Return to NY @ Lux

Encontro de galácticos à beira Tejo.

Depois de percorrer algumas das principais capitais europeias, foi a vez de Lisboa receber a festa «Return to New York», que tinha como principal objectivo reunir e celebrar as diferentes eras da música de dança, através de dj sets de nomes emblemáticos da cena internacional. O encontro teve como palco a discoteca Lux em Lisboa e o resultado foi uma noite inesquecível de música feita para abanar os ossos.

Os portugueses, particularmente os lisboetas, já estão habituados a “começar” as noites cada vez mais tarde. Janta-se às onze, bebe-se um copo à uma e meia e entra-se no Lux quase às quatro da manhã. Para esses, o set de um dos maiores ícones da música electrónica passou completamente ao lado.

Arthur Baker tomou conta dos pratos ainda antes das duas. Com uma postura imponente, um ar calejado e um copo sempre na mão, o mestre nova-iorquino foi o primeiro a animar o bar da discoteca lisboeta. Após uma revisão dos temas mais rodados no Lux no último ano, («NY Excuse» dos Soulwax, era obrigatório), as escolhas do lendário dj começaram a ser muito mais ecléticas.

Tendo embora como base as novas sonoridades electro, Arthur Baker vagueou por quase todos os géneros da música electrónica, passando também pelo house e disco. Houve ainda tempo para o excelente remix de «Banquet» dos Bloc Party, «Rocks» dos Primal Scream, fechando o set com a «Satisfaction» dos Rolling Stones. De estranhar a ausência de «Blue Monday» dos New Order, banda que Arthur Baker deu a conhecer ao público americano.

Quando Chris Cunningham (sim o mesmo dos vídeos da Warp, do Aphex Twin, dos Leftfield e da Björk) tomou conta dos pratos do piso superior do Lux, a fila para entrar no clube lisboeta era enorme, o que prova a condição de líder incontestável que o Lux detém na noite da capital.

As escolhas musicais do realizador são coerentes com a sua postura artística em filme. Depois de um início um pouco confuso e barulhento, estilo Aphex Twin, as escolhas de Cunningham começaram a fazer sentido perante um público sedento de ritmo. Do drum n’ bass ao electro, a passagem do realizador-dj pelo Lux saldou-se pela boa disposição demonstrada e pela energia transmitida.

O patrão da Playgroup, Trevor Jackson, que para muitos era a grande atracção, teve a honra de fechar a noite de festa. Embora uns furos abaixo da histórica actuação do ano passado, o inglês serviu um excelente cardápio composto por vários estilos, sonoridades e influências.

A festa arrancou com Fisherspooner e LCD Soundsystem mas rapidamente se “perdeu” por outros caminhos. A mala de discos de Trevor parece uma loja e tem de tudo um pouco. O público que encheu por completo a pista de dança pôde ouvir «Freakin» de Marc Romboy, «I Feel Space» de Lindstrom e até «Rocking Down The House» de Adonis.

O set de Trevor foi uma verdadeira viagem musical entre estilos e vertentes espelhando bastante bem o espírito da festa. Do Acid House ao Techno Minimal, o dj inglês deliciou todos os presentes e até teve tempo para colocar a rodar no gira discos do Lux faixas como «You Should Be Dancing» (Instrumental) dos Bee Gees e «Voulez Vous» dos Abba.

Para a parte final do set, ficou reservado um interessante “duelo” entre Trevor e o alemão Oskar Melzer. Quem saiu a ganhar foi o público que mais uma vez saiu de “barriga cheia” (e cabeça também) da discoteca alfacinha.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This