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Richard Donner e o futuro da DC Comics

A influência do realizador nos destinos mediáticos das hot properties da editora do Super-Homem.

Richard Donner realizou a mais famosa encarnação do homem de aço para o cinema, “Superman – The Movie” (1978). Este filme, em conjunto com “Superman II” de 1980, tornaram-se nos pilares daquilo que é a consciência popular do herói desde então, não obstante alguns aspectos terem ficado algo datados, nomeadamente a bidimensionalidade das personagens ou a falta de coerência científica. A sequela atrás referida não contou com a realização de Donner, não por o primeiro filme ter falhado na bilheteira mas por conflitos criativos entre Donner e os produtores (irmãos Salkind). Richard Lester, tornado famoso nos 60s pelos filmes “Hard Day’s Night” e “Help!”, ficou encarregue de concluir a sequela. Uma vez que Donner já havia rodado uma parte significativa do que viria a ser “Superman II”, Lester utilizou parte dos elementos já produzidos, tendo acrescentado, eliminado e substituído vários segmentos do filme, aligeirando assim a carga simbólica do primeiro e introduzindo um tom predominantemente humorístico.

Em 2006 foi recuperada e lançada em DVD a versão de “Superman II” na qual Donner havia trabalhado em simultâneo com a realização do primeiro filme (algo de pouco comum para a época). O visionamento das partes um e dois sob a direcção de Richard Donner completa o ciclo de forma perfeita, evitando a sensação desconexa que as versões comerciais transmitem.

Não obstante o impacto que estes filmes tiveram na comunidade cinéfila fã do género,  nada faria antever uma influência tão directa e profunda nos comics (enquanto media original) como aquela a que assistimos nos últimos anos.

Geoff Johns será actualmente o argumentista com maior influência no universo da DC Comics, ocupando cumulativamente o cargo de Chief Creative Officer da editora. A obsessão de Johns pelo trabalho de Donner (nomeadamente a forma como este capturou a essência do Super-Homem enquanto personagem) levou a uma colaboração entre ambos em meados da década de 90, assumindo o primeiro as funções de assistente de produção no filme “Conspiracy Theory”. O desenvolvimento desta parceria criativa culminou com a publicação de duas histórias do Super-Homem, com argumento partilhado por ambos, na “Action Comics”: “Last Son” e “Escape From Bizarro World”.

Mas é entre 2007 e 2008 que Geoff Johns e o artista Gary Frank criam dois arcos seminais no título “Action Comics” (“Superman and the Legion of Super-Heroes” e “Brainiac”) ambos actualmente disponíveis em dois volumes independentes. Com estas obras os autores conseguem estabelecer a mitologia associada ao universo de Super-Homem sob o referencial dos filmes de Donner. As edições atrás referidas  são coroadas pela obra prima da mesma dupla criativa, “Superman: Secret Origin” (mini série em seis números publicada entre 2009 e 2010), que de uma forma notável reconta as origens do Super-Homem, procurando assim chegar a um novo público e corrigir algumas das inconsistências originadas por décadas de continuidade.

Uma nota especial para a arte fabulosa de Gary Frank, que mais do que replicar a fisionomia de Christopher Reeve (o Super-Homem dos filmes de Donner), consegue o misto de pureza e grandiosidade mítica  que o actor tão bem captou como essência do personagem.

O ciclo encerra-se com Geoff Johns voltando à sétima arte através de um dos seus projectos mais pessoais na DC Comics, “Green Lantern”, como  co-produtor do filme baseado na personagem e cuja estreia está prevista para Junho 2011. Este novo desafio de produzir um filme de grande orçamento estimado em 150 milhões de dólares, com um personagem que não Super-Homem ou Batman, será determinante para o futuro da DC no cinema e mesmo na TV, estando o seu sucesso fortemente dependente da capacidade do discípulo de Donner impor e adequar a sua visão enquanto argumentista de comics aos outros media.



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