Black Bombaim – Entrevista

Black Bombaim

Estivemos à conversa com os Black Bombaim, que tocam este Sábado, 16 de Fevereiro, no Festival Rescaldo

Expoentes máximos de um movimento que instituiu a cidade de Barcelos como capital nacional do rock, os Black Bombaim movem-se pelos meandros mais espaciais, cósmicos e assumidamente psicadélicos. 2012 trouxe-lhes o reconhecimento nacional graças ao duplo LP “Titans”, que constituiu um passo fundamental para abrir portas ao trio barcelense a várias tours europeias e participações em festivais de dimensão mítica na Holanda e na Bélgica. Iniciam 2013 em grande, como uns dos protagonistas do Festival Rescaldo, que pretende distinguir alguma da mais significativa produção nacional, no panorama das músicas de vanguarda.

A Rua de Baixo esteve à conversa com Tojo.

O álbum “Titans” foi muito aclamado pela crítica. O que surgiu de novo em relação ao album anterior, “Saturdays & Space Travels”?

A principal diferença entre os dois discos, excluindo o factor óbvio da participação de vários convidados, reside no facto do “Titans” ter exigido de nós um maior planeamento na composição e na gravação dos temas. O “SaST” foi gravado ao vivo na íntegra e foca-se mais na tentativa de captar a energia e a improvisação dos concertos, enquanto que desta vez decidimos criar um disco com diferentes andamentos, mais cuidado e dinâmico. A exploração de diferentes sonoridades também tornou o processo de estúdio mais criativo, dedicando mais tempo à procura de sons diferentes e ao encontro de um equilíbrio com todos os convidados.

O ano de 2012 foi fértil em concertos lá fora. Espanha, França, Alemanha, Bélgica, Holanda… e em Portugal, como tem sido a receptividade e o calendário de espectáculos?

Tem corrido muito bem! O contacto com um público diferente é sempre bom, e tocares para gente que à partida não te conhece tão bem é um desafio, pois tens uma oportunidade para lhes mostrares o que vales. Posto isto, e sabendo que os momentos de uma banda em tour são feitos de altos e baixos, até agora a receptividade tem sido excelente! Acho que as pessoas já percebem melhor o que estamos a fazer, em vez de estranharem tanto o conceito da banda, como aconteceu por vezes no passado.

Sentem que têm maior visibilidade lá fora do que cá dentro?

É difícil avaliar isso. Em 2012 creio que tivemos um salto relativo cá em Portugal, muito à custa do “Titans”, provavelmente, coincidente ao momento em que apostámos mais em levar o nosso som além-fronteiras. E esse desejo de explorar outros territórios não tem nada a ver com sentirmo-nos esquecidos ou acharmos que não nos dão o devido valor, antes pelo contrário, desde que nos sentimos mais confortáveis em Portugal é que pensámos levar isto para fora. O risco de te repetires e andares sempre pelo mesmo circuito de salas e massacrares o público, num País da dimensão do nosso, é imenso, por isso tentamos forçar a Europa saindo da nossa zona de conforto, e tem corrido muito bem.

Qual foi o ponto alto do ano para vocês? Quando é que sentiram que começaram a marcar a diferença no panorama musical?

2012 foi brutal para nós. No mesmo ano gravámos e editamos o disco, assim como todas as participações de convidados; fizemos uma jam com o James Pants na Red Bull Music Academy no Porto; colaborámos com vários realizadores portugueses para criar um filme para o “Titans” coordenado por John Minton, director visual dos Portishead, no Curtas Vila do Conde; demos um concerto completamente improvisado e sem qualquer ensaio com os brilhantes GNOD, no Milhões de Festa; tocámos por Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Bélgica, Holanda, Alemanha e Luxemburgo… é difícil escolher um ponto alto, todo o ano foi excelente para nós.

O album “Titans” contou com a participação de vários convidados, como Adolfo Luxúria Canibal ou Steve Mackay. Como surgiu essa parceria? O resultado correspondeu às expectativas?

O convite aos músicos surgiu muito naturalmente a partir do momento em que decidimos fazer um disco de convidados. São pessoas que fomos conhecendo ao longo da nossa ainda muito breve carreira como banda, e bastou uma amostra do nosso som para que todos aceitassem participar. São todos pessoas extraordinárias, e aquilo que gravaram para o disco foi totalmente ideia dos próprios, não demos instruções nem estabelecemos limites. Cada um fez o que achava que a música precisava, e não poderia ter corrido de melhor forma.

“Titans” foi considerado um dos cinco melhores álbuns portugueses do ano para a Blitz. O que significou para vocês?

Foi bom! Recebemos a notícia em Bruxelas, quando estávamos em tour, e ficamos contentes. Por muito subjectivos que sejam os tops de fim de ano, é sempre bom ver que somos valorizados. Enche-nos o ego já que a carteira é impossível.

Porque acham que a aceitação do álbum tem sido tão boa, já que segundo vocês o vosso estilo de música “passa ao lado dos tops, normalmente”?

Não faço a mínima ideia, já que este ano não passou nada ao lado dos tops. Não fizemos, nem de perto nem de longe, um disco para isso, nem somos uma banda de referência nacional de grandes produções e marketing brutal, temos os pés bastante assentes na terra nesse sentido. Acho talvez que agora a crítica tenha mais atenção à inovação e à quebra de padrões quando se fala de música nacional, e o disco também não é mau de todo.

O Festival Rescaldo é mais um passo para o reconhecimento nacional?

Claro! O cartaz é excelente e apanha dos melhores projectos “alternativos” do nosso País, entre os quais os Tropa Macaca, com quem, por coincidência, nos cruzámos pela primeira vez noutro festival, mas na Holanda.

Além disso adoramos tocar em festivais ou eventos em que à partida possa parecer estranho uma banda de rock como a nossa actuar. Significa que não estamos limitados a um sector e que vamos ter público diferente no concerto, e é engraçado para nós recolher diferentes reacções das pessoas, torna tudo muito mais interessante.

Haverá também uma pequena surpresa no nosso concerto!

O que podemos esperar de Black Bombaim em 2013?

Mais concertos, um dos quais o nosso sonho, o Roadburn, e outro, de sonho, Alchemy at Zahar. Temos também planos para outro disco, diferente de tudo o que já fizemos, mas está tudo no segredo dos deuses por enquanto.

Os Black Bombaim tocam no próximo Sábado, dia 16, às 21h30 na Trem Azul Jazz Store. O concerto é inserido na programação do Festival Rescaldo.



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