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Ricardo Dourado

No rescaldo da Modalisboa | Transfusion.

Após o desfile de Ricardo Dourado na última edição da ModaLisboa, a Rua de Baixo falou com o criador, para saber um pouco mais sobre a colecção.

O tema da colecção prende-se com a obra da Jenny Holzer, “Protect Me From What I Want”, na qual existe também uma outra frase: “You are so complex, you don’t respond to danger”, e é um pouco essa a ideia com que ficamos da colecção. Sente-se uma fúria, uma atitude claramente streetstyle. Foi essa a principal influência?

Talvez não seja a principal influência no sentido de ter sido o ponto de partida, mas se calhar cheguei aí através também do filme de que falo (“Wassup Rockers”, de Larry Clark) porque o revi e achei que ficava interessante aqui. E é também o reflexo de um momento que a colecção, a minha marca e eu estamos a viver, sendo um projecto de autor acho que lhe devo imprimir alguma da minha identidade.

Mas houve então uma influência do streetstyle da década de 80?

Década de 80 e 90. O design das peças é mais 90, mas se calhar algumas peças como os casacos de ganga ou os bombers vão mais ao encontro dos 80. Mas a ideia seria a década de 90, também com a introdução das Nike nesse sentido. Quando a moda de rua era muito facilmente identificada. Hoje em dia, na rua, vêem-se pessoas com looks absolutamente diferentes, enquanto que nos anos 90 tínhamos o sportswear e o urbanwear muito bem definido. Eram temas de rua.

Vai então um bocado contra esta ideia dos blogs de moda e esta tendência de se ver nas ruas verdadeiros looks de paserelle?

Não é que seja contra, é termos mais um que é a minha perspectiva. Eu vejo blogs e tumblrs todos os dias e não sou nada contra isso, sou a favor e também tenho os meus. Foi apenas um caminho pelo qual quis seguir pelas referências de trabalho que tenho.

E porquê a inexistência de cor numa colecção de Verão?

Temos o verde nos forros dos casacos, mas de facto não há cor. Não há porque é uma colecção urbana e no filme “Wassup Rockers” eles vestem-se de cinzas e pretos e queria ir por aí. Também não gosto muito de trabalhar cor, e nesta colecção existe muito essa ideia de fazer aquilo que realmente quero fazer a nível de design. Por exemplo, a nível das formas, eu uso o corte, a ideia do corte como um statement; pegar na parte de cima de uma peça, pegar na parte de baixo de outra e colar as duas. Não tento fazer subtilezas ou fazer novas peças a partir daí, e a cor tem um bocadinho a ver com isso. É aquela cor que eu quero trabalhar. Quero trabalhar o denim, quero trabalhar a rede e a organza, não me interessa construir a colecção através de paletas. Acho que já era suficientemente forte a nível de conceito, de materiais e formas, para estar também a trabalhar cor.

Sim, está claramente presente em muitas peças esse conceito de reestrutura e de reaproveitamento, nomeadamente alças de mochilas, saias que começaram por ser camisas…

Sim, e calções que são saias, ou que eram blusões. A ideia era mesmo essa, pegar em partes de peças que eu gosto… Um design claro e directo, sem grandes subterfúgios.



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