Rising Sun Cover

Rising Sun | Antevisão

Japão na mesa e não é sushi.

Era bastante fácil perceber que um jogo de tabuleiro com uma temática associada ao Japão feudal, com imagens de miniaturas incríveis, de um criador e editora responsáveis por alguns dos jogos mais falados dos últimos tempos, seria um sucesso imediato. Rising Sun promete ser um dos jogos que mais vezes vai ser chamado para a mesa (e isto sem contar com as mesas de pintura de miniaturas!).

Miniaturas: Oni of Hate e Oni of Blood

Miniaturas: Oni of Hate e Oni of Blood

No entanto, quando este sol nascer não será para todos, pois o preço que está a ser pedido na plataforma de crowdfunding Kickstarter ficará bem acima dos 100 euros para Portugal, o que tornará este jogo uma relativa raridade por cá. Os sortudos que compraram ou que tenham amigos que não conseguiram resistir à arte, às miniaturas altamente detalhadas e aos vários exclusivos desta campanha que não se vão encontrar nas lojas, vão poder desfrutar em primeira mão daquele que muitos acreditam que será um dos grandes jogos dos próximos tempos.

Mas será uma longa espera pelo correio, já que o tempo previsto para a chegada desta relíquia é de quase um ano! Mesmo estando a essa distância, existem muitas razões pelas quais este é o tema e o projecto de que todos falam. Sendo um novo jogo da CMON (CoolMiniOrNot), já era esperada uma grande atenção. Contudo, quando se junta praticamente toda a equipa que criou o Blood Rage, incrível jogo de batalhas entre clãs vikings e um dos jogos mais épicos e bem conseguidos dos últimos tempos, o buzz e a expectativa nas redes sociais dispararam. Este novo projecto reúne novamente Eric M. Lang, um dos criadores de jogos mais prolíferos da atualidade, Adrian Smith, um dos artistas mais conhecidos no meio, e Mike McVey na supervisão da criação das incríveis miniaturas.

Jorogumo - Arte de Adrian Smith

Jorogumo – Arte de Adrian Smith

E sem surpresa, é inicialmente pelas miniaturas que este jogo se destaca. As imagens já conhecidas das versões em resina mostram detalhes espantosos e, tendo em conta trabalhos passados da CMON, serão certamente de uma qualidade muito acima da média quando chegarem da produção em massa. Com o aproximar do final da campanha no Kickstarter, cada vez mais figuras (especialmente monstros!) vão sendo apresentados e desbloqueados, um refinado chamariz para novos apoiantes.

River Dragon e miniatura do Bonsai clã

River Dragon e miniatura do Bonsai clã

A arte associada ao jogo tem a óbvia temática japonesa, embora existam críticas à pouca ligação directa a histórias e mitos dessa riquíssima cultura e, apesar de não estar a ter uma aclamação unânime, é suficientemente detalhada para agradar à maioria. Os tons neutros e claros patentes especialmente nas cartas e no tabuleiro indiciam que há algo diferente do que tem sido apelidado continuamente pela CMON como um sucessor espiritual do Blood Rage. O criador do jogo, Eric Lang, fez questão de em algumas entrevistas esclarecer que, sendo na mesma um jogo de guerra, este será muito mais virado para a diplomacia, optando por mecânicas menos bélicas e mais subtis, com especial enfoque para o bluff, negociação e competição pelos favores dos ancestrais espíritos Kami. Esta forte vertente diplomática e todas as regras associadas impossibilitam que se jogue apenas a 2, o que para muitos será uma grande limitação. Com o jogo base a permitir 5 jogadores e a versão do Kickstarter a possibilitar um adicional, o Rising Sun promete acompanhar grandes serões entre amigos.

 

Rising Sun - Tabuleiro

Rising Sun – Tabuleiro

O ambiente menos bélico e destrutivo do que o irmão mais velho nórdico Blood Rage é visível em quase todo o jogo, sobretudo se fizermos o quase impossível: ignorar as miniaturas! Estamos numa fase em que ainda é difícil avaliar a dinâmica deste jogo devido aos poucos vídeos existentes e reviews independentes. Não é fácil, portanto, ter uma ideia completa de como será a versão final do jogo, o que pode criar uma dúvida válida no momento de decidir gastar uma quantia avultada com tanta antecedência, embora seja também esta parte da magia das apostas do Kickstarter.

A isso acresce a discussão continua sobre se empresas já estabelecidas e de alguma dimensão como a CMON deviam utilizar o crowdfunding como uma plataforma de pré-venda. No entanto, é inegável como o Kickstarter continua a revolucionar o mercado dos jogos de tabuleiro, permitindo a criadores independentes e pequenas editoras obterem o financiamento de entusiastas de todo o mundo, que esperam receber em troca a melhor versão desse jogo quando for fabricado (isto se tudo correr bem!), e possibilitando a empresas como a CMON o lançamento de jogos de dimensão épica.

Cartas dos Monstros da Primavera

Cartas dos Monstros da Primavera

Do que já se sabe, cada jogador vai controlar um dos clãs disponíveis (para além dos 6 da versão base do Kickstarter existe a opção de se comprarem 2 novos com inspiração em culturas de países vizinhos ao Japão), cada um com poderes únicos durante as 4 estações de um ano. No início de cada estação forjam-se alianças, numa típica cerimónia de chá, que apesar das vantagens que trazem podem muito bem ser quebradas no momento decisivo. Segue-se uma fase onde várias acções são efectuadas pelos jogadores, entre as quais as usuais movimentações pelo mapa, a recruta, criação de fortificações, colheita dos recursos dos territórios que se controla e vários upgrades e pedidos de favores a vários deuses, tudo regido pela honra e em preparação para o grande combate no final de cada estação.

Se querem ser dos primeiros a terem o vosso clã a controlar o Japão, orquestrando monstros, deuses ou criaturas mitológicas, tornando-se no próximo imperador, esta será uma proposta a não perder com todos os exclusivos do Kickstarter até ao início de abril ou quando chegar às lojas em 2018.

 



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