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“Reino de Feras” de Gin Phillips

Da calma ao terror numa questão de segundos.

O livro de estreia da autora premiada Gin Phillips, cuja acção é sublinhada por uma intensa e angustiante luta pela sobrevivência, “Reino de Feras” (Suma de Letras, 2018) é um thriller repleto de adrenalina que vai prender o leitor desde a primeira página.

Imagina o atirador a observá-los, a dar os primeiros passos na sua direcção, contornando o lago, o sorriso a abrir-se. Imagina-o a acelerar.

Não aguenta.

Ao longo de 272 páginas, num discurso directo, rico em descrições, a escritora imerge o leitor num jogo tenebroso em que tudo muda num piscar de olhos.

Phillips lança o leitor, sem pára-quedas ou qualquer preparação prévia, numa história alucinante e aterradora, o pesadelo de qualquer pessoa, e em especial, de qualquer mãe.

Numa narrativa a um ritmo compassado, a início de contornos leves, que abarca, mais ou menos, três horas de um dia, a vida de várias pessoas muda rapidamente de um tom relaxante para momentos de medo e tomadas de decisão que irão definir o seu futuro.

É incrível como coisas simples, tais como uma simples ida à casa de banho, um som da máquina de doces, a luz no ecrã de um telemóvel ou o tom elevado de uma criança, são, aqui motivo para desespero e para estar alerta. A visão dos acontecimentos e das personagens vai evoluindo à medida que as horas passam, o que para os intervenientes deve parecer como que a conta gotas.

Phillips não se limita a relatar os acontecimentos, ela transporta o leitor até aquele jardim zoológico, apresenta-lhe os intervenientes principais, a início tão comuns e quase insignificantes, e estimula-lhe a mente e os instintos primordiais demonstrando, que às vezes, é necessário contornar os limites entre o certo e o errado, especialmente se a vida de alguém que amamos depende disso.

(…) A meio da vedação, vários espantalhos caíram. Atirados ao chão pelo vento, assume, mas, não, não tem havido vento. Seja como for, os espantalhos caíram, meia dúzia deles espalhados ao longo do caminho da zona dos papagaios e mais para a frente ainda.

Não, não são espantalhos. Não são espantalhos.

Parecia um dia como outro qualquer, mas nada fazia antever que o terror iria invadir aquele recinto como um tsunami.

Joan está a passar, descontraidamente, o dia no jardim zoológico com o seu filho de 4 anos, Lincoln.

À medida que aprecia a evolução do filho e observa como brinca, Joan tem aquela sensação agri-doce de que o tempo está a passar rápido demais, o seu bebé rapidamente crescerá, e estes tempos maravilhosos juntos acabarão.

Numa questão de segundos, minutos, o jardim zoológico parecia deserto, a não ser pelo som de disparos, que não sabia de onde vinham.

A correr com Lincoln ao colo, Joan vê-se obrigada a tomar decisões que poderão significar a vida ou a morte de ambos.

Mas eles não os únicos no recinto.

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O que se pensava ser um único atirador, é afinal um engano, pois são dois a trabalhar em conjunto. Dois adolescentes, Mark e Robby, que se divertem a matar animais e pessoas num jogo horripilante, desumano, de contornos extremamente macabros.

Aquela leveza e descontração em matar só os torna ainda mais instáveis e perigosos.

Tudo é válido, todos devem morrer, quantos mais, melhor.

-A caça continua – diz Mark. – Nós somos a ordem. Nós somos a esperança.

Alheias a esta realidade, estão uma professora reformada, Margaret Powell, que em vez de ir como os seus amigos seniores a um centro comercial, prefere passear no jardim zoológico, e Kailynn, uma jovem empregada de café, de 16 anos, um pouco insconciente e tagarela, mas corajosa.

Joan ouve as balas, mas não as sente. São espaçados, os tiros, e ela mantém a cabeça baixa, o queixo a roçar a água, enquanto as suas mãos e pés se enterram na lama e algas, e pergunta-se se Robby Montgomery e o outro conseguem vê-las claramente. Ela mal vê as próprias mãos cortarem a água, por isso, de certeza, que os homens não vêem melhor, e isso explica porque ainda não morreu.

Os quatro terão de conseguir evitar ser descobertos até que a polícia termine com a situação. Mas aonde está a polícia? Porque não chegaram ainda? Saberão eles que são dois atiradores? Que existem sobreviventes no meio daquela carnificina injustificada?

“Reino de Feras” é um livro interessante, envolvente e, emocionalmente assustador, que o leitor vai querer ler de uma ponta a outra, de um só fôlego, e não vai conseguir pousá-lo até terminar de lê-lo.



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