Rafael Duarte

Rafael Duarte

Entrevista ao autor de "Locus Horrendus"

Rafael Duarte, natural de Guimarães, apresenta-se ao mundo literário sob uma luz de independência artística que conduz atualmente os jovens escritores portugueses, incentivando-os a não desistirem dos seus sonhos, fazendo das palavras a forma de exprimirem a sua arte. Licenciou-se em Ciências da Comunicação pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) em Lisboa, mas foi na poesia que encontrou o seu verdadeiro refúgio e o modo de comunicar aquilo que sente.

Com apenas 22 anos lançou recentemente “Locus Horrendus”, (Chiado Editora, 2015) e leva-nos num viajar entre mundos dicotómicos, percorremos versos e textos em prosa que nos conduzem, simultaneamente, até aos lugares mais recônditos onde a luz e a escuridão se fazem ouvir através de sentimentos e memórias. Dois polos tão distintos, mas ao mesmo tempo tão unificadores da real natureza humana.

É neste livro que o seu heterónimo, Charles Haze, se manifesta e toma lugar, relatando-nos diferentes fases de vida e de inspiração do autor em seis capítulos distintos dentro deste enigmático universo de 107 páginas.

Charles Haze vive dentro de Rafael Duarte, ou será Rafael Duarte o verdadeiro habitante de Charles Haze?

Boa pergunta. Inicialmente talvez o Charles Haze vivesse dentro do Rafael Duarte, no entanto acho que quando encontrei o Charles Haze ele tornou-se o todo.

“Locus Horrendus” divide-se em seis partes distintas:  A escuridão, A descoberta, A Identidade, Rigor Mortis, Purgatório e Ressurreição. Que mensagem se encontra implícita em cada um dos capítulos?

Rafael Duarte: Quando a obra estava completa eu percebi que existia uma mensagem implícita em todos os capítulos. A mensagem é que eu faço parto da escuridão e que sem ela eu não conseguiria criar nem viver a vida que queria e que sempre projetei. Eu apercebi-me que no meu inconsciente em sempre soube que a escuridão faz parte de mim. Talvez a mensagem do livro seja que nunca devemos ter receio da escuridão e sim devemos abraçá-la.

A referência que fazes na tua poesia sobre figuras mitológicas, e outras historicamente intemporais, transporta os teus versos para um campo transitório entre a realidade e a utopia. Essas dicotomias são essenciais naquilo que escreves?

Sim, sem dúvida. Todo o livro é assente em forças antagónicas. Eu acho que recorri à História e à Mitologia para cruzar com a minha realidade. Acho que as figuras me representavam e ainda me representam.

Quais são as tuas maiores referências artísticas a nível nacional e internacional?

Em termos nacionais, as minhas referências são mais a nível de personagens históricas como é o caso de Afonso Henriques, Pedro e Inês e D. Sebastião. No entanto, “Os Lusíadas” continua a ser um dos meus livros favoritos, talvez pelo enaltecimento da pátria. Eu gosto especialmente de Ricardo Reis (Fernando Pessoa). A nível internacional, gosto bastante de Whitman, Ginsberg, Poe e Kerouac . Vicent Price será sempre uma referência para mim. E claro, o filme “Scarface” teve uma grande influência em mim e acho que me deu uma certa coragem para ser mais bravo.

Lançaste o teu primeiro livro com apenas 22 anos. O que ambicionas alcançar, enquanto escritor, no futuro?

A médio prazo, gostava de concluir o meu segundo livro… Mas não tenho um plano fixo, só sei que quero continuar a escrever.

Como vês ser tratado o papel do “poeta” num país como Portugal?

É realmente difícil. Apesar de sermos um país de poetas o mercado editorial não está fácil. Consegues editar um livro, mas em termos de divulgação e apoio é muito complicado. Tenho trabalhado bastante, mas também tem sido interessante. Estou sempre a apostar em colaborações com artistas de outras áreas para tornar o trabalho mais completo e aliciante. Por vezes, torna-se frustrante. Esforçaste e não tens apoio e os resultados não é o que imaginavas. Contudo, vou continuar a trabalhar ainda mais.

 

 



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