Richard Bona

Conheça toda a história de um dos maiores nomes da música Africana e do Jazz mundial.

Bona é um músico africano nascido numa pequena vila nos Camarões, Minta, em 1967. Quem nasceu numa aldeia, e já tocou com nomes como Pat Metheny, Didier Lockwood, Chick Corea, Mike Stern, Herbie Hancock ou Joe Zawinul, terá certamente um talento especial. E tem-no. Imenso. Desde cedo mostrou um interesse particular pela música, tendo nascido num ambiente recheado de melodias onde a mãe era cantora, o avô percussionista, as irmãs meninas de coro. Uma história de família conta que o pequeno Richard, aos três anos de idade, chorava habitualmente sem motivo, até que um dia alguém trouxe um balafon (uma espécie de xilofone de madeira africano) para sua casa e, ao começar a tocá-lo, o choro cessou e Bona sentou-se e ficou a ouvi-lo durante horas. A partir daí, foi uma sucessão de acontecimentos até chegar a Nova Iorque em 1995, e tocar com as estrelas.

Construiu o seu próprio balafon, instrumentos de percussão, flautas, uma guitarra de 12 cordas com as cordas roubadas a cabos de travões de bicicleta, numa vila onde pouco havia. Descobriu também que a sua voz era tão capaz como as suas mãos. Cedo a sua fama cresceu em Minta, e aos 5 anos era já um músico bastante requisitado.

Aos 13 anos, depois de se ter mudado para Douala com o pai, uma cidade com mais oportunidades, a sua surgiu quando um francês criou um clube de jazz local, e o convidou a formar banda e tocar lá, após tomar conhecimento do prodígio. Bona nunca tinha ouvido jazz, mas a extensa colecção de 500 LP’s do jazz men completou rapidamente a lacuna. Quis o destino que o primeiro álbum que Bona retirou da colecção fosse Jaco Pastorious (1967), do próprio, com o tema Portrait of Tracy. Depois de o ouvir, decidiu tocar baixo eléctrico. Diz-se que Bona tem o dom de aprender a tocar qualquer instrumento apenas por observar um músico a tocá-lo. Inicia-se então a sua formação “jazzística” e Bona aprende o groove de Pastorious, a classe de Miles entre outros.

Após a morte do pai, parte para Paris à aventura, chegando no Inverno. Nos Camarões o Inverno não é como o europeu, e Bona, com uma t-shirt e calções, pronto para sair do avião considerou voltar para trás quando sentiu o gelo nos ossos. Uma hospedeira ofereceu-lhe o casaco e disse-lhe para dar uma hipótese à cidade. Richard deu-a e em dois meses já tocava com Didier Lockwood, Marc Ducret, Joe Zawinul, Salif Keita ou Manu Dibango. Nos 7 anos que esteve em Paris, frequentou também uma escola de música para aperfeiçoar a sua escrita e estudar trabalhos de nomes como Miles Davis, Chet Baker ou Ben Webster.

Numa visita ao Senegal para um festival de jazz local, com o seu projecto Point Cardinale, a sua vida tomou um novo rumo quando o flautista Colette Michaan, depois de assistir à sua música, o convidou para uma visita de 4 dias a Nova Iorque. A visita acabou por durar 2 semanas e a música de Bona compensou o facto de não perceber uma palavra de inglês. Colette tratou da hospedagem e das apresentações, a música do camaronês fez o resto. Decidiu mudar-se para lá em 1995, e tomando contacto com Joe Zawinul, na altura na cidade, gravou com este o álbum “My People” e fez a respectiva tour mundial. No regresso, as requisições sucederam-se, trabalhando como sideman com nomes como Pat Metheny, George Benson, Harry Belafonte (para quem foi compositor e bandleader), Bobby McFerrin, Larry Coryell, Branford Marsalis ou Randy Brecker, entre muitos outros.

Em 1998 assina pela Columbia Records, tendo já 3 álbuns editados: Scenes from my Life, Reverence e o mais recente, Munia – The Tale, lançado a 23 de Setembro de 2003.
Álbum de que aproveito para vos falar, já que não tem tido lugar de destaque, o que é estranho e triste.

Munia, no dialecto de Douala, significa história. Bona é um contador de histórias. Histórias para crianças ou velhos, homens ou mulheres, alegres, tristes, que nos fazem sonhar ou recordar. Extremamente multifacetado, tal como o autor, mostra-nos desde a balada suave ao rock tropical, passando pela rumba e pela fusão, com o jazz sempre à espreita. Bona brinda-nos com a composição, os arranjos, a voz, as teclas, a percussão, vocoder, guitarra acústica, piccolo bass, baixo eléctrico, sintetizadores e com as colaborações de ilustres como Kenny Garret no saxofone, Vinnie Colaiuta na bateria, Salif Keita nas vozes, Djely Moussa Conde na kora, Bailo Ba nas flautas tradicionais e Romero Lubambo na guitarra acústica. Os músicos residentes são o baterista Nathaniel Townsley, teclas de George Whitty, o pianista George Cooligan e o saxofonista Aaron Heick, contribuindo para a diversidade e riqueza deste álbum fantástico.

Munia continua a história iniciada por Scenes e Reverence. 11 temas, 11 caminhos diferentes, cheios de uma beleza e sensibilidade que nos preenche.

Uma história que esperemos que não acabe, tal como todas as histórias verdadeiramente importantes.



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