Setembro o sonante nome de Clara Andermatt orienta o workshop para profissionais e estudantes de dança ” Técnicas de Dança Contemporânea” no CCB. Os dias 10,11 e 12 são dedicados à Video-dança e à Plataforma Coreográfica Internacional, que pode contar com trabalhos coreográficos de 21 países como Portugal, Espanha, Suiça, USA, Brasil, Israel, entre outros.

A estreia absoluta do espectáculo “Nossos” da Companhia de Dança de Almada, como programa integral de sala ocorrerá no dia 19 de Setembro, no Auditório Fernando Lopes Graça. A coreografia é de Ricardo Ambrózio.

De dia 21 a 24 de Setembro, ocorrerão aulas abertas a crianças, jovens e adultos de Dança Contemporânea, Ballet Clássico e Barra de Chão na Escola de Dança da Companhia de Dança de Almada.

E para os mais novos, o Auditório Fernando Lopes-Graça acolhe o espectáculo “Os mistérios da floresta” nos dias 26 e 27 de Setembro.

O convite fica assim feito a todos. Este festival promete, como sempre, lançar-nos de corpo e alma numa das mais belas formas de arte: a Dança.

A Rua de Baixo entrevistou Maria Franco (Directora Artística da Companhia de Dança de Almada) e Ana Macara (Directora Artística da Quinzena de Dança de Almada – Contemporary Dance Festival) para dar a conhecer um pouco mais da QDA.

Como foi criada a Companhia de Dança de Almada?

A CDAlmada foi criada, como Grupo de Dança de Almada, na sequência do trabalho da professora Maria Franco, com muitos anos à frente de uma escola de dança responsável pela formação de vários bailarinos actualmente a trabalhar nas mais diversas companhias.  Maria Franco uniu a sua vocação como professora com a sua grande experiência de trabalho a nível de companhia profissional. A companhia começou de forma amadora, apresentando-se pela primeira vez num concurso nacional no qual ganhou o primeiro prémio e o prémio de crítica.

Quais os objectivos principais da Companhia?

Desde o início os objectivos principais da companhia prenderam-se com a divulgação da dança com apresentação de criação artística original e a formação de um espaço de trabalho para os jovens bailarinos da zona.

A Companhia de Dança de Almada tem procurado estar envolvida em diversas produções de dança, incluindo o público infanto-juvenil. Como caracteriza a reacção do público mais jovem em relação aos espectáculos apresentados?

Os espectáculos para o público infantil são dos mais gratificantes que temos apresentado. Sabemos que este tipo de público é extremamente genuíno na sua resposta ao que assiste em palco. A espontânea adesão e entusiasmo dos mais jovens mostra-nos que a dança contemporânea é de facto uma forma de expressão artística de comunicação muito directa, em que uma relação natural com o público pode ser estabelecida.

No que diz respeito aos jovens coreógrafos, a Companhia procura também ter um papel activo e dinâmico, no que toca ao apoio, incentivo e divulgação da dança contemporânea.Como surgiu o programa Jovens Coreógrafos?

A direcção da companhia sentiu desde sempre que, para além de coreógrafos já estabelecidos, seria importante abrir espaço para coreógrafos que estavam a iniciar o seu percurso. Convites a Clara Andermatt, Paulo Ribeiro, Peter Michael Dietz, por exemplo, hoje plenamente reconhecidos, foram feitos no início das suas carreiras. Posteriormente, o desejo manifestado por alguns dos bailarinos da própria companhia de criarem os seus próprios trabalhos levou-nos a procurar criar condições para a apresentação de primeiros trabalhos através do programa “Jovens coreógrafos”. Cláudia Dias, Diniz Sanchez, ou Alexandrina Nogueira foram alguns dos casos de sucesso que saíram desta iniciativa.

A Quinzena de Dança de Almada comemora este ano a sua 17ª edição.Como surgiu este Festival?

Este festival surgiu fundamentalmente do desejo de partilhar uma grande paixão pela dança. No início este festival procurou divulgar diversas formas de dança, desde as danças de salão à dança clássica. Mais tarde verificou-se um crescimento do interesse pela dança em geral e passámos a dedicar-nos apenas ao universo bastante alargado e ainda muito desconhecido da dança contemporânea. Pensamos que é aqui que reside o que de mais importante se faz em termos de criação artística, sendo claro que estamos abertos a todas as formas de criações multi e transculturais, pluridisciplinares e integradoras.

A Edição deste ano da QDA apresenta uma variedade enorme não só de espectáculos, mas de actividades. Existem mudanças na oferta cultural em relação às edições passadas? (Quais e porque razão existem?)

O formato do Festival tem-se mantido sem grandes alterações nos últimos anos. Infelizmente, com os orçamentos extremamente limitados com que contamos, não pudemos ainda implementar algumas iniciativas que esperamos vir a lançar no futuro. Este ano continuamos a apostar na diversidade de locais de apresentação, e na criação de situações para levar o público a um maior envolvimento, através de discussões com os criadores, dos workshops e também pelo apelo à participação na escolha dos melhores trabalhos apresentados.

Quais os destaques do programa da 17ª QDA?

Começando pelo inicio, pensamos que o workshop de Dança Contemporânea no CCB, dirigido a profissionais e estudantes de dança vai ser um estímulo importante no desenvolvimento dos talentos que agora despontam. Para o público em geral, a companhia convidada “Polish Dance Theatre“ vai apresentar-se em vários espaços, com um espectáculo variado e de grande profundidade. A plataforma Internacional constituirá como sempre um ponto alto pela quantidade e qualidade dos trabalhos apresentados.

Indique, para cada destaque, uma qualidade que o torne imperdível.

Clara Andermatt tem-nos surpreendido várias vezes com as suas brilhantes criações. Conseguir que partilhe connosco o seu conhecimento sobre a Dança contemporânea é uma oportunidade que nos parece imperdível.

Quanto aos espectáculos, a Companhia convidada apresenta um programa duplo, em que se destaca o trabalho do conhecido coreógrafo israelita Yossi Berg, com um trabalho enigmático e de grande qualidade.
Os três espectáculos da Plataforma representam a irrepetível possibilidade de assistir, cada noite, a uma diferente panorâmica do que de melhor se faz por todo o mundo.

Considera que Portugal um país sensível à Dança Contemporânea? Em que medida iniciativas como a QDA contribuem para que o público português adira aos espectáculos de Dança Contemporânea?

A Dança Contemporânea tem assistido a um crescimento muito grande a nível de criadores e intérpretes. De um modo geral, quanto mais nos aproximamos da dança contemporânea, mais a apreciamos e percebemos o manancial artístico que nos propõe. O papel da corporeidade numa arte total e sem fronteiras tem conquistado numerosos admiradores. No entanto, a falta de divulgação e de conhecimento fazem com que o grande público ainda se mantenha bastante afastado, e essa é a razão porque procuramos apresentar espectáculos e eventos variados, que possam despertar o público para as diferentes facetas de que se reveste a dança quando encarada como arte maior.



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