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Rita Braga

a garota de São Paulo

Autora, cantora, performer, já houve até quem a chamasse de ‘rainha do ukelele’. Rita Braga nasceu em Lisboa, vive no Porto, mas a música tem-na levado por esse mundo fora. ‘Gringo in São Paulo’ é um disco com cinco temas originais gravado na cidade brasileira e apresentado agora em Portugal. Esta noite, na ZDB, em Lisboa, e amanhã, no Auditório Passos Manuel, no Porto. Durante uma conversa de fim de tarde com a Rita Braga, na baixa de Lisboa, quisemos saber mais sobre o EP  que está quase aí a chegar. O disco vai para as lojas a 30 de Março.

Depois do primeiro longa duração ‘Cherries that went to the police’ em 2012 a ter levado por uma tour pelo Brasil, a menina apaixonada pelo som exótico oriundo do Hawai, regressa a São Paulo para gravar o sucessor, ‘Gringo in São Paulo’. “Na altura, não sabia muito bem o que fazer, mas estava com a ideia de sair de Portugal. Já antes de ir para o Brasil estava a colaborar com músicos brasileiros no Porto, onde estou a morar, e já há um ano e tal que estava com essa ideia. Fui tocar lá pela primeira vez em 2012 e formei uma banda ao vivo – Indiozinhos Psicadélicos. Como houve uma grande empatia e cediam-me o espaço, quis voltar para fazer um disco só com originais todo produzido lá”, conta Rita, com um ar tímido.

O EP foi escrito e gravado no Estúdio do Mancha na cidade brasileira em 2013. Durante um mês, Rita Braga foi paulista. Absorveu a cultura e o barulho do tráfego, viveu o quotidiano da cidade, conheceu as pessoas e as canções começaram a nascer. A cantora conta que, apesar de não ter sido fácil isolar-se para compor num outro país, o que o que a mais a inspirou foi a própria cidade. “Estava a morar no centro, portanto, foi tudo muito intenso. É outra dimensão, é uma escala diferente da nossa e isso para mim foi interessante explorar. Enquanto que o Rio de Janeiro tem mais semelhanças com Lisboa – há ruas que podiam ser aqui – São Paulo é uma babilónia porque é uma coisa mesmo americana, de arranha-céus. As coisas estão muito centralizadas lá, mesmo os músicos do Rio de Janeiro vão para lá. É um pólo cultural muito forte”, explica Rita Braga, entusiasmada.

A sonoridade do disco faz-nos regressar, a espaços, ao Brasil dos anos 30. Esse ambiente é criado especialmente no primeiro single que dá o nome ao disco, ‘Gringo in São Paulo’. Por outro lado, Rita Braga aproveita para brincar com os diferentes sotaques da língua portuguesa e acaba por dar um cheirinho de Brasil à própria voz. “Foi propositado. Gosto de explorar esse lado fonético e plástico da voz. Esse tema em que eu canto com o sotaque brasileiro é um sotaque antigo que acaba por ser mais próximo do nosso português”.

De resto, as canções mantém a identidade que as caracteriza que combina a teatralidade e delicadeza da voz de Rita com o exotismo do instrumento que sempre a acompanha – o ukelele. Aos músicos brasileiros que já a acompanhavam (Mancha Leonel na bateria, Bernard Simon Barbosa na guitarra eléctrica e baixo) juntam-se agora Pedro Falcão (cuíca e pandeiro), José Vieira (piano), Peri Pane (violoncelo) e Matheus Zingano (guitarra acústica).

A garota de São Paulo, regressa agora a Lisboa onde apresenta o disco ao vivo, a solo. A cantora marca presença também nas Fnacs um pouco por todo o país.



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