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Rafael Dias Costa

A Rua de Baixo continua a acompanhar o Teatro Rápido e passará a fazer um destaque do artista que mais nos surpreender em cada mês. Janeiro de 2013 foi o mês das promessas. E o Rafael, o “Professor Roberto”,  surpreendeu-nos com o texto e a interpretação que teve lugar na sala 2

Rafael Dias Costa, 26 anos. Assistente de produção no Teatro Rápido (TR). Sobretudo, e antes de mais nada, actor. Conhecíamos a sua condição de actor da peça “Um chá para dois”, que esteve em cena no TR, em Agosto de 2012 . Já nos tínhamos cruzado a propósito do Projecto Educativo TR. Mas foi em Janeiro, com a peça Professor Roberto, que Rafael nos espantou e se revelou.

Desde pequeno que gostava de “brincar aos teatros”, diz-nos Rafael. Acabou por se inscrever e levar até ao fim um curso de animador sócio-cultural que acabou por ser “atropelado” pela paixão pelo teatro. As suas primeiras experiências teatrais “à séria” tiveram início em 2005 e relacionavam-se com peças didácticas. “Em miúdo, pensava que poderia ser jornalista, professor de história. Ou actor”, confessou-nos Rafael.

A peça “Professor Roberto” foi escrita pelo Rafael:”«a ideia surgiu com a leitura de uma notícia, que tinha um título que me chamou a atenção; era qualquer coisa como “o filho da porteira gosta de crianças, e até demais”. Fez-me pensar como é que um homem que até poderia ser super simpático como todos e paternalista para com as crianças poderia ser, na “intimidade”, um abusador, um pedófilo.” Nesse momento, Rafael deu início a uma pesquisa sobre a pedofilia, procurando a perspectiva do pedófilo. Nos registos com que se deparou, encontrou inúmeras referências às vítimas mas muito pouco (ou quase nada) sobre o pedófilo. “Que ser humano é o pedófilo? Por muito escabroso que seja o seu comportamento, que é, o pedófilo também é um ser humano. O que é que ele sente?”

“O texto é muito intenso e exigiu que eu “activasse” um lado obscuro, negro, muito intenso. O processo de ensaios era muito exigente e eu dava por mim a cruzar-me com crianças na rua e a pensar: “será que são assim tão inocentes e ingénuas?”” – contou-nos Rafael. Já o processo de escrita resultou numa noite, num “de repente” que surgiu após escrever e apagar o texto umas três ou quatro vezes. O projecto foi enviado, e após o telefonema do TR a confirmar o “sim”, o Rafael convidou a Susana Vitorino, o Luís Covas, o Fernando Dinis e a actriz Sofia Helena para, em conjunto, integrarem o mês das Promessas no TR.

Rafael tinha consciência de que este era um tema polémico, uma temática pesada. A forma como Rafael e Sofia Helena contracenam é intensa e faz com que em vários momentos duvidemos da culpa de um e da inocência do outro. Sob a batuta de Susana Vitorino (responsável pela encenação e direcção de actores), Rafael e Sofia protagonizam um tango de culpa, de inocência, de sangue derramado, de perdões que tardam em chegar.

E o futuro, Rafael? “Encaro o futuro com confiança e optimismo. O teatro não vai morrer e o TR é uma prova disso mesmo. Lembro-me que na peça “Um chá para dois” tudo o que estava em cena foi emprestado por amigos; é possível fazer coisas sem grandes apoios financeiros. Temos, sim, que ser criativos e encontrar parcerias.”



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