Dahalia Listening Bar – Turntable

DAHLIA

Com o levantamento das medidas mais restritivas impostas pela situação pandémica, o movimento regressou às ruas de Lisboa, nomeadamente nas zonas mais emblemáticas. Tendo sido inaugurado no verão deste ano, Dahlia é um dos mais recentes espaços do Cais do Sodré, mais propriamente na Travessa do Carvalho, número 13, bastante próximo do Mercado da Ribeira. Fomos conhecer esta nova proposta que se apresenta como um listening bar colocando bastante ênfase em produtos de mercado sazonais e vinhos naturais.

Pequeno & acolhedor

A primeira imagem ao entrar no Dahlia é a grande coleção de discos que se encontra atrás do balcão e duas turntables bem próximas da entrada. A ideia de criar um espaço onde a música tivesse um papel principal surgiu do interesse e enorme coleção de discos que os sócios do Dahlia possuem, como nos disse Adam Purnell, gerente do espaço: “aqui temos uma pequena parte da nossa coleção e géneros que vão desde ao hip-hop à bossa nova passando por muito funk, jazz e soul”.


As prateleiras onde estão guardados os discos estão divididas por géneros existindo uma pequena secção onde estão algumas “escolhas garantidas” para o caso de um dos sócios não estar presente e ser necessário trocar de disco. O clássico de 1978 “Help us Spread the Message” de The Might Ryeders foi uma das escolhas musicais que acompanhou a nossa visita. 

O espaço entre o balcão e as mesas é suficiente mas curto. Sendo um local com um grande movimento de pessoas alguns metros quadrados extra seriam muito bem recebidos. O ambiente é muito descontraído, com uma multiculturalidade evidente, pensado como local para beber um copo ao final da tarde e/ou partilhar alguns “petiscos” ao longo da noite.  

A experiência gastronómica arrancou com um Watermelon Punch (caipirinha, sumo de melancia, limão e campari) que abriu caminho para um leque surpreendente de sugestões gastronómicas, todas pensadas na partilha. A primeira e maior surpresa da noite foi um prato de Beterraba curada com laranja e vinagrete de pistachios. Cortada de forma “grosseira” a suavidade e textura da beterraba encaixa perfeitamente na doçura e acidez da laranja, mas neste prato em concreto é o punch do vinagrete de pistachios que torna esta experiência muito mais enriquecedora e apetitosa.

Beterraba curada com laranja e vinagrete de pistachios

À mesa, os pratos são acompanhados por um vasto leque de vinhos naturais, os reis da carta de bebidas, que aqui ganham destaque, e são os únicos vinhos à mesa. O Dahlia trabalha com vários pequenos produtores de vinho que utilizam técnicas alternativas, sem recurso a produtos químicos, e pretende com isso divulgar este setor a ganhar cada vez mais notoriedade, e mais adeptos. 

A primeira experiência vinícola do fim de tarde surgiu em forma de um vinho branco natural proveniente da Galiza – “A Seara”. É difícil e injusto comparar um vinho produzido de uma forma artesanal, com outros vinhos “convencionais”. “A Seara” é um branco seco com pouco corpo, paladar fresco e aroma de maça verde com algumas notas cítricas e florais. Não é um vinho que encha as medidas mas a prova não deixa de ser interessante porque é notória a diferença entre este tipo de vinhos com outros comercialmente massificados.

A refeição prosseguiu com um prato de Camarão selado, chilli bisque, kimchi. Bastante tenros sem perderem a rigidez necessária, é o kimchi e o picante do chilli bisque que dominam nesta proposta, ideal para saborear o vinho branco aberto recentemente. A chegada à mesa do Borrego salteado, iogurte e romã proporcionou o momento ideal para experimentar o “Vira Cabeças”, um vinho alentejano de Cabeças do Reguengo. Bastante mais interessante que a proposta anterior, o “Vira Cabeças” é resultado da fermentação natural de uvas provenientes de uma única vinha velha (cerca de 8 diferentes castas). Embora sem o corpo de outros vinhos nota-se que é um vinho mais amadurecido e que acompanhou, na temperatura certa, o restante da refeição. 


 

Com a colocação da esplanada (aumentando o número de lugares sentados de 16 para 40) e mantendo as excelentes escolhas musicais, o Dahlia tem todas as condições para se tornar numa referência como ponto de encontro ao final do dia, numa zona onde existem diversos espaços de co-working e uma multiculturalidade crescente. Um espaço que merece obviamente uma nova visita e que irá manter-se no nosso radar.

Horários:

Aberto de terça-feira a sábado, das 18h30 às 01h00 (cozinha encerra às 23h)

Morada:
Tv. do Carvalho 13, 1200-097 Lisboa

Reservas: 

Website 

Instagram (mensagem)

Email: adam@dahlialisboa.com

Telemóvel: +351 967 950 102



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